em , ,

CurtiCurti UauUau TopTop

Paul McCartney 80 Anos – Parte III: Wings

A formação da nova banda e a luta de Paul para se tornar uma força do pop nos anos 1970

Paul McCartney 80 Anos – Parte III: Wings | Astros | Revista Ambrosia

A terceira parte da série de matérias que comemoram os 80 anos de Paul McCartney vai falar sobre a sua banda pós-Beatles: os Wings.

Apesar de um começo com canções medíocres, muita má vontade de crítica e público e das várias mudanças na sua formação, os Wings foram o veículo para tornar Paul McCartney numa das grandes forças do pop/rock dos anos 1970, batendo recordes de venda, lotando estádios e ganhando vários prémios.

Início difícil

O início dos anos 1970 não foi fácil para Paul McCartney, musical e pessoalmente falando.

Ele havia saído da maior banda de todos os tempos e foi obrigado a processar os amigos par isso, o que causou muito ressentimento e mágoa em John Lennon, George Harrison, Ringo Starr, na mídia e até mesmo entre os fãs.

Seus dois primeiros álbuns — “McCarney” (1970) e “Ram” (1971) — e seu single “Another Day” foram considerados fracos e receberam uma saraivada de críticas negativas da mídia e comentários maldosos dos outros ex-Beatles.

Foi nessa época que John Lennon escreveu e lançou a canção “How do You Sleep?” na qual dizia, entre outras coisas, que a música de Paul era lixo (muzak). Para deixar a coisa ainda mais pessoal, a gravação conta com um inspirado solo de guitarra de…George Harrison!

Recomeçando

A resposta de Paul para sair dessa fase negativa foi formar uma nova banda e começar “do zero”: ensaiando um novo repertório e fazendo pequenos shows. Afinal, como seguir em frente depois de fazer parte dos Beatles?

Paul recrutou o baterista Denny Seiwell (que já havia tocado em “Ram”) e o guitarrista e cantor Denny Lane, ex-Moody Bues e velho conhecido de McCartney para a empreitada e foram logo para o estúdio.

Agora era só escolher um nome.

Turpentine

A origem do nome Wings foi mais um daqueles acasos que acontecem na carreira de Paul. Ele e Linda decidiram chamar o novo grupo de “Turpentine” e já haviam avisado aos amigos sobre “o batismo”. Porém, um evento iria mudar essa decisão.

— Eu estava na sala de espera do King’s College Hospital, onde Linda estava para o parto de Stella (sua segunda filha, nascida em setembro de 1971) e houve complicações que obrigaram a realização de uma cesariana. Eu estava rezando feito um louco para que tudo corresse bem e a imagem de “asas de um anjo” veio na minha mente — explica Paul sobre o nome da banda.

Wild Life

Paul, Linda,e os dois Denny(s) entraram em estúdio em julho de 1971 e gravaram dez canções (duas são vinhetas) , sendo que cinco delas em apenas um take para capturar a espontaneidade das performances.

Uma ideia pra lá de controversa.

Lançado em dezembro de 1971, Wild Life foi um fracasso (com razão), embora tenha vendido razoavelmente bem.

As canções eram, na sua maioria, fracas e pareciam mal ensaiadas. As mais palatáveis eram “Dear Friend” (uma sobra do álbum Ram e que havia sido escrita para John Lennon), “Some People Never Know” e “Tomorrow”.

Curiosamente, no Brasil, a canção que mais tocou nas rádios foi “Love Is Strange”, uma versão meio reggae do sucesso da dupla Mickey & Sylvia, lançada originalmente em 1956.

Mais um membro

Depois das críticas negativas, Paul decidiu que precisava de um segundo guitarrista e, em janeiro de 1972, chamou Henry McCullough para ser o guitarrista solo dos Wings.

Logo em seguida os Wings iniciaram uma turnê por universidades do Reino Unido, aparecendo sem avisar e marcando as apresentações em cima da hora.

Os shows eram, sejamos sinceros, toscos e curtos, por conta das poucas músicas ensaiadas. Muitas vezes eles eram obrigados a repetir alguma canção para “encher linguiça”.

Importante: no repertório nada de canções dos Beatles. A única referência ao antigo grupo era a inclusão de “Long Tall Sally”, de Little Richards, que Paul costumava cantar nos shows do Fab Four.

Nos primeiros shows o setlist era basicamente: “Blue Moon of Kentucky”, “Give Ireland Back to the Irish”, “Help Me Darling”, “Thank You Darling”, “Wild Life”, “Bip Bop”, “Henry Blues”, “The Mess”, “My Love”, “Lucille” e “Long Tall Sally”.

Uma mistura de canções desconhecidas e em desenvolvimento e covers de velhas canções de ídolos de Paul.

Política, sexo e singles banidos

Os três primeiros singles dos Wings foram, no mínimo, problemáticos:

“Give Ireland Back to the Irish” (fevereiro de 1972) foi banido pela BBC por sua letra de conteúdo político.

“Hi, Hi, Hi” (dezembro de 1972) foi banido por suas referências sexuais.

Entre os dois, os Wings lançaram a canção infantil “Mary Had a Little Lamb”, para descontentamento do guitarrista Henry McCullough, que afirmou não ter entrado para a banda para tocar “esse tipo de música”.

Leia mais sobre os singles de Paul aqui

Paul McCartney and Wings

Talvez para melhorar as vendas, Paul decidiu mudar o nome da banda para “Paul McCartney and Wings” antes do lançamento do próximo LP.

“Red Rose Speedway”, lançado em abril de 1973, é outro álbum irregular onde algumas das melhores canções (“Get on the Right Thing” e “Little Lamb Dragonfly”) eram, mais uma vez, sobras do álbum Ram.

Paul queria lançar um álbum duplo, mas a gravadora recusou o projeto dizendo que o material não era bom o suficiente. Só em 2018 Paul conseguiu lançar o projeto original como parte da sua série Archive Collection.

Apesar dos pesares, é nesse álbum que está o primeiro grande sucesso de Paul, a balada “My Love”, com um solo de guitarra gravado ao vivo diante de uma orquestra. Cortesia do irritadiço Henry McCullough,

O disco vendeu bem, foi bem nas paradas dos EUA e do Reino Unido, mas ainda não havia conseguido recuperar a reputação de McCartney.

A melhor coisa das sessões do álbum foi a gravação da canção “Live and Let Dia”, tema do filme de James Bond de mesmo nome, e que marca o início da escalada de Paul ao Olimpo, mostrando que poderia haver vida (e muito sucesso) sem os Beatles.

Band on the Run e o voo dos Wings ao topo do mundo

Decidido a mudar o rumo do jogo e marcar seu nome como um dos principais da cena musical da era pós-Beatles, Paul decidiu que o novo álbum dos Wings precisava de algo diferente e resolveu gravar em “algum lugar exótico”.

Pediu para a EMI (sua gravadora) que indicasse onde tinha estúdios ao redor do mundo. Na lista estava o Rio de Janeiro, mas Paul acabou escolhendo Lagos, na Nigéria.

Porém, o que deveria ser uma viagem feliz acabou cheia de problemas com Henry McCullough e Denny Seiwell avisando, na véspera do embarque, que não iriam e estavam deixando a banda.

Reduzido a um trio (Paul, Linda e Denny Laine) os Wings ainda tiveram que se deparar com um estúdio em construção, sem condições técnicas adequadas, um roubo onde levaram as fitas demo de Paul e que poderia ter acabado em tragédia, e um piripaque do ex-Beatle, provavelmente um ataque de ansiedade (o diagnóstico oficial foi uma crise de bronquite por conta do excesso de fumo).

O resultado das sessões mais que atribuladas (ainda houve um problema com músicos locais que acharam que Paul estava lá para “roubar” a música e os ritmos locais) foi o álbum “Band on the Run”, considerado por muitos como o melhor disco já lançado por McCartney.

Lançado em novembro de 1973 (no Reino Unido), “Band on the Run” enfileirou sucessos e foi aclamado pela crítica.

Paul voltava ao topo do mundo.

Paul McCartney 80 Anos – Parte I: Os discos

Venus and Mars e John Lennon

Depois de “Band on the Run”, Paul passou o ano de 1974 produzindo o álbum de seu irmão (Mike) McGear, que pode ser considerado o disco dos Wings de 1974.

Oficialmente, o único lançamento da banda no ano foi o single “Junior’s Farm”/”Sally G”, já com a participação de dois novos membros: o guitarrista Jimmy McCulloch e o baterista Geoff Britton.

Enquanto McCulloch ficou na banda até 1977, Britton durou apenas alguns poucos meses, participando apenas das sessões de duas canções que estariam no próximo (e excelente) álbum: “Venus and Mars” (lançado em maio de 1975).

Com um novo baterista na bagagem (Joe English) Paul, mais uma vez, resolveu gravar em “outros ares” e escolheu a cidade de Nova Orleans como destino.

O detalhe que poderia ter transformado “Venus and Mars” em um álbum mais espetacular é que havia planos para que John Lennon fosse até a cidade para compor e gravar com Paul.

Infelizmente, John se reconciliou com Yoko e o encontro jamais aconteceu.

O álbum produziu o hit “Listen to What the Man Said” e serviu como base das turnês de 1975 e 1976 (Wings Over America).

Aliás, foi nessa época que Paul enfrentou o primeiro problema com as autoridades do Japão, que impediram a ida dos Wings ao Japão e que, anos mais tarde, praticamente causariam o fim da banda.

Na velocidade do som

Para aproveitar a boa fase e preparar a banda para uma mega turnê pelos Estados Unidos, Paul voltou rapidamente aos estúdios para produzir mais o quinto álbum d banda: Wings at the Speed of Sound.

Gravado entre agosto de 1975 e fevereiro de 1976, o álbum fez sucesso, gerou dois hits (“Silly Love Songs” e “Let ‘Em In”), mas, musicalmente, ficou abaixo dos dois álbuns anteriores.

Porém, o importante é que, agora, os Wings tinham repertório suficiente para cair na estrada e enfrentar a crítica norte-americana sem medo.

Wings Over America

A turnê que consolidou os Wings. Estádios lotados, shows impecáveis e um McCartney maduro, cantando como nunca e com um repertório onde permitiu até incluir algumas canções dos Beatles.

Não tinha como dar errado, e não deu!

Da turnê saiu um álbum triplo e um filme (Rockshow) lançado anos depois, quando os Wings nem existiam mais.

Water Wings e valsa escocesa

Depois da extensa turnê, Paul tirou um tempinho de folga, mas não muito.

No fim de 1977 os Wings iniciaram a gravação de mais um LP em iates nas Ilhas Virgens. O projeto, que inicialmente seria chamado de Water Wings, acabou se transformando no álbum London Town.

Mas, como sempre, problemas na nau dos Wings provocaram a interrupção das gravações. Linda estava grávida e ainda houve a partida de McCulloch e English.

Os Wings voltavam a ser um trio.

Para não ficar longe dos holofotes, Paul decidiu lançar como single a valsa “Mull of Kintyre”, parceria com Denny Laine.

Para surpresa geral, na época na qual o punk ganhava força, a balada se transformou no single mais vendido da história do Reino Unido, batendo o recordista anterior “She Loves You”, dos Beatles. Mais uma vitória para McCartney.

London Town (março de 1978) não chegou ao topo das paradas (chegou perto) e recebeu críticas que ficaram entre o elogio e o desprezo.

De qualquer forma, o single “With a Little Luck” chegou ao primeiro lugar e o clipe de “I’ve Had Enough” marcava a primeira aparição dos dois novos membros da banda (que não tocam na faixa): o baterista Steve Holley e o guitarrista Laurence Juber.

Back to the Egg, Rockestra e última turnê

Com mais uma formação, os Wings recomeçavam. Mais ensaios para o material antigo e mais ensaio para um novo álbum. Até para Paul McCartney a coisa começava a ficar chata.

Apesar de tecnicamente essa ter sido a melhor formação da banda, a coisa parece não ter dado muita liga.

Tentando se tornar “moderno” Paul começou a atirar para todos os lados. O primeiro lançamento da nova formação dos Wings foi “Goodnight Tonight”, uma canção com inspiração disco.

A canção foi bem produzida e fez sucesso, mas mostrava um Wings saindo dos trilhos.

O sétimo e último LP dos Wings, “Back to the Egg”, tinha de tudo. Soul, punk rock, balada com influência jazzistica e uma reunião de astros de rock: a Rockestra.

Formada por nomes como David Gilmour, Pete Townshend, Gary Brooker, Ronnie Lane, John Bonham e Ray Cooper, entre muitos outros, a reunião resultou em duas faixas (“Rockestra Theme” e “So Glad to See You Here”.

“Rockestra Theme” é um dos pontos altos de um álbum pouco inspirado e com um Paul inexplicavelmente rouco.

Muitos desses músicos voltaram a se reunir no fim do ano para um concerto beneficente comandado por Paul e pela Unicef para o povo do Camboja.

Depois do lançamento (em junho de 1979) a banda saiu por uma turnê pelo Reino Unido e que deveria chegar ao Japão.no início de 1980, mas Paul foi preso por posse de maconha ao chegar no país e os shows foram cancelados.

A ideia de Paul era até continuar com a banda e gravar mais um disco, mas “Tug of War” (1982) acabou se tornando um álbum solo do artista.

No fim das contas, foram sete álbuns, duas coletâneas, um disco ao vivo e 29 singles, vários deles chegando ao topo das paradas.

Só falta entrar para o Hall da Fama do Rock.

Amanhã: Paul em duetos e participações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

#Lançamento'22 Circuito Ambrosia