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Titãs promovem noite do dia do rock no Circo Voador

Fotos: Patrícia Moura

O rock Brasil invadiu a Lapa na noite do último sábado, dia 9 de julho. As duas principais casas de show da principal área boêmia do Rio de Janeiro receberam dois dos principais nomes do rock nacional. Enquanto na Fundição Progresso houve um encontro de gerações com os Paralamas do Sucesso e a banda Suricato e mais dez bandas no WebFest Valda, no Circo Voador era promovida pela MPB FM a comemoração do Dia do Rock (que será nesta quarta-feira) com Titãs e Toni Platão, dois ícones dos anos 80. Mas o que pouca gente sabia era que se tratava de uma noite de despedida.

Platão abriu a noite, fazendo um show de divulgação de seu novo disco, “Lov”, e fez um repertório que incluía versões (a última música foi um cover antológico de Disritmia’ de Zé Katimba, imortalizada por Martinho da Vila), além de lembrar sua antiga banda, o Hojerizah, com uma versão suave de ‘Pros Que Estão Em Casa’, seu maior hit.

Toni Platão
Toni Platão

Plateia devidamente aquecida, entra a atração principal, como de praxe, já com o jogo ganho neste que seria o último show com Paulo Miklos. Com mais de trinta anos de carreira, os Titãs tem um longo repertório de hits, e pode ficar à vontade para montar o setlist para duas horas de show, e, claro, sempre pode faltar alguma preferida de alguém. No meu caso particular, senti falta de alguma música do “Titanomaquia”, de 1993.

Da esquerda para a direita: Toni Bellotto, Paulo Miklos e Branco Mello
Da esquerda para a direita: Toni Bellotto, Paulo Miklos e Branco Mello

Foram 23 músicas que passearam pela trajetória dos paulistas, e, apesar de oficialmente fazer parte da divulgação do último (e bom) disco lançado em 2014, “Nheengatu”, nessa etapa da turnê prevaleceu o greatest hits. A festa começou com ‘Lugar Nenhum’, seguiu com o ótimo cover de Raul Seixas, ‘Aluga-se’, e ‘AA UU’. Apenas três músicas do álbum foram executadas em um set dedicado que fazia uma espécie de intervalo em meio aos clássicos. A primeira foi ‘Fardado’ (com participação de um fã que subiu no palco), ‘Cadáver Sobre Cadáver’ e ‘Terra à Vista’.

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De volta aos hits, veio ‘Cabeça Dinossauro’, a faixa título do disco de 1986, o melhor já feito pela banda. A atual versão ao vivo da música é a deixa para o solo de bateria do virtuoso Mário Fabre, músico de apoio que substituiu Charles Gavin. Depois se sucederam ‘Epitáfio’, ‘Go Back’, ‘Marvin’, ‘Televisão’, ‘Homem Primata’, ‘Polícia’ e Bichos Escrotos’, todas acompanhadas com entusiasmo pela plateia que lotava o Circo, composta, em sua maioria, por fãs devotos.

Na volta para o bis, mais clássicos: ‘Desordem’, ‘Flores’ e, para encerrar, o chumbo grosso ‘Igreja’. É sempre válido notar como a configuração do Circo Voador, que deixa o público bem perto do palco, contribui muito para a empolgação das apresentações, reforçando a troca entre palco e plateia. A formação mais compacta dos Titãs, como um quarteto, vinha funcionando bem, com Branco Mello alternando vocais com instrumentos e Paulo Miklos na guitarra de base. Toni Bellotto e Sérgio Britto se mantendo em suas funções originais (guitarra e teclado respectivamente), sendo que o segundo eventualmente assume o baixo, alternando com Mello. O baterista Mário Fabre já se mostra totalmente integrado.

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Infelizmente, essa foi a última vez que vimos essa formação da banda, que já foi um octeto (começou com nove), agora se reduzirá a um trio. Foi anunciada, na segunda-feira, a saída de Paulo Miklos, que por decisão pessoal, pretende se dedicar a projetos individuais. Como o show não pode parar, o guitarrista Beto Lee, filho de Rita Lee, irá integrar os Titãs como músico convidado. Agora é esperar para conhecer essa nova fase do conjunto, cuja história, ao que tudo indica, ainda terá muitos capítulos.

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