em ,

TopTop

A Roda do Tempo – análise de O Olho do Mundo, primeiro volume da série

Uma das sagas mais épicas, tanto por tema quanto por extensão e alcance da fantasia, digamos, antes do presente imediato, é e foi sem dúvida A Roda do Tempo, de Robert Jordan. Agora, 30 anos após seu lançamento, com a série da Amazon Prime já despontando, a Intrínseca vem publicando os livros e aproveitando a oportunidade da série e imergir em tal universo, trazendo os demais volumes. Com todos vocês, analisamos o primeiro volume da série de 14 livros, O Olho do Mundo.

A adaptação para as telas chega em novembro e será estrelada por ninguém menos que Rosamund Pike (Garota exemplar). Para comemorar a estreia, a Intrínseca traz uma reimpressão especial de O Olho do Mundo,  que inclui uma sobrecapa com a arte do pôster da série e um brinde exclusivo: um colar inspirado na Roda do Tempo.

Sinopse de O Olho do Mundo

Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará.

Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno – o mais rigoroso das últimas décadas -, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira.

Quando a vila é invadida por Trollocs, bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os apresenta aquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido, aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

O valor de A Roda Do Tempo

30 anos se passaram desde que James Oliver Rigney Jr., mais conhecido como Robert Jordan, começou a trabalhar em uma das sagas de fantasia épica mais importantes da história. 30 anos desde Rand, Perrin, Mat, Egwene, Min, Nynaeve e muitos outros personagens embarcaram em uma aventura com ‘O Olho do Mundo’ que marcou milhões de leitores para a vida.

Apesar de seu enorme sucesso mundial, parece que A Roda do Tempo não conquistou a fama e o reconhecimento que outras sagas de fantasia semelhantes, como O Senhor dos Anéis ou As Crônicas de Gelo e Fogo, obtiveram. No entanto, isso está prestes a mudar com a série da Amazon Prime.

Mas voltando ao primeiro volume desta saga, às primeiras páginas de O Olho do Mundo nos faz entender a importância de A roda do tempo na literatura de fantasia e além. O trabalho de Jordan foi um tiro de partida para a maioria das aventuras que aprenderíamos mais tarde, a saga e o primeiro volume começou a ser escrita em 1984 e foi lançado em 1990.

Não importava se era uma série de televisão, um filme, um livro, um RPG ou um videogame: qualquer coisa que tivesse um pouco de fantasia naqueles anos seguia o caminho traçado por obras como O Olho do Mundo e seus sucessores. Bem, para ser justo, como veremos mais tarde, esta não é 100% uma invenção de Robert Jordan, mas serviu para estabelecer alguns parâmetros bastante estreitos que dificilmente seriam tocados até que monstros como George R R. Martin, Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie ou Brandon Sanderson chegassem.

Sanderson, aliás, foi o encarregado de terminar os últimos volumes de A Roda do Tempo, a morte prematura de Jordan, infelizmente, lhe deu a oportunidade e dado o amor que o então jovem Brandon mais tarde demonstrou pelas sagas foi uma escolha imbatível.

A Roda do Tempo é uma saga que tem gosto de RPG em 16 bits, ganhou uma expansão das primeiras cartas de Magic, um RPG, uma série ruim para quadrinhos, etc. E se essa última adaptação não fizer todos os fãs de fantasia da minha geração pular para a nova edição de The Eye of the World

Podemos acrescentar que nesse primeiro volume encontramos TODOS os elementos de fantasia prototípica. A jornada do herói, o aprendizado, o escolhido, a fuga, o grupo de amigos, a luta do bem contra o mal, a profecia, o mundo medieval no estilo europeu, a mitologia muito influenciada pelo mundo celta e nórdico. .. não falta um.

Para quem não leu, pode parecer hoje um clichê já bem utilizado, um lugar comum visto mil e uma vezes,  um recurso banal que, na realidade, não é necessário montar um bom história – como tantos autores já nos mostraram. Robert Jordan confessou ter sido inspirado pelo trabalho de JRR Tolkien para este primeiro livro, é um livro muito introdutório e os primeiros capítulos ficam um pouco pesados ​​até que entendemos como o mundo funciona e quem são os personagens relevantes.

Mas vamos além de uma comparação e conferir o que a obra de Robert Jordan tem a oferecer, que é, para todos os efeitos, muito mais ambiciosa, principalmente na extensão e no desenvolvimento de seu universo.  E, acima de tudo, seria injusto não comentar, O Olho do Mundo traz suas próprias inovações – e surpresas – e vai crescendo à medida que a trama avança. É algo que acontece ao longo de toda a saga, claro, mas desde o primeiro livro dá para perceber, principalmente a partir da segunda metade.

Apesar de suas semelhanças com O Senhor dos Anéis, a magia que vemos em A Roda do Tempo é absolutamente original e não tem nada a ver com qualquer coisa que lemos anteriormente. O Poder Único, que flui da Fonte Verdadeira, é aquele que move a Roda do Tempo e é dividido em dois, uma parte masculina (agora contaminada por uma maldição) e uma parte feminina. Além disso, o mundo criado por Robert Jordan avança ciclicamente ao longo do tempo, o Mal Primordial ou Dark One ou O Tenebroso consegue se libertar de sua prisão, enfrenta o Dragão que luta em nome da Luz e acaba preso novamente até que um novo ciclo comece. E este livro começa quando o Dark One está ficando mais forte e o dragão renasceu, mas ainda não foi encontrado. Tudo isso demora um pouco para entender, mas apesar da densidade de 800 páginas , logo descobrimos todo o enredo.

Estilo de escrita

A maioria das pessoas irá oscilar sobre o estilo que Robert Jordan escreve. Dedica muito tempo descrevendo seu cenário. Cada cidade tem sua própria história, com pequenos detalhes sobre vários eventos que aconteceram. O ritmo lento e opressor narrativo pode ser um grande desestímulo, mas muito trabalho foi dedicado a este romance.Tornamos cientes de um mundo vivo e vibrante com uma história rica e um sistema mágico complexo.

Ao contrário de outros clássicos do gênero, Jordan posiciona as personagens femininas em posição de destaque no mundo. As mulheres não são donzelas em perigo ou meros objetos sexuais, elas são sábias, magos e líderes políticos.

Veredito

O Olho do Mundo tem uma narrativa acertada em seu ritmo, tom e na apresentação do cenário fantástico ciriado para a saga da Roda do Tempo, entretanto sua estrutura pode afastar alguns leitores, Robert Jordan detalha demais. E por mais que as 800 páginas assustem, não chega a ser cansativa pelo poder narrativo desenvolvido pelo autor. Em suma, saber o curso que a Roda vai seguir é a premissa para continuar em A Grande Caçada, o segundo volume da saga e para a série que a Amazon irá apresentar.

Nota: Excelente – 4 de 5 estrelas

A Roda do Tempo – análise de O Olho do Mundo, primeiro volume da série
4 / 5 Crítico
Avaliação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *