Aerosmith cheira a café requentado em Music From Another Dimension

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Aerosmith cheira a café requentado em Music From Another Dimension | Música | Revista Ambrosia

O Aerosmith é indubitavelmente uma das maiores instituições do rock americano, no entanto, é uma banda de altos e baixos. Vistos nos anos setenta como um arremedo yankee dos Stones, dada similaridade no estilo musical e a semelhança física de Steven Tyler com Mick Jagger, tiveram nessa época seu auge criativo. Lançaram discos seminais como Get your wings de 1974, Toys in the attic de 1975 e Rocks de 1976 e lotaram estádios de costa a costa na América. No final dos anos setenta veio o inicio da derrocada; problemas com drogas e álcool, crise criativa, e o quinteto de Massachusetts chegou literalmente no fundo do poço na primeira metade da década de oitenta. A luz no final do túnel foi trazida pelos Rappers Run DMC que fizeram uma versão de Walk This Way em 1986 com participação da banda e os trouxe de volta aos holofotes, depois de um amargo período sem dinheiro e sem sucesso.

Daí por diante foi êxito atrás de êxito; altas vendas, alta rotatividade na MTV, estádios lotados novamente, e a banda tinha realmente feito as pazes com o sucesso. Era a segunda fase de ouro, quando lançaram os discos Permanent Vacations, Pump, Get a grip, que trazia os clipes com Alicia Silverstone e Liv Tyler. O investimento em videoclipes foi uma acertada estratégia para a revitalização e renovação dos fãs.

O Aerosmith também pode ser considerado um dos grupos em atividade com o maior número de coletâneas lançadas, algumas contendo uma ou duas faixas inéditas para justificar a compra de quem já possui tudo. Depois de onze anos sem lançar um disco de inéditas chega às lojas Music From Another Dimension e a impressão não é das melhores, ao contrário do que nos induz a achar o título pretensioso.

O primeiro grande defeito (e põe grande nisso) é a duração. Quinze faixas, uma hora e sete de música, eles não estavam com inspiração para tanto.

O disco não acrescenta nada de novo, o que não chega a ser demérito, uma vez que a certa altura da carreira, o melhor é não mexer em time que está ganhando. O problema é quando a preguiça e a estagnação fazem com que soem até como seus influenciado. A faixa 11, We All Fall Down, que poderia muito bem ter sido composta pelo Bon Jovi .

A maioria das faixas são os rocks e rock ballads característicos da banda que estamos acostumados, porém com um certo gosto de café requentado, Out Go The Light e a baladona Tell Me deixam isso bem evidente.

Curiosamente o que rende um dos poucos momentos inspirados do álbum é o dueto com a vencedora do American Idol de 2005 Carrie Underwood, Can’t Stop Loving You.

Não há como negar que é um álbum muito bem produzido, conta inclusive com Johnny Depp e Julian Lennon fazendo backing vocals, mas a impressão que fica é que seria melhor se tivessem lançado uma enésima coletânea da banda, com umas duas faixas inéditas para justificar a compra de quem já possui tudo

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