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Quem lembra de Archie Cash? O anti-herói dos quadrinhos belgas, a cara do Charles Bronson

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No vasto universo dos quadrinhos europeus, onde nomes como Tintin e Asterix reinam supremos, há personagens que, embora menos conhecidos pelo grande público, possuem um fascínio único e uma narrativa envolvente. Um desses personagens é Archie Cash, criado por Malik e Brouyère em 1971. Esta figura singular emerge como um anti-herói que encapsula o espírito rebelde e a complexidade moral de sua época.

Origens e Criação

Archie Cash nasceu das mentes criativas de Malik (pseudônimo de William Tai, 1848-2020) e Jean-Marie Brouyère (1943-2009). Essa dupla belga teve a intenção audaciosa de criar um personagem que quebrasse os moldes tradicionais dos heróis convencionais, abordando temas mais maduros e realistas. Visivelmente inspirado em Charles Bronson (1921-2003), Archie é uma intrigante mistura de vigilante moderno e soldado da fortuna, um solitário com um passado misterioso que se destaca por sua complexidade e profundidade.

A Personalidade de Archie Cash

Archie Cash é um aventureiro que habita países tropicais e luta contra tiranos opressores. Ex-tenente que desertou do exército da República Toro-Toro após o país evoluir para uma ditadura, Archie é o epítome do anti-herói. Sua moralidade ambígua e motivações pessoais não sempre claras, fazem dele um personagem intrigante. Homem de poucas palavras e ações contundentes, Archie enfrenta conflitos internos e externos, lutando contra inimigos em cenários que vão de desertos escaldantes a selvas traiçoeiras.

O Universo de Archie Cash

O mundo de Archie Cash é sombrio e violento, refletindo as complexidades do período em que foi criado. Suas aventuras são marcadas por ação intensa, intrigas e uma boa dose de brutalidade. Archie está frequentemente envolvido em tramas que exploram a corrupção, o crime organizado e a luta pela sobrevivência. Suas histórias não hesitam em mostrar o lado mais sombrio da natureza humana, oferecendo aos leitores uma visão crua e realista da vida.

La case on X: "Archie Cash 14: Chasse-coeur à Koa-Gulé - Malik et  Brouyère,1987. Quand Charles Bronson rencontre Idi Amin Dada...  @EditionsDupuis https://t.co/muxfyiSOO4" / X

Arte e Narrativa

A arte de Malik complementa perfeitamente o tom das histórias. Seus traços detalhados e expressivos capturam tanto a tensão das cenas de ação quanto a profundidade dos momentos de introspecção. A narrativa de Brouyère é ágil e envolvente, cheia de diálogos refinados e situações que prendem a atenção do leitor do início ao fim.

Legado e Influência

Embora Archie Cash não tenha alcançado o mesmo nível de popularidade que alguns de seus contemporâneos, ele conquistou um lugar especial no coração dos aficionados por quadrinhos. Seu legado é o de um personagem que desafiou as convenções e trouxe uma nova dimensão ao gênero de aventura. Ele influenciou muitos artistas e escritores que vieram depois, provando que os quadrinhos podem ser um meio poderoso para explorar temas adultos e complexos.

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Archie Cash  é um reflexo de uma época e um testemunho da capacidade dos quadrinhos de abordar questões profundas e apresentar heróis imperfeitos, mas extremamente humanos. Para os leitores que buscam algo além das narrativas convincentes, a série ofereceu uma jornada inesquecível por um mundo onde a linha entre o bem e o mal é tênue, e a sobrevivência depende da coragem e da astúcia.

Ainda não foram publicadas para nós brasileiros, as histórias de Archie Cash circularam no semanário Spirou, entre 1971 e 1988, e através de 15 volumes que foram editados pela DUPUIS, no período que foi de 1973 a 1991, em francês. Já em português, temos as edições portuguesas da Mundo de Aventuras (2ª fase e 5ª fase), Jornal da BD e Spirou nos anos 1970 e 1980. Mesmo impossível, esperemos que alguma editora traga esse material para o Brasil. 

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Cadorno Teles -

Cearense de Amontada, um apaixonado pelo conhecimento, licenciado em Ciências Biológicas e em Física, Historiador de formação, idealizador da Biblioteca Canto do Piririguá. Membro do NALAP e do Conselho Editorial da Kawo Kabiyesile, mestre de RPG em vários sistemas, ler e assiste de tudo.

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