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Conheça “X-0 Manowar”, uma alternativa aos super-heróis

Nos atuais quadrinhos de super-heróis, se referindo a corrente mainstream, chegamos a um ponto sem retorno na última década. Condicionados a dois caminhos a seguir, um deles, marcados por tendências mais próximas do gênero terror ou da cultura do crossover e o outro, que segue tentando recuperar o espírito do super-herói do passado, com uma estética e a fórmula de antão, mas com as necessidades e gostos do presente. Assim, temos que sortear a falta de originalidade das propostas que chegam em nossas mãos, optando por buscar à sedução de outras editoras, personagens e autores. Neste sentido, fui agarrado pelo regresso do Universo Valiant, desenvolvido em 1992 com séries como Harbinger ou Shadowman pela editora fundada por Jim ShooterSteve Massarsky e J. Winston Fowles.
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A recepção dos primeiros títulos foi excelente, a causa imediata foi trazer novas séries, como seria o caso de X-O Manowar, um personagem criado pelo mencionado Shooter em colaboração com Bob Layton e Jon Hartz. O êxito foi imediato, vendendo mais de 800.000 cópias do especial X-O Manowar #0 e com autores como Ron MarzKeith Giffen, Brian AugustynMark Waid passando pelas páginas do título. Entretanto, após quatro anos de bonança, sessenta e oito episódios, a série foi cancelada, mas ainda teria alguns números até ser esquecido. Em 2005, Dinesh Shamdasani e Jason Kothari assumem a Valiant, reimprime com boas vendagens as etapas anteriores de alguns títulos. E assim, notaram que seria um bom momento para o interessante catálogo, e no ano passado recomeçaram seu universo relançando personagens como Harbinger, Bloodshot, Archer & Armstrong, Shadoman e X-O Manowar, personagem que iremos abordar neste artigo. A HQM, neste ano, trouxe esse material inédito, com a revista X-O Manowar (formato americano, 96 páginas, R$ 9,90), que abrigará todos os personagens da Valiant, comprei o primeiro volume e os demais peguei emprestado. Logo, analisarei os demais personagens da Valiant, por enquanto ficamos com esse guerreiro espacial.

Os responsáveis de trazer o título às novas gerações são Robert Vendetti (Os Substitutos, The Homeland Directive, Green Lantern), no roteiro e Cary Nord (Demolidor, Mutante X, Conan) na arte. A nova interpretação e continuidade, não fica muito distante da versão original, começando sua narrativa em Pollenzo, norte da Itália, ano de 402 d.C, os visigodos pressionam e tentam romper as defesas do Império Romano. Entre os bárbaros destaca-se o impulsivo Aric de Dácia, opositor tenaz da rendição ao general Estilicão. A batalha se torna inevitável e em meio ao conflito, um outro inesperado, os dois exércitos se vêem atacados por extraterrestres. A raça alienígena ainda aprisionam vários guerreiros, entre eles Alic, cativos são feitos escravos. Entretanto o valor, a coragem e a resistência de Aric torna-o líder de um grupo de rebeldes que consegue se apoderar da armadura mais poderosa do universo e da arma mais letal jamais conhecida: X-O Manowar.
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Podemos notar que a história herda premissas do space opera mais clássica, lembrando muito os personagens John Carter de Marte (1911) de Edgar Rice Burroughs, Buck Rogers (1929) de Philip Francis Nowlan e Dick Calkins ou Flash Gordon de Alex Raymond. Vendetti e Nord conservam a fidelidade ao conceito original. Os primeiros números constroem o terreno, introduzindo uma história que não foge de outras propostas atuais do gênero super-heróis, que não traz nada diferente e nem assume maiores riscos, entretanto consegue fazer do protagonista intenso, distante, nem corrompido pelo espírito mainstream e que possui um potencial para ser explorado.  Nos quatro primeiros números que chegou até aqui, vi que a série é composta por um revestimento de um épico e um sentido de aventura que consegue sem complexidade uma caracterização na medida, favorecendo o arco argumental dos saltos temporais.

Mas Vendetti dá um ritmo prolífico em seus roteiros, algo que considero vantajoso, outros podem até classificar como débil. A infinidade de situações em cada número segue uma pauta contrária às tramas longas, habituais a outra séries das grandes editoras dos EUA. Nord em seus desenhos de traço sombrio e irregularmente expressivos costura ao roteiro uma versatilidade aguda para manejar a história em preâmbulos que combinam a ficção cientifica de cunho espacial, o relato histórico e o a aventura puramente heróica. Portanto, nos primeiros números de X-0 Manowar, e com certeza na continuidade que a HQM está publicando, teremos uma série que intencionalmente que abrir um novo universo para novos leitores e com um personagem que se caracteriza por trazer uma retomada dos clássicos com uma roupagem pulp.
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No site da editora brasileira encontramos uma sinopse deste lançamento X-O Manowar chega às bancas como uma opção diferenciada para o leitor, trazendo aventuras com forte influência da ficção-científica, mas também com misticismo e bom humor em alguns de seus títulos, fugindo do puro super-heroísmo. Vale a pena, amigos leitores.

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Publicado por Cadorno Teles

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