Capa da Reedição da Panini.

Ao longo de quase sessenta anos de história, o Universo Marvel já teve dezenas de reinterpretações de seu próprio cosmos, algumas ancoradas em Universos alternativos e outras realizadas no bom what if. Mas, como historiador, a que mais me chamou minha atenção seja o de 1602, de Neil Gaiman (The Sandman, Batman, Nevershere) e Andy Kubert (Batman, Before Watchmen: Nite Owl, Punisher War Journal).

A história por trás da concepção deste universo é bastante curiosa.  Neil tinha chegado a um acordo com a Marvel Comics, depois da típica batalha por determinados direitos que não quero aprofundar muito sobre o caso e o autor cumpriu sua parte do trato, se bem fazendo a HQ do jeito que queria. E sabemos o posicionamento dele em relação ao mainstream, fazendo o que quer fazer e não imposições. Por isso não se dedicou a uma narrativa de uma série regular de nenhum dos personagens clássicos daCasa das Ideias, e sim roteirizou uma história que eles surgiriam no início do século XVII, na época da rainha Elizabeth I, quando os Estados Unidos era uma colônia inglesa e a Coroa britânica vivia um complicado processo de agitação política.

Desta forma temos Nick Fury, como chefe do serviço secreto de sua majestade, Sir Nicholas Fury, que terá que trabalhar lado a lado com o ocultista mais famoso do reino, Stephen Strange, que seus conhecimentos trata da rainha enferma. Pelas páginas de 1602 aparecem as versões de Bruce BannerPeter ParkerDaredevilThor, Viúva Negra e Quarteto Fantástico entre muitos outros personagens. Todos envolvidos em torno de uma conspiração onde o futuro das colônias inglesas no continente americano e da coroa britânica está em jogo, girando ao redor de Virginia Dare (a primeira nascida nas Treze Colônias de pais ingleses) e seu leal servo, o índio Rojhaz.

Antes na DC Comics a série Elseworlds trouxe vários momentos interessantes, retratados por autores com mais liberdade. E a editora não tinha ainda utilizado este filão. Após 1602, tornou-se constante histórias com essa técnica na Marvel, o problema é que não foram tão geniais como a prosa de Gaiman. Uma das coisas que mais gostei nesta série, foi que o centro da trama seguiu com os mutantes. Aqui eram chamados de “sanguebruxos” com seu mentor Carlos Javier advogando pela integração deles na sociedade e o Inquisidor espanhol Magnus que clama pela destruição total deles em nome de Deus, enquanto os utiliza a seu benefício.

Gaiman consegue realizar uma integração perfeita entre a idiossincrasia das potências europeias do momento e sua visão particular do Universo Marvel. O que também resulta curioso é que não encontraremos mais do que os personagens marvel criados por Stan LeeJack Kirby e Steve Ditko, e que com essa particular e rara narrativa que é 1602, Neil Gaiman trata de honrar aos demiurgos originais da Marvel, colocando em seu universo só personagens concebidos por eles.

E quanto ao desenho de Andy Kubert, ajusta-se perfeitamente à magia da história que Gaiman nos conta, com um traço sinuoso e leve que dá um estilo realista a par que toda a grande conspiração que vai se desenvolvendo número a número até completar as oito edições que compõem a história. A arte-final de Richard Isanove faz com que os desenhos de Kubert tivessem sido pintados, no estilo dos quadros da época, bem rústico, sobressaindo mais a arte do narrativa gráfica.

A graphic novel, ganha uma reedição da Panini, em sua série Deluxe, com vários extras como o roteiro e os sketch originais. Sem dúvida, um universo que poderia ter continuado, pois nos deixa órfãos, mas que recebeu uma inclusão em Batlleworld na recente Guerras Secretas de Jonhathan Hickman. Merece está na coleção de qualquer fã do Nona Arte.

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Rafael Gardiolo
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