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Look at all the lonely people

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Beatles é um dos maiores ícones da música pop. Seu sucesso e popularidade ultrapassaram os discos e foram parar em filmes, desenhos, livros e quadrinhos, claro. Por que não? Algumas dessas HQs inclusive já foram publicadas no Brasil. E, curiosamente, duas delas falam sobre dois “quinto beatle” diferente: “Baby’s In Black – O Quinto Beatle: A História de Astrid Kirchherr e Stuart Sutcl” (o baixista original dos Beatles) e “O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein” (o empresário da banda). E é sobre essa que estava mais interessado em ler desde o seu lançamento.

Esta atenção recebida é fácil de ser explicada: a HQ saiu aqui em um formato gigante (21×31,5cm) e com uma belíssima capa que consegue manter um tom ‘cartoon’, mas com feições muito fieis. Impossível não se destacar em qualquer livraria este trabalho impecável da editora Aleph.

Como o título já diz, a HQ conta a história de Brian Epstein, o grande empresário dos Beatles, que fez eles repercutirem e se popularizarem no mundo inteiro. Porém, não espere aqui uma história dos Beatles, tendo ele como narrador. Como a capa já se revela, apesar da banda estar na frente, ser o chamariz, o foco é na vida de Epstein, o único colorido.

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Brian Epstein aos 27 anos de idade foi conferir uma banda de rock que começava a fazer sucesso localmente tocar e logo viu todo o potencial para esse tal grupo. Nem os Beatles tinham essa visão que ele tinha e por isso ele desde o início teve que fazer o que fosse preciso para fazê-los se destacarem dos demais. “Eles serão maiores que Elvis” era sua meta. Mas o jovem empresário tinha muitos problemas pessoais no caminho: era homossexual em um período em que isso era ilegal na Inglaterra. Por isso, começa a tomar um remédio que aparentemente “seguraria sua onda” de forma irresponsável. Se tornando assim um workholic viciado em remédio solitário. Solidão. Solidão é o tema da HQ. Sobre como o cara que divulgou as canções de amor do Beatles não podia amar também.

Os Beatles, aliás, apesar de serem citados a HQ inteira, aparecem pouquíssimo e “como personagens” não tem muita importância. Paul McCartney tem apenas uma cena-chave no final, mas George Harrison e Ringo Starr não possuem uma cena solo com o empresário sequer. O último, inclusive, se tiver três falas foi muito.

John Lennon é o único que se destaca com seus diálogos e sua amizade-quase-colorida. Ele também é responsável por dois acontecimentos fora da vida de Epstein que são retratados na HQ: o nascimento do seu primogênito Julian Lennon e quando ele soltou a famosa pérola que Beatles eram maiores que Jesus. Em ambos a participação do empresário foi essencial.

O final da HQ vai ganhando elementos de flash-foward. Com pulo de meses e anos, Epstein vai ficando confuso com tudo (e o leitor também). E uma HQ sobre um personagem deste tem a sua missão cumprida: o leitor fica com um gosto amargo na boca com seu triste fim.

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No pósfácio é escrito que nem tudo na história é necessariamente verdade. Algumas liberdades foram tomadas para gerar uma melhor história. Entretanto isso fica muito óbvio quando se lê de primeira. As conversas com os Beatles beiram o absurdo, uma negociação com Ed Sullivan foi feita com um fantoche e Coronel Tom Parker, o empresário do Elvis Presley, é retratado na arte como o próprio demônio.

Apesar do roteiro de Vivek J. Tiwar ser muito bem pesquisado e certeiro, o que merece mais aplausos é a estupenda arte de Andrew C. Robison. Se a sua capa chama atenção ao primeiro olhar, folhear suas páginas são de arregalar os olhos. Principalmente a cena em que os Beatles cantam “A Hard Days Night”. É uma pena que isso não se repetiu com outros sucessos. Destaque também para a participação de Kyle Baker que desenhou, com um traço que lembrasse aquele desenho antigo da banda, a controversa viagem dos Beatles até às Filipinas.

Da mesma forma que os Beatles fizeram sucesso décadas atrás e suas músicas ainda são tocadas e aclamadas, essa HQ vai conquistar gerações diferentes. Meu pai, um senhor de 62 anos, ao ver “O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein” na minha pilha de encomendas já pediu emprestado para ler depois que eu acabasse. Para mim, nada poderia ser mais representativo que o sucesso icônico da banda do que isso. Epstein conseguiu o feito de transformar os Beatles em uma banda única. E lendo sua história, você entende o motivo.

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Publicado por Bernardo Cury

Jornalista, publicitário e roteirista. Já participou de blog famoso, de blog desconhecido e de blog que só ficou famoso depois que saiu;
trabalhou com conteúdo em um grande portal; foi social media de marcas que nem lembra; e foi o pior assistente de fotografia que o cinema já viu. Atualmente trabalha com marketing digital, escreve a webcomic Capas & Gravatas e tenta paquerar mulheres recitando músicas do Molejo.