coluna-falando-em-baloes

Quadrinhos de super-heróis nos anos 90 foi aquela fase desgraçada que você possivelmente deve se lembrar só de ler esta primeira frase. Mas ela serviu para uma ótima fase que veio logo em seguida no início do anos 2000, com personagens mais verossímeis em histórias mais maduras (ou pelo menos não tão idiotas) e bem mais divertidas.

Com essa contextualização, quero pegar um exemplo mais específico. Nos anos 90, a Marvel fez uma das suas piores decisões editorais: transformou o Justiceiro, seu herói (anti-herói no caso) mais realista, em um anjo movido a justiça com direito a armas celestiais e toda infâmia que se tem direito. Obviamente, a ideia foi um fracasso de crítica e público e logo tiveram que rebotar todo o status quo do personagem.

A nova dupla criativa, conhecida anteriormente “apenas” pelo seu trabalho na Vertigo, “Preacher”, trouxe de volta um Justiceiro humano, que corre atrás da bandidagem caótica também humana. Contudo, Garth Ennis e Steve Dillon inovaram a trazer um humor negro com situações absurdas e assassinatos criativos na trama. Esse primeiro arco, com o sugestivo nome de “Bem-vindo de volta, Frank”, foi publicado originalmente em uma minissérie de 12 edições em 2000. Sim, amigos, está história já tem 15 anos. Estamos ficando velhos, Magneto…

justiceiro2

Essa HQ aqui no Brasil saiu primeiro na “Grandes Heróis Marvel”, da Abril. Era aquele gibi da série Premium, em formato americano e custava R$ 10, lembra? Pois bem, na época ele dividia com alguns arcos muito fracos de outros personagens, como Quarteto Fantástico, o que me fez desistir de acompanhar até o final. Só pude ver todas as loucuras criadas por Ennis quando a Panini lançou um encadernado dessa mini em 2008. E a espera valeu a pena!

Eu reli a HQ para escrever esta coluna as gargalhadas. Tudo nela é extremamente divertido! A forma como Justiceiro caça cada um da família mafiosa, as desventuras do fracassado policial que tem a missão de prendê-lo, os vizinhos esquisitões, os três assassinos que se inspiraram no anti-herói e o melhor inimigo que já poderiam ter criado para Frank Castle: o sem-noção do Russo. Os dois autores estavam completamente inspirados quando fizeram esse arco que faz o leitor rir da desgraça alheia de uma forma até cruel.

O sucesso da série foi tanto que gerou uma HQ mensal que durou 37 edições e depois um novo título regular pelo selo MAX. Desta vez apenas com Garth Ennis como roteirista e abandonando as piadas e focando mais em um lado sério e obscuro do personagem. “Bem-vindo de volta, Frank” também foi a grande fonte de inspiração para a segunda adaptação cinematográfica do personagem no cinema… Mas o resultado não foi dos melhores!

justiceiro3

Mesmo após a saída de Ennis, e o personagem voltar a andar em maus lençóis (como a infame ideia de transformá-lo em Monstro de Frankenstein), o roteirista ficou marcado pelo que fez ao cânone do Justiceiro. Tanto que anos depois, em 2009, uma nova minissérie com Ennis e Dillon fechou as pontas do primeiro arco chamada “Justiceiro: zona de guerra – A ressurreição de Mama Gnucci”. Nele, temos o humor doentio do roteirista de volta, com os assassinatos mais violentos e estapafúrdios possíveis. A história não chega perto do charme do primeiro arco da dupla, mas vale a pena para ver certos personagens já conhecidos se dando mal novamente! Além disso, o roteirista voltará para seu Justiceiro MAX este ano com a HQ The Platoon.

O encadernado da Panini de “Bem-vindo de volta, Frank” nem é mais encontrado no site. Porém, a Salvat nesta série de encadernados da Marvel a lançará em dois volumes.

Quer uma dica do amigo aqui? Não deixe de ler e depois de rir ao ver aquela quantidade absurda de sangue se perguntar “qual é a porra do meu problema?”. Sempre ajuda…

16 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui