Literatura

Construindo Victoria e o financiamento cultural

Um dos maiores empecilhos para que novos escritores façam renome em nossa cultura é a grande dicotomia de alcançar um grande público x baratear os custos de edição e publicação. O Brasil é um país caro especialmente para os jovens empreendedores que de alguma forma buscam criar cultura e desenvolver novas maneiras de se ler um livro ou no caso, difundir suas idéias de forma que venham a receber alguns trocados por isso.

Chegou ao editorial do Ambrosia um volume do primeiro livro de Clarisse Alvarenga intitulado “Construindo Victoria”. Tudo normal, já vieram dezenas de livros para o editorial do site e já os resenhamos aqui. A diferença reside no fato que este livro sequer foi publicado, sendo objeto de financiamento pelo site Catarse.

Aceitei o desafio de ler este projeto e dar o parecer e forma de resenha e quem sabe pelo menos ajudar a divulgar jovens escritores para que os mesmos possam se sentir incentivados a continuar em sua jornada.

Construindo Victoria é um romance histórico misturado com temas de fantasia e infanto juvenis. Passando-se em dois períodos de tempo distintos, temos dois protagonistas no livro: “Deo”, um universitário que acaba sendo mordido e transformado em um vampiro e tem que encarar a sua nova situação no presente e Joana, vivendo entre a monarquia europeia do século XVIII. A história dos dois começa a se intercalar graças a um ponto comum em suas vidas. A pessoa que transforma a ambos e os leva ao estado vampírico.

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Falar muito mais estragaria algumas gratas e interessantes surpresas colocadas no livro. A leitura é extremamente dinâmica e fácil, porém, por se tratar de um projeto que existe há anos, o que se encontra nas linhas escritas é basicamente a evolução da escritora em relação a sua obra.

Em dados momentos, há uma clara falta de empatia pelos personagens, sem contar com alguns problemas que poderiam ter sido facilmente resolvidos com o devido acompanhamento de um editor, caso a mesma estivesse já com um contrato de publicação. Entre estes problemas, a escolha pela narrativa em primeira pessoa que acaba criando certo distanciamento, especialmente em alguns momentos quando os personagens querem expressar emoções ou aflições. Tudo parece muito afastado da realidade, como um jogo de videogame em primeira pessoa. Por mais que você queira sentir aquilo real, a sensação é de isolamento, porém, isso não ocorre a todo o momento, apenas em alguns pontos.

Ainda, há um grave problema de falta de vocabulário clássico, especialmente quando tratamos das partes passadas nos séculos anteriores ou com personagens antigos. Um vocabulário um pouco mais rebuscado provavelmente atrairia mais o leitor. No livro em si, há também erros e acertos quando se trata da descrição de locais, roupas e pessoas. Em alguns momentos tudo é tolkiano; em outras, breve e sem mais detalhes, como se a narradora não quisesse que nos ambientássemos ou estivesse com pressa de chegar a outro ponto da trama, não dando demais importância aquele fato.

Entretanto, o livro pega forma e gosto pelo seu tema logo após este começo meio conturbado e só melhora até seu final que, para alguns poderia parecer até que óbvio, mas muito bem sacado e com as diversas situações dignas de criar uma série a ser apreciada.

[youtube]http://youtu.be/cjh00GeNJ1w[/youtube]

Tratar de qualquer assunto pertinente a história seria absurdo e irresponsável, porém pode-se dizer que para uma primeira publicação, Clarisse está de parabéns, tanto pela pesquisa feita quanto pelo desenvolvimento de seu livro, com certeza ela está no caminho certo, basta apenas aparar algumas arestas para que ela tenha seu público cativo e quem sabe, sucesso em sua empreitada.

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