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Unhas, de Paulo Wainberg

A Editora LeYa anda fazendo diferença no mercado nacional. Com livros escolhidos a dedo (sem trocadilhos com o título deste romance) e qualidade impecável, notar o selo da editora em meio aos milhares de livros exibidos nas livrarias já se tornou um ícone de foco. Com o romance Unhas não foi diferente, a belíssima capa do Christiano Menezes me chamou atenção para um gênero que normalmente não reteria meu interesse, e que grata surpresa foi começar a ler o romance policial de Paulo Wainberg.

Antes que me acusem de publicitário, esclareço que o livro está longe de ser uma obra prima, apesar do saldo positivo o romance passou um pouco do limite, como quando arrancamos um pedaço de pele em meio ao corte de unhas (agora sim um trocadilho infâme), me pareceu que a obra se arrastou um pouco além do necessário.

Contada de maneira não linear, a trama de Unhas apresenta um ex-contador que se torna um assassino de aluguel, ou como ele mesmo gosta de se intitular, um “exterminador de paixões proibidas”. Como homem ordinário na casa dos quarenta, Unhas possuía uma vida impecavelmente monótona em meio a rotina casa/trabalho e, mesmo com uma mulher gostosa e dois filhos que amava, tinha aquele incomodo que sua vida era incompleta. Tudo muda drasticamente quando o personagem descobre sua verdadeira vocação, abandonando seu passado para oferecer seus serviços para homens desesperados com suas paixões – apenas homens, já que as mulheres sabem se virar sozinhas quando o assunto diz respeito a sentimentos.

E este é somente o ponto de partida, Paulo Wainberg empolga o leitor logo nas primeiras páginas apresentando uma vítima a beira de ser executada por Unhas, que decide saborear o momento revelando sua trajetória e ideologia. E nisto se encontra o poder deste livro, Wainberg segue costurando idéias e teorias no melhor estilo Chuck Palahniuk sem poupar nenhuma instituição da sociedade, seja ela hipócrita ou hipócrita. Por momentos, ou quem sabe por todo livro, o autor consegue carregar o protagonista com as discussões ideológicas apresentadas e o ideal de viver pelo prazer. O leitor que realmente gosta de viver de feijoada light não consegue passar das primeiras páginas.

Mas como já disse Unhas se torna cansativo em determinado momento. Mesmo seguindo a cartilha de Rubem Fonseca, faltou o brilhantismo do mineiro para amarrar suficientemente bem as narrativas até um gran finale. Perto do fim do livro já não importa mais o destino dos personagens e as aventuras de Unhas não mais agregam valor, o que é bastante complicado em um romance policial.

[xrr rating=3/5]

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Publicado por Salvador Camino

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