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Choramos por Charlie Brown Jr. ou pela Música Brasileira?

Desde ontem, dia da descoberta da morte de Chorão, os movimentos na internet e na mídia jornalística demonstram que a máxima do artista morto, artista intocável permanece viva.

Minoria são aqueles que mantém suas opiniões referentes ao Charlie Brown Jr depois da morte de Chorão. É o mesmo nojo de se mexer em um cadáver que todos temos. Temos medo do cadáver se levantar e nos perseguir, no caso, na forma de seus fãs, apoiadores e hipócritas que só seguem a onda da moda.

Chorão morreu e há tempos já não tinha a atenção de ninguém. Sua banda, com diversos problemas internos, como as brigas entre membros e cancelamentos de shows, acabou por se tornar irrelevante no cenário da música brasileira. Em verdade, a irrelevância dela permanece, não é a morte de Chorão que vai fazer com que o Charlie Brown Jr se torne uma banda importante. Som ruim, mesmo que popular, é som ruim.

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Charlie Brown Jr fazia músicas para adolescentes porém, Chorão e o resto do grupo envelheceu e, da mesma forma que foram colocados em um abismo de nostalgia de seus fãs que também foram envelhecendo e os esquecendo. Até mesmo a televisão os deixaram de lado, relegando ao mesmo canto que bandas como Tijuana, O Rappa, Jota Quest e Skank.

De vez em quando, se um dos programas dominicais não tinha quem chamar, eles apareciam por lá, dizendo que estavam trabalhando em um disco novo, numa nova “turnê”; turnê que sempre iria incluir alguns festivais como o João Rock de Ribeirão Preto, Rock in Rio (como abertura) e o Festival de Verão de Salvador.

Alguns poderão criticar a exposição que a banda irá ganhar com a morte de Chorão, chegando ao ponto de lançar uma música nova, como tantas outras gravadoras fizeram com artistas recém falecidos. Mas aqui, Chorão nem enterrado estava e a música já foi lançada para aproveitar a visibilidade. Não há como não ver malícia por parte dos empresários, que querem capitalizar com a morte do cantor antes que tudo se esfrie.

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Por mais que as circunstâncias da morte dele indiquem overdose somada a depressão pela separação recente, somos massacrados a olhar para o lado positivo do cantor e de sua vida. As brigas entre a ex e o filho de Chorão serão colocadas em segundo plano, os excessos, os desentendimentos da banda com direito a entra e sai dos músicas (até mesmo as expulsões), a postura “dono da cocada” de Chorão com a banda, as brigas no palco em frente ao público – com direito a humilhação do baixista Champignon viralizada no Youtube… tudo isso acaba esquecido.

Chorão não é um ícone e nem será considerado um ídolo brasileiro fora de seus verdadeiros fãs. Ainda assim, seus trabalhos sociais devem ser objeto de nota por tentar ajudar um pouco essa sociedade ele cantava em suas músicas. Charlie Brown Jr. não irá deixar um legado de músicas ou cultura que irá se perpretar, essa é a infeliz verdade.

Não sei dizer ao certo se a música brasileira tem a ganhar ou perder com a morte de Chorão. Charlie Brown já era irrelevante em um contexto amplo e há anos e o que eles trouxeram se esvaiu pelo esquecimento. Por alguns meses iremos nos lembrar que Charlie Brown Jr existiu, para ser esquecido novamente e colocado de volta no armário das obras irrelevantes da música brasileira.

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Publicado por J.R. Dib

GamerCinéfiloMusicólogo

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