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Fortuna Crítica: Ninguém me Convidou – Jouralbo Sieber e Allan Sieber

Fortuna Crítica: Ninguém me Convidou – Jouralbo Sieber e Allan Sieber | Quadrinhos | Revista Ambrosia

Fortuna Crítica: Ninguém me Convidou – Jouralbo Sieber e Allan Sieber | Quadrinhos | Revista AmbrosiaÉ, é  isso mesmo, vou resenhar o meu próprio livro.

O bom da esquizofrenia é que você sempre pode contar com uma segunda opinião, SEMPRE.

Para começo de conversa, esse livro deveria ter saído em 2008. Por minha culpa, procrastinação e certos bloqueios, só foi lançado no final de 2010.

Na verdade, eu e papai (aliás, “papai” o caralho, de onde eu vim é O PAI, não tem essa conversa de papai e mamãe) nunca fomos muito próximos. Fazer esse álbum foi como mastigar vidro. Mas por uma questão de higiene mental – como aquela série do Adão, menos 100000 anos de análise – precisava ser concluído. Ufa.

Uma questão freqüente do meu pai era:

– Puta que pariu, vou lançar essa bosta e o pessoal vai falar “porra, o cara tem 80 anos e AINDA não aprendeu a desenhar?” (não com essas palavras, claro)

Pois é, Jouralbo tem critérios.

A maioria das entrevistas que gravei com ele desde 2006 foi com uma ressaca desgraçada, então sempre esquecia de perguntar algo e tinha que voltar para o mesmo assunto. Infernal. Depois tinha o trabalho de transcrever todo o material, o que terceirizei pelo simples motivo de não suportar ouvir minha voz ou a do meu pai por horas á fio.

Fui montando um roteiro por ordem cronológica e entregando aos poucos, e meu pai mandava as artes todas num tamanho gigantesco, o que dava um trabalho dos diabos para scanear e montar.

Também me interessava resgatar seus desenhos para a publicidade gaúcha dos anos 50, 60 e 70. E além disso tinha as fotos, muitas fotos.

É isso: entrevistei, escrevi o roteiro, scaneei um milhão de coisas e ainda armei o lançamento em Porto Alegre.

Puta que pariu, eu sou um bom filho mesmo, nem venham. Deus sabe quantos cabelos brancos ganhei na minha escassa cabeleira por conta desse verdadeiro Memorial de Jouralbo Sieber.

E  – que conste nos autos do processo, seu Juiz! – nunca pedi dinheiro emprestado pra ele. Eta filhão!

O desenho de Jouralbo é um misto de clássico, naive, irritado, apressado e por vezes rebuscado. Nos quadrinhos os personagens dialogam mas não se olham, parece que cada um está num mundo paralelo. Talvez isso seja produto de uma leve esquizofrenia que acomete tanto ele quanto a mim, vá saber.

Lá pelo meio do livro Jouralbo começou a incluir fotos  – trabalhadas com guache e nanquim – dele mesmo nos quadrinhos, o que encarei como um recado claro de “está na hora de acabar essa merda”.

Adoro a minha relação com meu pai. É a melhor relação – nenhuma.

O Mestre Paulo César Peréio um dia me ensinou isso e sou muito grato a ele.

[xrr rating=5/5]

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3 opinaram!

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    • Meu amigo, o correto não seria nem um nem outro no português clássico. Mas a lingua vêm sofrendo modificações constantemente com a globalização e a internet, assim o melhor seria refletir que vivemos em um momento de transição e que muitas palavras ainda. serão formadas ou oficializadas.

      Fora que com o novo acordo ortográfico a tendência é unificar o português de cada país, e "scanear" já foi adotado em Portugal e em outros países, da mesma maneira que stress foi aportuguesado para stresse. Claro que tudo isso é uma baita babaquice de se discutir, mas como seu comentário foi babaca segue uma resposta no mesmo nível.

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Publicação Allan Sieber