Banda se apoia nos hits da virada dos 80 para os 90 em noite saudosista no Qualistage
O Information Society era um gigantesco sucesso no Brasil há cerca de 35 anos. Onipresentes nas rádios e danceterias no final dos anos 1980 e início dos 1990, o trio de Minneapolis tinha uma popularidade muito maior aqui do que nos Estados Unidos. A explicação pode estar na forma como o techno-pop da banda chegou ao país: dentro do mesmo pacote do Miami Bass que estava em voga nos bailes, sobretudo os do subúrbio do Rio de Janeiro. ‘Running’ teve grande êxito nos clubes latinos de Nova York, que exportavam boa parte do que agitava as pistas brasileiras, e o estouro do primeiro álbum, de 1988, em nosso território foi consequência direta disso.
A relação com o Brasil é sólida. Desde 1989, quando lotaram o Ginásio do Ibirapuera por duas noites, com gente do lado de fora tentando entrar, foram inúmeras vindas ao país. O alvoroço causado pela primeira visita os colocou no line-up do Rock in Rio II, em 1991, o que resultou em uma gigantesca turnê pelo território nacional no mesmo ano.
Na noite de ontem (12), no Rio de Janeiro, escreveram mais um capítulo desse estreito laço com o público carioca, que encheu o Qualistage, na Barra da Tijuca, para vê-los. Nesta enésima vez no Brasil, o InSoc não veio sozinho. A abertura ficou por conta de nomes que figuravam obrigatoriamente, ao lado deles, na maleta de qualquer DJ de baile brasileiro no início dos anos 1990: Noel e Thea Austin. Para quem não associa os nomes às pessoas, o primeiro é o porto-riquenho responsável pelos sucessos ‘Like a Child’ e ‘Silent Morning’. Já a segunda foi vocalista do Snap! e traz em seu repertório ‘Rhythm Is a Dancer’ e também ‘The Power’, da vocalista anterior. Assim como Noel, foi acompanhada de um DJ. Thea é divulgada como grande diva das pistas por conta de sua voz marcante, mas recorreu ao playback sem o menor constrangimento.
A atração principal subiu ao palco com o telão ao fundo exibindo a irônica mensagem “Warning! This is not art!”. Logo depois, Paul Robb (teclados e backing vocal), James Cassidy (baixo, teclados e backing vocal) e Kurt Harland (vocal, teclado e percussão eletrônica) surgem com um remix de ‘Peace and Love Inc.’, seguido de ‘I Like the Way You Werk It’, do relativamente recente álbum Synthesizer, de 2007. Após ‘Come With Me’, do bem-sucedido Hack (1990), veio o grande sucesso ‘Running’, quando a pista, até então mais atenta do que sacolejante, converteu-se em um bailão de subúrbio, com direito aos dizeres impublicáveis com que os brasileiros acompanham as cinco notas do sintetizador (algo como “vai plantar chuchu”, digamos…). Harland entra na brincadeira, rege o coro impróprio e depois comenta que “só no Rio tem isso”.
‘Peace and Love, Inc.’ trouxe Harland com seus icônicos patins, que há tempos estavam sumidos e permaneceram durante toda a apresentação. Nesse momento, os três vestiam preto, com camisas que formavam a frase You (na de Cassidy) are (na do vocalista) content (na de Paul) — “Você está contente”, mas que também pode significar “Você é conteúdo”. Foi apresentada uma faixa do mais recente álbum do Information Society, Oddfellows, de 2021, executada apenas nesta turnê: ‘Down in Flames’. Para não correr o risco de perder o público, retornaram rapidamente ao passado com ‘Crybaby’, ‘Tomorrow’, do primeiro disco, e ‘Walking Away’. Depois de ‘How Long’, outra dos áureos tempos, Harland interrompeu o baile da saudade dizendo que iria “punir vocês com mais uma nova”, no caso ‘Room 1904’, também do último trabalho. Imediatamente, porém, compensou os presentes com ‘Think’, a música que mais empolgou a plateia na noite.
O tempo regulamentar se encerrou com o vocalista brincando com o público, dizendo que a música seguinte seria a última, alegando cansaço por já ter mais de 60 anos — em um português macarrônico. Daí veio a faixa mais esperada, ‘What’s On Your Mind’, que estremeceu o Qualistage. O já esperado bis aconteceu com ‘Repetition’, balada que também figura entre as mais pedidas.
O show do Information Society desta vez se beneficiou do espaço maior em relação aos locais em que a banda se apresentou ao vivo no Rio de Janeiro nas duas vindas anteriores. Agora foi possível acomodar adequadamente um aparato robusto e, com a qualidade de som impecável da casa, a pândega sonora se propagou de forma nítida. O telão ao fundo exibiu uma profusão de mashups visuais que reforçaram a atmosfera futurista (hoje retrô), incluindo diversas referências aos videoclipes e à cultura pop, de Godzilla a Star Trek — “Pure Energy” é um sample de uma frase dita por Spock na série. Uma festa para saudosista nenhum colocar defeito.
Setlist:
- P+L, Beltram
- I Like the Way You Werk It
- Conspiracy
- Come With Me
- Running
- Make it Funky
- Peace and Love Inc.
- Down in Flames
- Crybaby
- Tomorrow
- Walking Away
- Jonestown
- How Long
- Room 1904
- Think
- What’s On Your Mind (Pure Energy)
Bis: Repetition









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