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Resenha: Scribblenauts é tudo isso mesmo!

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Quando comecei à jogar Scribblenauts, me perguntava se o game seria realmente tudo aquilo que estávamos esperando, afinal, às vezes o hype que envolve certos jogos não condiz com o real grau de entretenimento que estes deveriam proporcionar. Isto acaba prejudicando o julgamento do consumidor ante à compra, da maneira que se aquela mídia não tivesse mantido toda essa expectativa sobre si, a apreciação e o divertimento seriam possivelmente bem maiores.

Felizmente este não é o caso de Scribblenauts! Como já havia dito aqui, o jogo SB0_2centra-se em resolver puzzles, puro e simplesmente. Um pequeno menu se revela de início, lhe sugerindo algumas opções: Desafio, Editor de Fases, Loja e Níveis Extras; mas é no canto inferior direito que está a primeira surpresa. Clicando nele, abre-se uma janela de opções, aos quais nos permite escolher o idioma padrão do game. Enumere-me ao menos cinco jogos para DS que tenham o “Português” como uma opção de idioma. Não conhece? Coloque um à lista: Scribblenauts.

Exploremos então os Desafios, que é a parte principal do jogo. Neste primeiro contato, o inovador dá lugar ao tradicional, trazendo a diversão, simplicidade e intuitividade que um jogo desta plataforma precisa possuir. Maxwell encontra-se em um cenário feliz no maior estilo Super Mario World, acompanhado de um tutorial que nos explica mais detalhes sobre a jogabilidade. Descobrimos que o personagem se movimenta controlado apenas pela caneta do DS, e que os demais botões não fazem nada mais que movimentar a câmera. Aprendemos a pegar objetos e a utilizá-los, movimentar veículos (um carro e um avião monomotor), resolver puzzles, interagir com o cenário e outras possíveis formas de utilizar tudo isso em conjunto; como apanhar um objeto e colocá-lo em uma lixeira, por exemplo.

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O game é dividido em cenários que devem ser abertos mediante compra. Claro, com o dinheiro do jogo, o ólar, que é ganho a cada vez que um puzzle é resolvido. Ao todo são 10 mundos com 11 fases cada. Além de ambientes temáticos com fases novas, é possível comprar músicas e avatares na “Loja do Ólar”.

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Além de ólares, o jogador ganha novas palavras, ítens e achievements (se não utilizar arma, se fizer uso de animais ou ferramentas, por exemplo) após resolver os desafios. Apenas mais um detalhe, mas não deixa de ser interessante. Existe também uma funcionalidade chamada “Par”, que lhe diz com quantos ítens um puzzle precisa ser resolvido.

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Scribblenauts se difere dos demais jogos por inúmeros motivos. Quando ouço que certo game centra-se na criatividade do jogador, logo penso: Ou esse é um daqueles jogos educativos chatíssimos, ou há um leve exagero nesta afirmação. A diferença é que aqui, isto é a mais pura verdade. Conforme os cenários vão sendo abertos, e o nível dos puzzles aumentando, por consequência, chega um momento que fica praticamente impossível conquistar a Starite (seu prêmio, a estrelinha) sem um mínimo de criatividade. Nada de habilidade motora ou mega combos smash buttons, a jogatina aqui é 90% cerebral. Claro que, como há um elemento novo à cada vez que escrevemos algo, – ou seja, à cada summon nós inserimos um novo artifício à jogabilidade – há a necessidade de um mínimo de habilidade nos controles, como em qualquer jogo. Por exemplo, você pode escrever Jetpack e equipar em Maxwell, mas como controlamos as manobras do personagem no ar? E com um avião, ou helicóptero? Percebe? Como as possibilidades são quase infinitas, muitas vezes a fluidez do jogo ficará comprometida, já quem nem sempre o que você tem em mente funcionará. Tudo é controlado pela caneta do DS, de maneira bem intuitiva. No começo pode ser um pouco incômodo perder ações por um movimento errado, mas com o tempo isso acaba se subpondo frente à descomunal diversão proporcionada.

Outra coisa que impressiona, é que tudo que se escreve possui um efeito lógico sobre os elementos dispostos na cena. Imagine um bolo ao centro da tela, e de ambos os lados veem formigas para atacar a comida. Some à isso um caricato e simpático hippie. Sua missão é salvar o bolo do ataque, sem utilizar de armas para não assustar o hippie. Neste caso, pensei: Um predador para formigas? Tamanduá! Escrevi isto e summonei dois animais, os coloquei um de cada lado do bolo, e não é que eles comeram mesmo as formigas! Ganhei minha Starite. Existem várias maneiras de se resolver o problema, e cada elemento inserido no contexto, possuirá um efeito diferente baseado no conhecimento de cada um. Quem não soubesse que um tamanduá come formigas, poderia ter criado duas paredes para salvar a refeição do hippie; as possibilidades são inúmeras! Aí que entra outro fator interessante: O replay. A cada vez que você resolve um puzzle e o tenta resolvê-lo de novo, o modo avançado é ativado, o impedindo de utilizar os mesmos itens que antes, obrigando-o a imaginar uma outra solução. Resolvendo-o três vezes de diferentes maneiras, ganha-se uma estrela dourada. Isso garante horas e horas de jogatina interrupta, sem se tornar algo cansativo.

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Existem dois modos de jogo: o Puzzle e o Action. No primeiro, nós teremos sempre uma situação das mais inusitadas acompanhada de uma dica. Como: “Dê ao Papai Noel algo que ele goste, mas não algo que ele já tenha”. Resolva o enigma com um simples “Menino”, e ganhe a Starite. Já no modo ação, seu prêmio já está em cena, mas escondida ou apresenta-se aparentemente inalcanssável. E é exatamente isso que você deve fazer: Alcançá-la. Simples assim.

Devido ao grande número de desafios, e ainda a possibilidade de criar seu próprio, e compartilhá-lo via bluetooth, Scribblenauts o desafia à cansar. Mas já o aviso logo: É quase impossível! Os gráficos são bem feitos, lembrando muito os clássicos como Mario, Sonic e Donkey Kong, mas com todas estas inovações supracitadas. Diante da tendência atual de jogos com gráficos realistas, clones de títulos famosos e continuações infinitas, é bom ver que ainda temos opções cuja premissa é simplesmente nos agraciar com a boa e velha diversão. Se tivesse de escolher uma palavra chave para este jogo, esta seria conceito. Porque depois de Scribblenauts, o conceito de diversão deve ser revisto. Sério. =)

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