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O arrojamento vintage do novo trabalho da promissora Adele

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Surgida numa época em que toda cantora que emulasse suas referencias retrô eram rapidamente taxadas de “nova Amy Winehouse”, a cantora britânica Adele firmou-se como uma das melhores cantores da sua geração justamente por impor sobre qualquer rótulo a naturalidade de seu talento.

O arrojamento vintage do novo trabalho da promissora Adele | Música | Revista Ambrosia

Com seu disco de estreia 19, em 2008, abriu seu caminho pela batida e poderosa junção do soul, jazz e levadas Pop aliada a sua voz marcadamente forte e de extrema personalidade. O viés vintage de seu repertório (e até de sua persona) é um tempero complementar que desfaz sua áurea dogmática em seu mais novo e ótimo trabalho, 21 (inacreditavelmente também sua idade), disco que despe a cantora das amarras sonoras estilizadas do passada para firmá-la numa universalidade sonora como um todo. 21 é um trabalho fincado no soul, mas que dialoga sensivelmente com o pop jazzístico (Someone like you) e até com o rock (Set Fire to the rain). Ou até uma espécie folk britânico como a canção que abre o álbum Rolling in the Deep.

Nas composições, de ponta a ponta, Adele (que levou dois merecidos Grammy ano passado) demonstra uma delicadeza em expurgar a dor da perda e fossa, de Lupicínio Rodrigues à Coldplay é uma produtiva maneira de surgir boas canções e relações de assimilação universal. Mas o CD encontra seu ponto catártico nessa vertente na bela e desoladora Don’t You Remember, em que evoca uma passionalidade “Piafiana” no esteio do conformismo da perda que se lamenta.

Até em músicas menos inspiradas como a funkeada Will Be Waiting, Adele deixa transparecer personalidade ao buscar referências clássicas americanas num hit de fácil digestão radiofônica mas paralelamente moldada em bases das despretensiosas guitarras indies inglesas.

21 se insere naqueles trabalhos que já nascem clássicos e que de cara sedimenta uma carreira em ascensão pela proposta da simplicidade do talento que o representa. Adele canta de forma madura, faz boas escolhas e ainda tem uma presença de cena irretocável. E é em versos como “Eu devo desistir, Ou devo apenas continuar perseguindo calçadas? Mesmo se ela me conduzir a nenhum lugar, Seria um desperdício? Mesmo se eu conhecer meu lugar, devo deixá-lo?” da notável Chasing Pavements, que percebemos a grandeza de uma nova descoberta musical.

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