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Crítica: “Rebel Heart” traz Madonna reciclada

 

Madonna de boba não tem nada. Mesmo com percalços consegue de alguma forma dar a volta por cima. Em dezembro passado 13 faixas demo inéditas vazaram na internet, entre elas músicas do novo álbum e outras que não seriam utilizadas. Daí ela antecipou a pré-venda do disco finalizou às pressas seis faixas para lançá-las na rede. Resultado: seu nome em evidência na mídia. Há três semanas, no Brit Award, a cantora levou um tombo fenomenal durante sua apresentação, mas continuou como se nada tivesse acontecido. Resultado: seu nome em evidência na mídia novamente. Agora enfim saiu “Rebel Heart” (Interscope/Live Nation/Boy Toy, 2015), seu décimo terceiro disco que, por conta dos episódios citados, causou bastante expectativa. E como de boba a rainha do pop não tem nada, ela se cercou dos bambas  Diplo, Kanye West e Avicii para colaborar na (super) produção do álbum. Até porque com divas como Lady Gaga e Britney só esperando para roubar seu trono, não é bom facilitar, é preciso usar a artilharia pesada.

O disco abre com ‘Living For Love’, que também foi a escolhida para ser o primeiro single. Trata-se de uma música que se desenha inicialmente na linha disco clássica até explodir em batidas eletrônicas. A faixa seguinte, ‘Devils Pray’, soa como uma versão dance de ‘The House of the Rising Sun’. ‘Unapological Bitch’ é uma sacolejante e suingada faixa que se insere dentro do parâmetro do disco: um balanço super produzido. Assim como ‘Iluminatti’, que segue o padrão de gravação dos últimos quatro discos de Madonna e deixa clara a colaboração de Kanye West. A música tem o selo impresso do senhor Kim Kardashian. ‘Bitch, I’m Madonna’ é a nova participação de Nicki Minaj em uma faixa da Material Girl, depois de ‘Give Me All Your Love’ e ‘I Don’t Give A’, ambas do disco anterior “MDNA”. Com letra autoindulgente e cheia de autoafirmação ela diz: “Who do you think you are?/You gonna treat this love this time/Ooh, oh, oh ooh/Who do you think you are?” (Quem você pensa que é?Você vai tratar esse amor dessa vez/Ooh, oh, oh ooh/ Quem você pensa que é?). Será que ainda é um recadinho para o ex Guy Ritchie?

Em ‘Hold Tight’, vemos os esforços da cantora para se tornar “up to date” mais evidentes. O resultado é irregular devido à saturação de efeitos e beats. Na sequência temos ‘Joan Of Arc’, uma bela canção pop, daquelas em que “Maddie” coloca seu lado humano e vulnerável. Na letra ela diz: “I’m not Joan of Arc, not yet/But I’m in the dark, yeah/I can’t be superhero right/Even hearts made out of steel can break down/You’ll always be my soldier/I can’t depend on anything that did to me, said to me”( Eu não sou Joana D’Arc, ainda não/Mas eu estou no escuro, sim/Eu não posso ser super-herói /Mesmo corações feitos de aço pode quebrar/Você sempre será meu soldado/Eu não posso depender de nada do que fez comigo, disse-me). Após à dance contemporânea ‘Iconic’ e à R&B ‘HeartBreakCity’, a cantora evoca o oriente no clima hindu de ‘Body Shop’. A seguir vem ‘Holy Water’, que passaria batida se não acenasse para o passado com um snipet de ‘Vogue’.

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‘Inside Out’ e bem executada, mas nivela Madonna ao que é feito hoje em dia por todas as que seguiram seus passos. O disco se encerra com ‘Wash All Over Me’ que vem com um clima Zen que remete à fase Ray Of Light, na letra que diz “Who am I to decide what should be done?/If this is the end then let it come/Let it come, let it rain/Let it rain, rain all over me/Like the tide, let it go/Let it wash all over me”(Quem sou eu para decidir o que deveria ser feito?/Se isso é o fim então deixe vir/ Deixe vir, deixe chover/ Deixe chover, chover em mim/ como a maré, deixe ir/ deixe que me lave toda)

Fazendo um balanço das catorze faixas percorridas ao longo de 55 minutos pode-se dizer que o saldo é positivo. Madonna fez a escolha certa na produção do álbum e entrega aqui o seu melhor trabalho desde “Confessions on a Dancefloor” de 2005. “Rebel Heart” dá um novo fôlego à sonoridade da cantora e assegura sua permanência no hall dos nomes relevantes da música pop aos 56 anos, idade, quando se imaginava há umas décadas que ela estaria aposentada ou decadente, se apresentando em palcos de Las Vegas.

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