Chico Buarque e a filosofia no Brasil

A música popular é no Brasil o que a literatura é no Ocidente Europeu. O fato de Chico Buarque ter ganhado hoje o Prêmio Camões é mais um capítulo na afirmação da relação visceral entre música popular e poesia no país. Aqui, é a poesia das canções e seus sons que fazem a filosofia da vida brasileira. Como fizeram Proust, Cervantes, Joyce, Artaud, Mann, Dostoievski e Shakespeare lá.
As forças escravocratas do Brasil fizeram um esforço imenso para impedir a universalização da educação formal para a população como um todo. Aqui, letração é privilégio, literatura é nicho e a cultura letrada é para poucos. Somos predominantemente uma cultura oral, em que a fala está ligada materialmente ao real.
E a palavra falada nada deve em termos de status expressivo e artístico à palavra escrita. No Brasil, é a música e sua oralidade que têm prestígio social, potência estética e capacidade de produção de imaginário comum. Seja com figuras mais universitárias como Chico Buarque e Caetano Veloso, ou com figuras mais populares como Candeia, Nei Lopes e Mano Brown.
Daqui a um tempo, vão ouvir o Djonga para entender o que estava acontecendo no Brasil do final da década de 2020.
(Este artigo foi originalmente publicado no facebook do autor)

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