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Electric Mud – Mississipi em Lama

McKinley Morganfield ou Muddy Waters, o cara que gostava de esconder a idade.

Nascido em 4 de abril de 1913, aos 13, por alguns trocados e, às vezes, até por comida, já fazia suas apresentações musicais junto de um amigo pelas esquinas do Condado de Issaquena, no Mississipi.

Naquela vida sem tantas possibilidades, em meio a galinhas, milho e porcos, me arrisco a sugerir que talvez tenha sido melhor para o velho Muddy ter passado pelas provações dali, supondo que naquela época não existiam tantos pra dizer o que “melhor” fazer… Pois nos seus últimos vídeos, agora já muito antigos, Muddy me parece um velho orgulhoso e feliz! (Mas isto fica para outra história, noutro artigo, noutra tarde e em outro “certo” ponto de vista).

Retornando aos fatos: depois de todo transtorno de sair do campo e ir pra cidade se apresentar em outras boas esquinas da Chicago de 1940, Muddy juntou a um estúdio de blues propriamente dito. E com um leve drive em sua Guild S-200 Thunderbird amplificada, aliado a bateria, baixo, saxofone, gaita…  eletrificou a historia “dos azuis” pra sempre. A tal nova mistura ficara conhecida desde então como “Chicago Blues”.

Muddy Waters

Big city, big rats.

A heroína já pairava no ar e não era incomum andar armado – coitadas eram as autoridades policiais no final dos anos 50. Em meio a diversos disturbios, gravações, cabeçadas e de uma vida boêmia que o levava a acordar quase todos os dias após as quinze horas, Waters lança em 68 seu melhor disco, o Electric Mud.

No disco, Muddy imprime quase como uma cópia sua relação intensa com a vida e a música. As letras têm uma atmosfera de maturidade viril e exaltação de uma experiência adquirida ao longo dos erros, e são interpretadas de maneira visceral e despojada, como se soubesse de tudo, inclusive saber exatamente do que “ela(s)” precisam ou gostam.

Muddy Waters

 

O Blues é sim, bastante presente nesse disco. Descrevendo grosso modo, a sonoridade beira algo pesado e a sinceridade com cara de devoção que tem nas músicas faz a gente enxergar melhor nós mesmos. O disco esboçava as tendências musicais para as próximas décadas, os arranjos requintados e aquela guitarra miando com cara de que foi gravada por último, completando a real experiência que é ouvir esse disco.

Muddy Waters morreu em 1983. Teve a carreira cheia de amigos e parceiros, influenciou incontáveis de bandas icônicas. Inclusive alguns ingleses bem conhecidos que gostavam de ouvir o Muddy e dizer que ele era uma como pedra rolante.

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