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Fortuna Crítica: Bigfoot, de Pascal Girard

Fortuna Crítica: Bigfoot, de Pascal Girard | Quadrinhos | Revista Ambrosia

Ah, a adolescência.  Época mágica, época de… Se foder.

No singelo “Bigfoot” o franco-canadense Fortuna Crítica: Bigfoot, de Pascal Girard | Quadrinhos | Revista Ambrosia fala um pouco sobre essa terrível fase da vida. Ainda bem que é só uma fase, diga-se de passagem.

Girard é acometido pela mesma síndrome tão em voga no quadrinho autoral de hoje em dia de tratar o adolescente como um ser frágil e quase de vidro, onde perder a virgindade quase equivale a realizar com as mãos amarradas para trás os 12 Trabalhos de Hércules. Tá, ok, realmente não é fácil, mas convenhamos: não é TÃO traumático assim.

Para ser justo, é preciso frisar que essa tendência do adolescente “sensivelzinho” e ao mesmo tempo “esperto” (as referências certas, as roupas certas, as músicas certas, etc) está presente com bastante força no cinema também, em filmes mais ou menos recentes como “Juno” e “Superbad”, para ficar só em dois exemplos.

Não é que eu não goste de adolescentes, o caso é que essa turminha ultimamente está muito traumatizada por qualquer coisa. Porra, não é assim que se constrói um caráter, moçada.

A história gira em torno de Jimmy, que tem a idéia estúpida de se filmar dançando na sua sala e a idéia supremamente estúpida de mostrar essa bizarrice para seu melhor “amigo” Simon, que faz o favor de disponibilizar o vídeo para o mundo todo no Youtube. Pronto, Jimmy vira a maior atração da minúscula cidade em que vive e é reconhecido por todo mundo como o “Dancin’ Jimmy”. Até uma camiseta fazem com seus passos de dança. Vida dura. Quer dizer, mais ou menos. Essa fobia de se autofotografar e autofilmar hora mais, hora menos dá em merda . Bem feito, isso sim, deixa de ser mané, ô mané.

Pra aumentar a audiência da família, seu tio grava a imagem de alguma coisa no meio do mato que ele acha porque acha que é o lendário Pé Grande – daí o nome do livro – e também joga no Youtube.

Daí por diante é Jimmy ás voltas com sua exposição involuntária (?), suas punhetas, seu amigo traíra e o tal do Bigfoot . Mas a história é boa e bem contada, apesar do coitadismo.

O desenho de Girard é o que poderíamos chamar de Nova Linha Clara. Vem daquela tradição do Tintim do Hergé, passa por uns novos franceses e descamba nele. É uma vertente que tem muitos seguidores e com frequência é difícil distinguir quem é quem, mas o produto final é inegavelmente classudo. Poucas linhas, cores pastéis, etc. Na verdade não tem muito como errar.

Mas talvez isso seja só um comentário de um desenhista rancoroso, com a mão pesada e que erra na maior parte do tempo.

Na dúvida, leia.

[xrr rating=4/5]

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Publicação Allan Sieber