Cantora estreou no Rio a versão estendida do show Tributo a Wilson Baptista, projeto que confirma a excelência na escolha dos seus projetos.

Mônica Salmaso é, provavelmente, a dona da mais bela voz do Brasil e Wilson Baptista (3 de julho de 1913 – 7 de julho de 1968) é um compositor com uma das mais ricas obras do samba, embora muita gente, como é comum na falta de memória que aflige o país, não ligue o nome às composições. A junção do talento dos dois criou um espetáculo imperdível: Tributo a Wilson Baptista.
A apresentação deste sábado (25/8) no Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro, serviu não só para celebrar as canções de Baptista como para apresentá-las ao público mais jovem.

Elegância acima de tudo

Obras-primas como Acertei no Milhar, Boca de Siri e Lá Vem a Mangueira, só para citar algumas, ganharam leituras delicadas e elegantes, como tudo tocado por Salmaso.
Acompanhada de Paulo Aragão (violão), Luca Raele (clarinete) e Teco Cardoso (saxofone e flauta), a cantora trouxe para o seu universo a obra de Baptista, sem desfigurar a essência de nenhuma das canções.
Outro destaque da noite foi a indisfarçável alegria da intérprete com o roteiro do espetáculo, o público presente, os arranjos das canções e a história de Wilson Baptista.
— Gostaria de ressaltar a minha felicidade com o público que foi ao show. Fomos muito bem acolhidos, isso foi muito especial pra gente! Voltei pra casa muito feliz! De verdade! — agradeceu por e-mail uma supersimpática Salmaso.

Histórias deliciosas

Além dos belíssimos sambas pinçados das mais de 600 composições de Baptista, Salmaso costurou o roteiro com deliciosas histórias tiradas da biografia Wilson Batista – O samba foi sua glória!, escrita por Rodrigo Alzuguir e lançada em 2014.
Os causos contados entre as músicas serviram como deliciosos links para contextualizar o momento histórico das composições.
Além disso, histórias onde os personagens são figuras do calibre de Moreira da Silva, Ataulfo Alves e Noel Rosa (com quem Baptista teve uma rixa histórica e que rendeu vários clássicos), jamais serão desinteressantes.

As histórias, vale o registro, dão chance de vermos uma Mônica Salmaso descontraída e engraçada como poucas vezes.
— Este projeto tem o diferencial de ser contextualizado na história do Wilson Baptista e por isso ter mais falas – o que me tira um pouco da minha zona de conforto, por um lado, mas ao mesmo tempo ajuda no aproveitamento da escuta das canções — explica a intérprete.

Respeito do público

O envolvimento dos músicos e da cantora criaram um clima mágico que se irradiou por todo o Teatro Rival, fazendo com que a plateia, durante praticamente todo o show, se mantivesse com uma atitude de reverência, difícil de descobrir se para o espetáculo, as canções de Baptista ou o conjunto da obra.

Os longos aplausos, a atenção ao ouvir as histórias sobre as canções apresentadas e o silêncio poderoso que permitia ouvir cada nota e cada nuance dos sons vindos do palco mostraram que o poder da (boa) música, como repito sempre, é atemporal.
— A gente agora está entrando na fase de arredondar o show. Tirar excessos (principalmente nas falas). Gosto dessa ordem e do repertório. Sinto que o show está bem amarrado — explica Mônica.
Quem puder assistir a uma apresentação desse show não deve deixar a oportunidade passar ou vai se arrepender.

Show Mônica Salmaso

Mônica Salmaso – Tributo a Wilson Baptista
Teatro Rival Petrobras – 25/8/18
Fotos: Jo Nunes e Divulgação
Vídeos: Jo Nunes

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