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O mito feminino em novo clipe do Antiprisma

Trecho do clipe "Lunação", do Antiprisma
Trecho do clipe "Lunação", do Antiprisma

O segundo álbum do Antiprisma, Hemisférios, lançado no ano passado, deu início à uma nova fase na carreira do duo. Em uma mistura de arte e mística, eles lançam o clipe para a faixa instrumental “Lunação”, que reflete a imagética das transformações internas que uma mulher pode passar ao longo do seu ciclo, seja ele menstrual, pessoal ou espiritual.

A mulher e a Lua são associadas em diversas culturas, indo da escuridão a luz em um passo. O clipe conta com direção de Elisa Moreira e foca na performance de Catharina Bellini.

“A ideia é focada nas faces sombrias do ciclo Lunar — a Lua minguante e a Lua nova — e os arquétipos e mitos associados a esses aspectos. No clipe, será invocada Lilith, que se manifestará ora com aspectos de Bruxa, ora como Pomba Gira, ora como feminista moderna. Os aspectos sombrios do feminino são frequentemente renegados e tidos como maléficos, porém fazem parte da natureza e sua negação é frequente fonte de sofrimento.”, explica Elisa (voz, guitarra e violão).

 

O oculto, o misterioso, a intuição estão fortemente ligados à energia sexual feminina, e o desconhecido causa medo e repulsa. A partir destas concepções, o mito principal para a evolução do vídeo surge do mito de Lilith, a primeira mulher criada por deus e que se recusou a ser servil, que têm seus primeiros registros com os Sumérios chegando até o folclore judaico. Resumidamente, Lilith não aceitou ser subjugada por um homem, Adão, e foi exilada no deserto, posteriormente tornando-se um demônio.

“Li um livro de uma psicanalista junguiana sobre o mito de Lilith, e fiquei fascinada pelo tema do sombrio feminino, a ponto de influenciar minha própria vida em diversos aspectos. Naquela época aconteceram várias ‘coincidências’ relacionadas à Lilith, inclusive a de ter assistido a uma performance de Catharina Bellini, em um show da Sky Down, e, muito tempo depois, quando a chamei para filmar o clipe, ela me disse que se tratava realmente de uma performance sobre Lilith”, relembra Elisa.

A música surgiu da vontade do Antiprisma de dar espaço para sons instrumentais. No álbum “Hemisférios”, Victor José surgiu com a faixa “Cenário”, enquanto Elisa criou “Lunação”. Na canção e no clipe, a ideia das fases sombrias necessárias para o renascimento da luz são exploradas seja nos movimentos de Catharina, seja na direção. É  como se Lilith chegasse para visitar sonhos e causar transformações intensas.

“É uma das minhas favoritas do disco, acho que pelo fato de mostrar um lado da gente que é bastante presente mas que ainda não exploramos tanto. Falo dessa atmosfera meio pós-punk, sombria. Muitas das nossas influências vêm de bandas dessa fase, tanto que até decidimos “homenagear” o Cocteau Twins usando a batida de “Wax and Wane” como sample para essa faixa.”, destaca Victor José (voz, violão, guitarra e viola caipira).

O Antiprisma é uma banda de São Paulo, formada em 2014, com fortes influências do folk, da psicodelia, e do rock da década de 70. Em sua discografia, a banda conta com o EP “Antiprisma” (2014) e os álbuns “Planos Para Esta Encarnação” (2016) e “Hemisférios” (2019).

Ficha Técnica
Roteiro e Direção: Elisa Moreira
Modelo e Performance: Catharina Bellini
Fotografia e direção de atriz: Anna Bogaciovas
Produção: Elisa Moreira e Tamires Almeida
Direção de Arte: Elisa Moreira
Edição e Montagem: Elisa Moreira e Victor José
Make e Beauty: Igor Hoc
Styling e Figurino: Elisa Moreira e Tamires Almeida

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