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O sadismo de Tomie, de Junji Ito, seu primeiro emblemático mangá

Era uma vez um jovem japonês, técnico dentário que, decidiu apresentar uma obra no final dos anos oitenta. Sua irmã gostava de mangá de terror e ele decidiu desenvolver uma narrativa que seguisse esse estilo. O resultado: uma grande aceitação entre o público e um merecido prêmio de ‘Excelência’. E assim passou um período de tempo alternando sua profissão com a paixão de mangaká; chegando a ter que tomar a decisão de continuar ou não no final dos anos noventa.

Felizmente deste então não paramos de nos deslumbrar com sua visão peculiar do mundo do terror.

De forma muito concisa, esta é a origem da carreira do mestre Junji Ito, da qual iremos analisar sua primeira obra, uma das emblemáticas, ‘Tomie‘, relançada recentemente pela Editora Pipoca & Nanquim, que reúne em dois volumes todas as histórias que a conformam.

A série foi publicada entre 1987 e 2000 no Japão, sendo concluído em 3 tomos. A versão da PN é a bunko, com dois volumes, padrão em um bonito conjunto, quase 800 páginas em papel pólen, envoltas em capa cartonada, sobrecapa e com dois belos marcadores de página.

A tradução está excelente, sem exageros; sem recursos arcaicos de linguagem, magnifico trabalho da Drik Sada. Edições bem tratadas, caprichadas, comum nas publicações da editora Pipoca e Nanquim.

Sinopse

“Podem matá-la quantas vezes quiserem, que ela ainda assim ressurgirá neste mundo, mais bela do que nunca. Ninguém sabe ao certo quem ou o que ela é, mas uma coisa é certa: se você se deparar com Tomie Kawakami, seu destino estará selado. E ele não poderia ser mais aterrador. Por trás de um rosto fascinante, realçado por uma única pinta debaixo do olho esquerdo, esconde-se um mal terrível. Um mal sedutor, capaz de enfeitiçar os homens e levá-los a cometer o mais hediondo dos atos: o assassinato. (…)”

O mangá e a personagem

Temos várias histórias diferentes.  Algumas relacionadas entre si, mas sempre com o mesmo fio condutor, a bela Tomie. Uma garota normal, exceto por alguns detalhes. E que detalhes? Ela é uma jovem extraordinariamente bela; com cabelos longos, macios e sedosos; uma pele fina, uma pinta sob o olho esquerdo e uma figura atraente. E possuidora de um peculiar poder; um poder de atração que ela exerce sobre as pessoas: um desespero que causa e a necessidade de matar.

Assim, Tomie quer os homens comam na palma da sua mão. Gosta de se sentir querida e de ver como todos lutam para chamar sua atenção. Mas o apetite de Tomie vai muito além disso. Ela é obcecada em fazer que homens caiam a seus pés com um destino fatal. E adora destruir todos aqueles, sejam homens ou mulheres, que se interpõem em seu caminho e em seus objetivos.

Ah, e um último detalhe sobre Tomie que a torna diferente de todas as outras garotas: ela é capaz de se regenerar totalmente a partir de qualquer parte de seu corpo, algo que traz cenas bastante assustadoras à narrativa.

O mal que o homem faz

Junji Ito desenvolve uma narrativa que continuando com a história anterior ou partindo de outro ponto. Cada capítulo nos levando à perversão, ao ciúme, à angústia, nos delírios e em outras sutilezas que surgem com a sua presença.

O autor aborda sutilmente diversos temas sociais, daqueles sensíveis à sociedade. Não tendo escrúpulos em incluir menores, anciãos ou indefesos em sua lista de vítimas. Uma personificação do mal que afeta a vida dos outros e como os destrói, sempre de forma distorcida e com consequências terríveis.

Por ter capítulos tão variados, o ritmo da leitura é tranquilo, podendo ser interrompido e retomado a cada final e início deles. Entretanto, partindo da experiência, a dependência é alta e nos deixa curiosos com o que vamos encontrar na próxima história e se vai manter a continuidade ou não.

O que o mangaká faz aqui, como em outras obras suas, é partir de um conceito bem estabelecido e brincar com todas as possibilidades que a ideia oferece. É assim que chegamos às histórias em que vemos uma jovem sofrer os resultados de um transplante de cabelo de Tomie ou as consequências de tomar nossa bela protagonista como modelo de escultura

De menos para mais

Graficamente, podemos ter um impacto negativo quando começamos a ler, Junji Ito ainda engatinhava e trazia um traço amador, feito às pressas para concorrer a um prêmio. Mas, à medida que avançamos na leitura, vemos a melhoria em seu estilo página por página. E onde ele mais brilha é na hora dos enquadramentos, ao capturar as cenas mais macabras e malignas.

A natureza peculiar de Tomie vai nos proporcionar os momentos mais repulsivos em que o autor brinca com a carne a seu gosto, divertindo-se com o contraste entre a beleza e o doentio sangue coagulado.

Conclusão

Tomie é uma leitura viciante que o arrasta capítulo após capítulo, forçando-o a colocar a mão na frente dos olhos em muitas ocasiões. Às vezes é como um acidente de carro que você não consegue deixar de assistir, às vezes é uma história enlouquecedora e viciante que você não consegue esquecer, e às vezes é intoxicante.

Uma história de terror perfeita para conhecer o potencial do autor caso não o conheça, a oportunidade de continuar ampliando a estante com um de seus melhores trabalhos e que, independentemente de você ler mangá ou não, se gosta deste gênero não deve perder.

Nota: Fantástico – 4.5 de 5 estrelas

O sadismo de Tomie, de Junji Ito, seu primeiro emblemático mangá
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