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A Genialidade de David Bowie está intacta em The Next Day

Quando um artista veterano lança um novo álbum, a observação invariavelmente passa pelo “não é tão bom quanto o que ele fazia no auge”, ou “é desculpa para sair em turnê tocando os maiores sucessos da carreira”.

O camaleão David Bowie, certamente temeroso em ser alvo desses comentários, tratou de se precaver e embarcou em um autoexilio apressado por um problema no coração. Desde então não se sabia mais sobre ele. Muitos achavam que estava doente, outros que estava à beira da morte. Até que em 8 de janeiro, aniversário de 66 anos do cantor, todos foram surpreendidos pela sua quebra de silêncio. Foi lançado o clipe de Where are we now?, faixa de um álbum que viria em março. Era apenas uma amostra grátis, a ponta do iceberg.

The Next Day (Sony/Columbia 2013) Já pode ser considerado um dos melhores discos de 2013 mesmo estando ainda no inicio do ano. O que temos nele é um Bowie parecendo compensar esses dez anos sem trabalhos inéditos (seu último álbum é Reality de 2003). É um disco autoindulgente sim, mas não redundante, em momento algum parece café requentado ou caricatura de si próprio. É David Bowie olhando para frente sem esquecer seu legado.

David Bowie's The Next Day

O título (O Próximo dia, em português) além de fazer alusão ao dia seguinte pós exílio, ainda deixa claro as intenções de se mover adiante. A inegável ironia da capa do álbum mostra a capa de Heroes, o segundo da aclamada trilogia berlinense, coberto com um quadrado branco onde se lê The Next Day. Acima, o título do disco de 1977 é riscado, apenas o nome David Bowie pode ser lido. A contra capa também traz um quadrado branco encobrindo a contra capa de Heroes. No quadrado o tracklist do disco atual pode ser lido.A arte interna também é bem cuidada e o encarte com as letras e remete à psicodelia em que o artista emergiu no final dos anos sessenta ainda usando seu nome de batismo David Jones.

Para a nova empreitada, Bowie chamou seu parceiro de longa data, responsável pelo estouro Ziggy Stardust, Tony Visconti. O produtor foi o responsável por esse toque futuro do pretérito presente no álbum. Há ecos de todas as fases do cantor, a fase Ziggy, a fase Berlim, a fase pop. É como se colocasse todas em um liquidificador e gerasse um saboroso milk shake, e com sabor de novo!

E como não se empolgar com The Stars are Out Tonight, I’d Rather Be High, ou How Does The Grass Grow? Ou não se emocionar com Where Are We Now?, Valentine’s Day e You Feel So Lonely You Could Die?

Em suma, The Next Day é um disco honesto, visceral, autobiográfico, mas que tem canções que gerarão cada uma, identificação para todos os ouvintes, cada um terá a sua. A qualidade também se refletiu em vendas. O disco chegou ao primeiro lugar na parada inglesa, com 94 mil cópias vendidas. Há 20 anos o artista não abocanhava um primeiro lugar em vendas. Infelizmente não há previsão de turnê. Provavelmente haverá um punhadinho de shows em alguns anfiteatros em Londres, Paris, Nova York e só. Mas comprovando que o camaleão voltou a chamar atenção no mundo da música, uma exposição contando sua história será aberta amanhã no museu Victoria & Albert em Londres, através de memorabilia e itens pessoais.

Só um lembrete: quem adquirir a versão deluxe com três faixas extras, não se arrependerá.

[xrr rating=4/5]

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Maestria

Publicado por Cesar Monteiro

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