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Boitempo lança obra que analisa as relações entre gênero, religião, direitos e democracia na América Latina

Fruto de uma investigação transnacional realizada no decorrer de 2018 e 2019 e de um profícuo diálogo envolvendo as duas autoras e o autor, “Gênero, neoconservadorismo e democracia” lançamento da Boitempo analisa – justamente – as relações entre gênero, religião, direitos e democracia na América Latina.

Com o fim da chamada “onda vermelha” na região, é significativo o aumento da atuação de católicos e evangélicos conservadores na política, com forte reação às políticas de equidade de gênero, direitos LGBTQI e saúde reprodutiva.

Print da tela da Live de lançamento do livro, link

Flávia Biroli, Maria das Dores Campos Machado e Juan Marco Vaggione destacam o uso, por agentes conservadores, de expressões como “ideologia de gênero”, “feminismo radical” e “marxismo cultural” para justificar normas que promovem exclusões, vetos a perspectivas críticas e o fim de políticas públicas importantes para mulheres e minorias, corroendo, por dentro, a democracia na região.

Num esforço de compreensão dos padrões atuais da reação ao gênero, o livro desenvolve uma moldura teórica em que o conceito de neoconservadorismo tem especial relevância. A disputa entre moralidades, analisada ao longo dos três capítulos que compõem a obra, inclui novos padrões de ação e de mobilização de enquadramentos, que abrem oportunidades para lideranças de extrema direita, colocam em xeque valores democráticos e reforçam tendências autoritárias.

Autores

Flávia Birolli Doutora em História pela Unicamp e, desde 2005, professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde coordena o Grupo de Pesquisas sobre Democracia e Desigualdades (Demodê). É pesquisadora do CNPq. Foi editora da Revista Brasileira de Ciência Política de 2009 a 2016. Foi diretora da Anpocs (2011-2012). Atualmente, coordena a área de trabalho “Gênero, Democracia e Políticas Públicas” da Associação Brasileira de Ciência Política e é membro do grupo de assessoras da Sociedade Civil da ONU Mulheres no Brasil.

Maria das Dores Campos Machado é doutora em sociologia pela Sociedade Brasileira de Instrução do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (SBI/Iuperj). É professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora voluntária do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da mesma universidade. É autora, entre outros, de Carismáticos e pentecostais: adesão religiosa e seus efeitos na esfera familiar (Editores Autores Associados/Anpocs, 1996); Política e religião (Fundação Getulio Vargas, 2006); Os votos de Deus (com Joanildo Burity, Massangana, 2006) e Religiões e homossexualidades (com Fernanda Delvalas Piccolo, Fundação Getulio Vargas, 2011).

Juan Marco Vaggione é doutor em direito pela Universidade Nacional de Córdoba (UNC), na Argentina, e em sociologia pela New School for Social Research, nos Estados Unidos. É professor titular de sociologia da Faculdade de Direito da UNC e pesquisador do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet). Atualmente, dirige o Programa de Direitos Sexuais e Reprodutivos da Faculdade de Direito da UNC. É autor, entre outros, de Laicidad and Religious Diversity in Latin America (com José Manuel Morán Faúndes, Springer, 2017) e El aborto en América Latina: estrategias jurídicas para luchar por su legalización y enfrentar las resistencias conservadoras (com Paola Bergallo e Isabel Jaramillo, Siglo Veintiuno Editores, 2018).

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