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“Em Chamas” faz mais barulho que “Jogos Vorazes”, e com razão

Lá em 2011, quando escrevi a resenha de “Jogos Vorazes”, confesso que não estava interessada em ler a sequência, pois havia achado a trama com uma narrativa meio confusa, cheia de altos e baixos, o que não me agradou. Logo, não tive a vontade de ler o segundo livro. Obviamente, movida pela curiosidade inserida em mim por conta do trailer do novo filme, decidi dar mais uma chance a Suzanne Collins e a “Em Chamas”.

SPOILER!! continue por sua conta e risco!

livro-em-chamas-suzanne-collins_MLB-F-3018277119_082012Contrariando a todos, Katniss e Peta sobrevivem à mortal arena dos jogos. Onde deveria ter apenas um vitorioso, dois surgem, fugindo assim às regras estipuladas pelo Capitol. Sem saber, Katniss virou a inimiga nº1 do Presidente Snow, pois graças a sua insolência, o símbolo do Mockingjay (estranha ave que é resultado da mistura de dois outros seres e que pensam estar extinta) é usado por todos e virou a mais nova moda. Eles voltam para o Distrito 12, e agora precisam reaprender a viver essa nova vida de luxo e riqueza. Katniss está sendo vigiada de perto e terá que continuar mantendo seu romance de fachada com Peeta. Confusa, ela não sabe como lidar com as imposições do Presidente e pensa em fugir a todo momento.
Ao começar sua jornada da vitória, descobrem que vários distritos entraram em guerra contra o Capitol. E que Katniss é a principal culpada. Se não bastasse isso, Peeta anuncia a todos que ele e Katniss pretendem se casar. São muitas informações ao mesmo tempo e Katniss se vê envolta nessa enorme rede em que parece não ter escapatória. Se não bastasse tudo isso, os jogos irão completar 75 anos e é hora de uma edição especial. Para comemorar com estilo, o Presidente Snow ordena que todos os antigos vitoriosos dos jogos, voltem mais uma vez para a arena e lutem por suas vidas. O que indica que Peeta e ela irão novamente enfrentar esse pesadelo. Impulsiva, Katniss carrega a culpa por tudo e toma uma decisão: dar sua vida em troca da vida de Peeta. Ela tem certeza de que só assim, com a sua morte, o Capitol irá deixá-la em paz. O que ela não sabe é que outros planos estão sendo tramados à sua volta e que a sua sobrevivência é vital para o futuro de todos.

Como previ lá em 2011 que “Talvez o segundo livro seja diferente, para quem quiser arriscar.”, acabei acertando em cheio. Tudo o que faltou no primeiro livro, neste consegue ser muito superior. A tensão é do início ao fim e os personagens, já conhecidos, estão melhor construídos e se desenvolvem tranquilamente ao longo da estória. A narrativa de Collins melhorou bastante, e ela consegue se manter em uma linha reta de pensamento, o que não acontecia antes. Como os leitores já sabem como funciona os jogos, ela decidiu se focar mais na iminência da guerra e problemas nos distritos, do que descrever a batalha na arena. Fazendo assim, com que o livro ganhasse mais fluidez e deixando tudo mais interessante. A construção da personagem principal ainda me é estranha. Não dá para desenvolver uma empatia com a mesma logo de cara, pois existem certos aspectos que dificultam, como a teimosia absurda e um orgulho sem tamanho em querer resolver tudo sozinha, dobrando o nível dos obstáculos sem necessidade. No entanto, é compreensível dentro dos demais parâmetros do livro.
“Em Chamas” (Editora Rocco – 416 páginas) passa a ser uma leitura rápida e prazerosa, pois a ânsia de chegar ao final e descobrir o que vai acontecer, é enorme. E esse suspense todo é excelente. O gancho para o terceiro livro, “Esperança”, é muito bem pensado e com uma ótima frase final que deixará todos boquiabertos. Sorte que já foi lançado, então é só correr para comprar.

O segundo filme de mesmo título, estréia em Novembro deste ano.

[xrr rating= 4/5]

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