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A febre dos Reality Shows musicais

Na verdade essa “febre” não é assim tão nova, pois o primeiro a dar esse pontapé foi o programa “American Idol” em 2002. Desde então, vieram outros no mesmo estilo que começaram a surgir não só nos EUA mas como no mundo todo e até aqui no Brasil. E apesar do que a maioria possa achar, há sim inúmeras diferenças entre eles, principalmente quando trocam de país.

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Ao ter uma incrível audiência assim que estreou, a primeira temporada de American Idol (que hoje já conta com doze!) consagrou a texana Kelly Clarkson como vencedora. Desde então o show se tornou um queridinho dos americanos, mas as temporadas sofreram inúmeros altos e baixos e teve vencedores que apesar de escolhidos pelo público, não tiveram uma carreira tão duradoura. Grande parte da diversão, além de nos impressionarmos com o poderio vocal de alguns candidatos, era a relação dos jurados. Randy Jackson (produtor musical), Paula Abdul (cantora) e Simon Cowell (empresário com toque de midas) tinham uma relação cão e gato divertidíssima. Simon era o responsável pelos comentários mais absurdos durante as apresentações e acabava com alguns candidatos que saíam porta afora enfurecidos, empurrando pessoas, gritando e xingando os câmeras. Alguns faziam total sentido, pois não existe triagem e qualquer um, sabendo cantar ou não, pode se inscrever no programa, provável que procurando os tais 15 segundos (nesse caso) de fama o que deixava Simon muito irritado. O diferencial é que se você for mesmo talentoso, não importa se ficar ou não em primeiro lugar, pois certamente conseguirá um contrato. E foi exatamente o que aconteceu a Chris Daughtry, Katharine McPhee, Adam Lambert, Kellie Pickler, para citar alguns, que alcançaram o sucesso mesmo não ganhando.
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Com o passar dos anos e alguns pequenos desentendimentos, o corpo de jurados foi desfeito sobrando apenas Randy Jackson. Já passou pela bancada nomes como Ellen DeGeneres, Steven Tyler, Jennifer Lopez, Keith Urban, Nicki Minaj e Mariah Carey, que protagonizaram inúmeras discussões estapafúrdias durante o programa. Com a sua saída em 2011, Simon decidiu criar seu próprio programa, o “The X-Factor” para concorrer diretamente com “American Idol” mas num formato diferente, incisivo, desafiador, um pouco mais a sua cara. Os candidatos além de competirem uns com os outros, seriam divididos em quatro categorias (garotos, garotas, acima de 25 anos e grupos), cada uma para um jurado diferente através de sorteio. Os comentários maliciosos de Simon continuaram lá, juntamente com outros nomes como L.A Reid (produtor e dono da LaFace Records), Nicole Scherzinger (cantora e líder do grupo de meninas The Pussycat Dolls) e ninguém menos que Paula Abdul, sua antiga companheira do Idol. Na segunda temporada Abdul e Nicole foram substituídas por Demi Lovato e Britney Spears, cuja carreira começara a entrar em eixo novamente e o programa ajudou a solidificar ainda mais. Agora em sua terceira temporada, Britney e L.A. saíram para dar lugar a Paulina Rubio e Kelly Rowland.
reality-tv-new-x-factor-judges Enquanto seu concorrente tem alguns nomes de peso como vencedores, infelizmente, em duas temporadas, “The X-Factor” ainda não emplacou nenhum sucesso de verdade, muito diferente da sua versão britânica (iniciada em 2004) que lançou nomes como Leona Lewis e da boy band sensação, One Direction, que ficaram em terceiro lugar na competição. Em sua terceira temporada há chances de que o jogo acabe virando para eles. E apesar do temperamento difícil é impossível negar que Simon Cowell tem o toque de Midas, pois em quem ele põe os olhos e afirma que terá sucesso e toma o partido, geralmente acaba estourando nas paradas de sucesso.

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Para apimentar tudo surge em 2010 o “The Voice” (versão americana do programa original holandês) que como diz o nome, se foca somente na voz do candidato pois os técnicos, não mais jurados, ficam de costas durante a apresentação e se gostarem do que estão ouvindo é só apertar um botão que a cadeira vira e quem escolhe quem é o candidato. Mas os jurados tentam a todo custo vender o seu peixe. Na primeira edição os técnicos eram Adam Levine, Christina Aguilera, CeeLo Green e Blake Shelton permanecendo assim até a quarta temporada quando Usher e Shakira preencheram as vagas deixadas por CeeLo e Christina. Em sua atual temporada, os técnicos voltaram a sua antiga forma. A melhor parte do programa, além das performances, é a interação entre os técnicos que por algumas vezes é muito engraçada. Adam e Blake, por exemplo, adoram implicar um com o outro e fazem piadas o tempo inteiro. As apresentações são mais intimistas e os participantes são indicados por outras pessoas e convidados a entrar no programa por uma chance de se unir a um time. Cada técnico precisa pensar em que tipo de time vai montar conforme as vozes forem surgindo, o que deixa tudo um pouco mais tenso, pois os familiares estão ali, vendo a apresentação e torcendo para que alguém aperte o botão.
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Obviamente, notando a grande repercussão que esses programas tem perante o público, alguns canais brasileiros cravaram suas unhas neles, infelizmente nem tão triunfantemente. O primeiro a apostar foi o SBT e em 2006 surgia assim “Ídolos”, uma mistura de “Pop Idol” e “American Idol”. Os jurados, bastante desconhecidos do público, Arnaldo SaccomaniCarlos Eduardo Miranda, Cynthia “Cyz” Zamorano e Thomas Roth, procuravam fazer o melhor trabalho, mas era evidente que estavam interpretando papéis bem similares aos dos jurados americanos. Rapidamente o canal perdeu o interesse passando o programa para a Rede Record que prosseguiu com mais edições, procurando espremer até a última gota desse formato ao trocar os jurados, inventar novos segmentos, para finalmente encerrar em sua sétima temporada. A Globo também investiu em uma atração similar chamada “Fama” baseada em um programa americano “Star Academy” que teve  inúmeras edições pelo mundo afora. A atração era apresentada pela Angélica e teve quatro temporadas encerrando em 2005. Diferente dos canais estrangeiros, os brasileiros preferem não brigar por audiência com esse tipo de programa e agora a Globo está de volta ao jogo com “The Voice Brasil” sendo a única a ter esse tipo de atração em sua grade.

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Apesar de muitíssimo bem produzido e com uma apresentação carismática de Tiago Leifert, o programa tem procurado seguir fielmente ao americano, deixando assim de registrar sua marca na franquia. A escolha dos técnicos foi excelente e todos contribuem para que o programa seja uma opção divertida para se assistir com a família, salvo a Claudia Leitte que parece possuir um ego maior do que dos outros técnicos que apesar de possuírem mais sucessos e mais tempo de carreira, não se mostram tão pedantes quanto a cantora.

Um dos pontos principais é que esse formato de programa não faz tanto sucesso aqui no Brasil, pois os ganhadores se vêem depois presos em um mercado completamente restrito e os demais participantes saem sem a mais remota possibilidade de conseguir um contrato. Sem falar no boicote indireto que sempre existiu entre as emissoras e o ganhador do programa de um canal não se apresentava no outro, impedindo assim que ele ficasse mais conhecido e conseguisse se firmar como artista. Com exceção de Tiago Silva, ganhador da terceira edição do “Fama” e que foi pescado para o grupo Exaltasamba se tornando assim o Thiaguinho, nunca mais ouviu-se falar dos demais vencedores desses programas como Vanessa Jackson, Marcus Vinícius, Everton Silva, Henrique Lemes, Israel Lucero, Fabio Souza e Ellen Oléria, vencedora do primeiro “The Voice Brasil” e que após se apresentar no ano novo em Copacabana, sumiu.

Acaba por ser puro entretenimento comercial, voltado para enaltecer a imagem de certas figuras do meio musical brasileiro e que ignora por completo os sonhos e desejos daqueles que participam. Lamentável.

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