Literatura

Bilionários Por Acaso: a história de sucesso e traição por trás do Facebook.

Desde o início do milênio, todos sabem que o caminha mais rápido para se tornar um milionário é através da internet. E foi mais ou menos nesse boom de internet que encontramos a história de três lendárias figuras: Eduardo Saverin, Sean Parker e Mark Zuckeberg, o último eleito recentemente personalidade do ano pela revista americana Time e fundador/criador do Facebook.

E é essa história que nos é apresentada em “Bilionários Por Acaso: A criação do Facebook”, que possui como o principal ponto de vista de Eduardo Saverin, co-criador da rede social, que no livro funciona como fonte de narração. Mas Ben Mezrich, autor do livro, também se vale de outras fontes anônimas, relatos e documentos reunidos. Algumas partes descritas são apenas pura especulação e até um tanto fantasiosas, no melhor estilo Hollywood.

Mezrich utiliza de uma narrativa rápida, concisa e objetiva. Sem muitos rodeios ele apresenta os fatos do ponto de vista dos personagens presentes no momento e avança no que resultou tais atitudes e conversas. Todos que conheceram Zuckerberg o descreviam da mesma forma: extremamente inteligente, humor caustico e socialmente inábil. Em suma Zuckerberg não era lá muito bom em manter relações pessoais, principal motivo de todos os problemas que ele teria que enfrentar por viver um mundo só seu, vendo as coisas e pessoas de uma forma muito particular.

Não se pode afirmar com certeza como surgiu a idéia da maior rede social do momento, mas uma série de unfortúnios tomou conta do primeiro ano da criação do Facebook. Saverin não conseguiu lidar muito bem com o jeito obsessivo de Zuckerberg e estava dividido entre terminar a faculdade e se dedicar ao projeto. Já Mark, coberto de razão pelo neurótico Sean Parker, criador do Napster, que agora apostava no Facebook, achava que Eduardo não se dedicava inteiramente ao projeto. Nessa rede, onde faltou comunicação e sobrou argumentos, o que antes era um projeto entre amigos se tornou uma guerra judicial. E Mark ainda estava sendo bombardeado pelos irmãos Winklevoss furiosos por acreditarem que Mark roubará lhes a idéia do Facebook, o que não deixa de ser inteiramente verdade. Mark apesar de não adimitir, aprimorou a idéia que os gêmeos tinham lhe apresentado e fez algo melhor. Ele apenas foi esperto em não querer dividir os louros.

Eduardo, o capital do projeto, queria procurar patrocinadores e fazer gerar algum lucro, enquanto Mark acreditava que mais ninguém deveria se intrometer na idéia, para que ela continuasse legal. Mas com Sean Parker em cena as coisas mudaram completamente. Mark o idolatrava, achava-o perfeito, alguém que tinha vencido na área em que ele queria trabalhar. Eduardo o via como ele era de verdade: um narcisista que adorava falar de si mesmo, tinha afundado duas empresas milionárias e agora queria uma fatia do projeto deles. Inseguro, se sentindo jogado de lado, Saverin acaba brigando com Zuckerberg o que o coloca diretamente no colo de Parker. Era o fim da amizade.

O que vem depois é de conhecimento geral: Mark passa Eduardo para trás. Sean se dá mal sozinho e perde seu cargo como Presidente do Facebook, além de processos e mais processos. Pelo que se sabe Saverin ganhou a primeira instância do processo e teve direito a ter seu nome novamente figurando como co-fundador do Facebook e, claro, seu percentual nas ações. O livro também mostra os gêmeos Winklevoss ganharema pomposa quantia de $65 milhões de dólares.

Se Saverin tivesse vivido tempo suficiente no Brasil saberia que o mundo é dos espertos, que é exatamente a melhor palavra para descrever Zuckerberg; esperteza.

O filme A Rede Social tem as mesmas características do livro, na narração, ritmo e objetividade. O elenco é ótimo e Jesse Eisenberg um perfeito Zuckerberg. Andrew Garfield que interpreta o Saverin é mais caloroso que o descrito no livro e menos bobo. Já Justin Timberlake não tem uma atuação tão marcante, mas consegue ser tão irritante quanto aquele Parker retratado por Mezrich. O diálogo inicial é simplesmente fantástico, sendo fantasioso ou não.

  • Ótima resenha!! Não li o livro mas assisti ao filme ontem, gostei muito! Fiquei muito estressado com o Mark, baita canalha!! Realmente entrei no clima do filme, hehe.

  • O autor da resenha deixa transparecer, pela defesa da desonestidade de Mark, a sua própria desonestidade. Desde quando, ser desonesto é ser o mais esperto? E o que tem isso a ver com morar mais tempo no Brasil? Nos EUA tem tanto desonestos (ou espertos) quanto aqui. Acho que o autor da resenha quer dizer afinal, que nós somos mais ladrões, como Mark foi, e aqui, Eduardo aprenderia melhor a ser ladrão. Que afinal, é o que interessa…

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