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Fortuna Crítica: Mid-Life, de Joe Ollmann

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- midlife1 - Fortuna Crítica: Mid-Life, de Joe OllmannA famosa “meia idade”. Com 40 anos chega-se na meia idade, não? Ou só com 50? Bom, não vou perder meu tempo com esse tipo de questão ridícula. O fato é que o personagem de “Mid-Life”, do canadense Joe Ollmann, tem 40 anos e chama isso de meia idade. John casou cedo, teve a primeira filha com 17 anos e ao chegar aos 40 conta com uma prole de duas filhas do seu casamento anterior e um filho pequeno do atual casamento. Sua esposa tem quase a mesma idade da sua filha mais velha, vinte e poucos anos. Não ficamos sabendo o que exatamente deu errado com o primeiro casamento, só que acabou e depois disso John mergulhou fundo no poço da birita e autocomiseração até ser resgatado por sua atual mulher.

Mas as coisas não vão bem por conta da famosa crise da meia idade: John vacila no seu trabalho como diretor de arte de uma revista, briga com as filhas, discute muito com a mulher e anda ás turras com os gatos. Por incrível que pareça ele só encontra alivio quando assiste over and over com o filho – e depois SEM o filho… – um DVD de uma banda que toca música para crianças, “Sherri Smalls and her big band: completely bananas!”

Por seu lado, as coisas também não andam ás mil maravilhas com Sherri. Quando aparece a possibilidade de assinar um contrato para ter seu próprio programa na TV, seu ex-namorado e companheiro de banda, Ric, quase põe tudo a perder quando chuta uma criança da platéia, além de se apresentar bêbado e ter um pequeno histórico policial. Um caso de “badboy” já um tanto passado do ponto. O detalhe é que Ric se apresenta fantasiado de macaco, é tudo o que uma rede de TV NÃO quer é um cara numa roupa de macaco chutando crianças em um programa infantil. Sherri tinha uma modesta carreira como cantora e compositora e chegou a lançar um CD em 1999 que foi bem recebido pela crítica, apesar de não ter feito decolar a sua carreira.

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Ao ficar levemente obcecado por Sherri, John descobre esse disco e resolve entrar em contato com ela.

A narrativa alterna o ponto de vista de John no Canadá e de Sherri em NY, cada um com sua crise particular. John não sabe se está exatamente no caminho que queria, ao passo que Sherri também não está satisfeita com os rumos de sua vida, gostaria de se apresentar para adultos, e não para crianças mimadas. Mas foi o que apareceu quase acidentalmente para ela, e a perspectiva de ter um programa não totalmente retardado para crianças é bastante tentadora, além de envolver segurança financeira. O que poderia ter acontecido…O que eu fiz com a minha vida… Será que estou fazendo tudo errado? Se… Se… O maldito “e se?” que tanto nos atormenta. Mas vinho tinto existe para isso, oras.

Não sabemos o quanto de autobiográfica é essa história e Joel Ollmann faz questão de não esclarecer muita coisa, é tudo muito dúbio. Mas acho que ele entrega o ouro em algumas partes. Sei lá, impressão minha.

Ele trabalha sempre com 9 paineis de tamanho fixo por página e abusa das legendas no topo dos quadrinhos, fazendo com que alguns dos quadros tenham quase mais texto do que desenho. Coisa que prezo muito, aliás. Os puristas vão achar um lixo, mas o que sabem os puristas? Nesse exato momento eles devem estar baixando o trailer de mais um filme mongolóide da Marvel. Pau no cu deles.

Uma coisa engraçada é que me dei conta ao ler o álbum de que eu mesmo estou passando por uma certa crise de meia idade.

Comentei isso com um amigo e ele dissipou minhas dúvidas:

– Você está com uma crise de meia idade desde os 25 anos, drama queen!

Então tá.

[xrr rating=5/5]

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Avatar Escudeiro

Publicado por Allan Sieber