Quatro perguntas para a cantora Maranda | Música | Revista Ambrosia
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Quatro perguntas para a cantora Maranda

A cantora Maranda lançou em julho a faixa ‘Porques’, sobre todos as perguntas que tínhamos na infância e continuamos sem saber responder depois de adultos.

Além de trabalhar neste projeto autoral, Maranda toca surdo nos blocos Calcinhas Bélicas, Studio 69, Orquestra Voadora, Candybloco, Dalí Saiu Mais Cedo, Trombetas Cósmicas, Surdos e Mundos.

A Revista Ambrosia fez quatro perguntas à artista, confira abaixo.

Por que dos “Porques”? 

Eu a compus há algum tempo, quando comecei a olhar para trás e pesar as coisas que já tinha feito na vida, sabe? A gente começa a se sentir adulto sem resposta de nada. Eu estava nesse clima quando um dia, lendo “Morte”, do Neil Gaiman, li seu posfácio comentando sobre os questionamentos que a filha fazia quando ele lia para ela.

Bati os olhos em ‘qual é o gosto da escuridão?’ e achei isso tão maravilhosamente inusitado que fiquei viajando nessas perguntas doidas de criança e nos absurdos que os adultos acabam respondendo. Muitas perguntas de crianças são extremamente complexas, apesar de soarem simples. Ao mesmo tempo, adultos muitas vezes passam certezas que não tem. E o intervalo entre ser quem pergunta e quem tem que responder é bem menor do que a gente gostaria (risos). Foi daí que saiu a letra e a música.

E como se deu a campanha no Instagram coletando imagens de gente de vários países?

Essa música está pronta há algum tempo, mas considerei intimista demais para ser um single e guardei, com a intenção de soltar no disco. Aí veio a pandemia e, de repente, todo mundo se viu dentro de casa, tendo que olhar para dentro e lidar consigo mesmo de uma forma que acho que a nossa geração nunca viveu. Com a solidão, com as memórias, com as saudades.

Eu senti que era uma coisa que estávamos todos passando, a música começou a ressoar forte e decidi lançar. Mas também queria mostrar como esse sentimento, essa nostalgia boa, nos une. Daí que veio a ideia da campanha. Busquei pessoas amigas ou conhecidas daqui e de fora, e simplesmente pedi para que falassem de uma memória de infância.

O resultado foi lindo, tem coisas muito poéticas, coisas engraçadas…enfim, foi incrível. Ao mesmo tempo, convidei meus seguidores a compartilharem suas fotos e memórias através dos stories, e a resposta foi fortíssima também, e muito comovente. Teve gente que falou de brinquedo, de si, de comidas, teve gente falou de pessoas queridas que se foram. Foi realmente muito bonito. Está tudo no meu instagram, @marandamaranda , para quem quiser conferir.

Você fez um cover de ‘Sujeito de Sorte’. Você crê que a música está em sintonia com a resistência a essa fase em que estamos sob a égide de um status quo que representa há de mais maligno?

É difícil processar essa música agora, né? Muitos perdemos entes queridos, pessoas perderam seus empregos, suas casas, ler qualquer coisa sobre o governo dá ataque de ansiedade em qualquer um, é um esforço hercúleo manter a esperança…

Mas, olha, acho que no momento em que deixarmos de acreditar no nosso potencial e em dias melhores, estaremos realmente acabados. Essa música para mim é sobre isso, sobre essa força interna, um voto de confiança em si mesmo e no futuro. Eu não sei o que vai ser, mas pode ter certeza que seguirei cantando ‘Sujeito de Sorte’ a plenos pulmões, porque acredito que precisamos nos manter de pé e lutando até o fim. Ela me traz força, espero de coração que transmita força para quem ouve.

Para quando podemos esperar um álbum?

Meu álbum “Tudo até agora” sai no primeiro semestre de 2021.

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