“É barulho, mas é o nosso barulho”, diz Cid Mesquita sobre a Gangrena Gasosa
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Angelo Arede no contra-ataque

Atual vocalista da Gangrena Gasosa sobe o tom e fala da disputa com os fundadores da banda

Farofa espalhada para todo lado, assim continua a vida no grande terreiro da Gangrena Gasosa, uma das mais respeitadas bandas do cenário underground brasileiro. Os antigos membros como Cid Mesquita e Paulão estão a pleno vapor, ensaiando e afinando a macumba para os próximos projetos. Do seu lado, Angelo Arede, a atual voz do despacho, se arma para garantir o direito ao uso da marca Gangrena e de todos os seus benefícios comerciais e artísticos. Após a matéria sobre o caos no terreiro, em que Cid Mesquita apontou a disputa em torno da marca e da herança artística e comercial do grupo, (ler aqui), Angelo Arede, que havia sido contatado e não se manifestara em tempo hábil pediu à Ambrosia para expor o seu lado da história.
Para garantir a Arede o seu direito de expressão e manifestação e aos fãs do Gangrena uma chance de ter um conjunto maior de informações, optamos por publicar a entrevista de forma de perguntas e respostas, sem edições nas respostas.
A atual formação do Gangrena Gasosa executa em shows e eventos músicas da formação original ou do período em que Cid, Vlad, Paulão e Chorão estavam na banda?
Do período em que Paulão e Cid eram da banda, raramente tocamos.
Se executa, o faz mediante autorização dos membros originais?
Sim. Após produzir e lançar o EP 666 e arranjar todas as músicas do disco ‘Se Deus é 10 Satanás é 666’ junto com o Chorão, eu relutei em gravá-lo exatamente por saber que quando gravasse eu levaria a banda a sério e não sentia essa seriedade no restante dos integrantes, que encaravam a música como hobby. Por conta disso Chorão e Vladimir acordaram comigo na minha casa que quem saísse da banda não cobraria nada pelas obras anteriores. Só por isso eu retomei a produção e o lançamento do disco. Esse acordo é confirmado pelo Chorão e obviamente refutado pelo Vladimir, que assediou minha família, amigos e contratantes pelas redes sociais me chamando de ladrão entre muitas outras calúnias por eu ter registrado o nome da banda pra resguardar o direito legal de continuar fazendo o que já vinha fazendo há 19 anos (14 deles ininterruptamente).
A atual formação do Gangrena Gasosa comercializa itens com o logo da banda?
Sim, uma parte do merchan da banda tem o logo da banda, como está visível publicamente na nossa loja virtual.

Angelo Arede no contra-ataque | Entrevistas | Revista Ambrosia
Angelo Arede (divulgação), atual vocalista da banda Gangrena Gasosa

Os membros originais recebem alguma porcentagem de eventuais vendas de produtos ou da execução das músicas?
Sobre venda de produtos não. Conforme o acordo citado antes e descumprido por eles, quem saísse da banda ia deixar quem continuasse em paz. Até a ocasião do sucesso do documentário Desagradável e da posterior disputa ninguém havia reclamado nada. Quando Cid reclamou uma camisa com a arte da capa do primeiro disco, retiramos imediatamente da loja. Sobre a execução das músicas eu não sei, afinal é responsabilidade do próprio músico cumprir os procedimentos pra receber dinheiro sobre execução das músicas que ele compôs. Só eles podem te dizer se recebem ou não. O ECAD é que arrecada e distribui os direitos autorais das músicas executadas publicamente, não a banda.
Existe registro no ECAD das músicas?
O ECAD não é responsável por registro de músicas.
A solicitação para shows, feita por Cid Mesquita e outros membros, era para um projeto pontual ou permanente? Existia o temor de conflito comercial entre as duas formações do Gangrena Gasosa?
Não houve solicitação. Antes de qualquer contato comigo o Paulão já estava vendendo shows pela internet de uma suposta ‘verdadeira Gangrena Gasosa’ já nos ofendendo dizendo pra entrar em contato com o Cid. Quando perguntei ao Cid sobre isso ele dissimulou e disse que não sabia de nada. Quando não teve mais como ele mentir e fazer o papel de tira bonzinho, revelou que queria fazer dois shows “caça-níqueis” pra ganhar 10 mil reais em cada, como comprovo no vídeo ”TAMARRED, OLHO BIG!” veiculado no canal oficial da banda no Youtube e que está bem melhor detalhado no texto da Ge, percussionista da banda. Não existia ou existe temor. Eu apenas não concordei que existissem duas bandas usando o mesmo nome.
Em troca de mensagens Cid Mesquita alega que reconhecia o Gangrena como “de vocês”; esse fator estaria sendo usado para legitimar o processo pela utilização da marca movido por você?
Não. Esse tipo de informação não tem relevância alguma para o processo do INPI. O registro é legítimo por si só. Tanto que foi concedido a mim.
Se sim, as opiniões dos outros membros originais foram ouvidas em algum momento? Cid Mesquita aponta a existência de uma manifestação (carta) de Chorão em que este se coloca ao lado dos membros fundadores da banda.
(não respondida)
O início da disputa entre as formações da Gangrena se deu quando? A animosidade começou a partir da saída de Vlad da banda, em que este abandona uma turnê? Vlad aponta (para outros veículos e em outras entrevistas) que não voltaria a tocar com você, mas foi cordial durante a gravação do documentário sobre a história do Gangrena. Ocorreu algo depois?
Importante frisar que não existe disputa ‘entre formações da Gangrena’ porque não foi uma formação que cessou e outra que entrou. Os ex-integrantes foram desistindo e abandonando a banda pelo meio do caminho. Essa formação caça-níqueis ‘raiz’ com o tal de Antônio sequer existiu reunida. Dito isso, as animosidades não começaram com a saída do Vladimir, pelo menos que eu saiba. Ele só abandonou a banda no dia do maior festival onde tínhamos tocado até então. Isso começou mesmo depois que o Paulão exigiu um monte ingressos VIPs pro show que fizemos no Circo Voador com o Raimundos em março de 2016. Ingressos exigidos no final da tarde do dia do show. Não foi possível atendê-lo e em julho ele já vendia publicamente nas redes sociais o tal show da ‘verdadeira Gangrena’. E o Vladimir não foi cordial em absolutamente nada. Emprestou uma câmera que mal foi utilizada por um dia e ainda sugere que deveria ter sido creditado na ficha técnica do DVD. Por conta desses recorrentes comportamentos duvidosos que eu só aceitei produzir e gravar o “Se Deus é 10…” depois de firmar o acordo citado anteriormente. Meu erro foi não exigir por escrito. Inclusive minha primeira briga da vida com o Chorão foi por tê-lo chamado de volta pra banda num período imediatamente anterior à gravação do disco. Ele me avisou que eu iria me arrepender de chamá-lo de volta, o que acabou acontecendo mesmo.
Há a possibilidade de diálogo entre os membros e eventual projeto envolvendo todos? 
Todas as nossas tentativas de diálogo foram em vão. Inclusive oferecemos a eles fazermos um grande show com todas as formações e a resposta foi não. Agora não existe mais a menor possibilidade. Foram dois anos de assédios, calúnias e difamações que estão correndo na esfera criminal. Não pedi por isso, mas eles enterraram qualquer possibilidade de acordo.
O pedido de registro de marca não poderia ter sido efetuado após diálogo com os membros da formação antiga?
Não. Como dito anteriormente, todas as tentativas de diálogo foram em vão, então fiz o necessário para poder continuar fazendo o que faço há 14 anos com respaldo legal.
Você diz que o inpi resguardou a você o direito de uso da marca e que qualquer outra utilização é ilegal, inclusive retroativa. Você irá tomar alguma ação contra o grupo que se intitula GG raiz?
As informações são públicas e estão disponíveis no site do INPI. Ainda não decidimos, mas qualquer ação que eventualmente seja tomada contra as atitudes criminosas dos ex-integrantes desertores são para resguardar o nosso direito garantido pela justiça.
Importante ressaltar que o Cid continua tentando anular o registro mesmo depois de deferido ao meu favor. Como as afirmações dele sobre o uso da marca até 6 meses antes do registro são fantasiosas, mais uma vez suas mentiras perante um órgão federal não vão surtir efeito algum. Lembrando também que: Depois que a marca é concedida, há um prazo de 180 dias para que qualquer legítimo interessado, mediante argumentos e/ou provas, solicite o cancelamento do registro, ou seja, sua anulação. Quando a marca recebe um pedido de nulidade, ela continua valendo até que o INPI decida sobre a solicitação de Nulidade, acatando-a ou negando-a. O titular da marca tem 60 dias para apresentar sua defesa no caso de pedido de nulidade. Havendo ou não defesa (manifestação) o processo continua e o técnico do INPI analisa os argumentos apresentados. O INPI não tem prazo para julgar um processo de nulidade, assim como qualquer outro procedimento do Instituto.
 
Desagradável, documentário sobre a história da Gangrena Gasosa.

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Publicado por Marcelo Adifa

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