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Um romance otaku em Wotakoi ni Koi wa muzukashii

Mangás para otakus temos aos montes, mas um mangá com romance entre otakus, e adultos, ainda não.

Wotakoi ni Koi wa muzukashii ouIt’s Difficult to Love an Otaku, Love is Hard for Otaku publicado pela Panini/Planet Manga como Wotakoi: o amor é difícil para otakus, é uma comédia romântica, com poucos números lançados no Japão, seis no total, mas que traz o sucesso do anime tanto para os fanbases como aos leitores de mangás.

Criado por Fujita, Wotakoi originalmente foi publicado na plataforma Pixiv como webmangá, que logo ganhou versão física de forma serializada na Comic Pool, a obra também foi adaptada ano passada para anime, e foi premiada como o melhor mangá do Kono Manga ga Sugoi!, ficou em 9º lugar na lista de quadrinhos indicados pela National Bookstore Employees em 2017 e foi indicado ao prêmio de melhor mangá na 41ª edição do Kodansha Manga Award.

Sinpse: Apesar de Narumi Momose esconder seu gosto por histórias yaoi, seu namorado descobre tal hobby e termina o relacionamento. Para renovar sua vida, ela decide mudar de trabalho e lá acaba encontrando seu amigo de infância, Hirotaka Nifuji, um viciado em video games, que por pouco não revela o segredo de sua amiga. Então, ela decide sugerir um plano para que ele nunca mais fale sobre o assunto, mas não contava com uma contraproposta: por que não começarem a namorar? Obcecados por seus interesses pessoais, será difícil para eles manterem um relacionamento.

A história do mangá é daquelas que não se sabe que acontecerá em cada capítulo, muito menos como terminará. Como uma “slice of life“, a narrativa segue devagar e numa releitura da vida, trazendo temas típicos da vida otaku: convenções, cosplays, doujinshis, games, confrontos para quem é o melhor personagem de uma série, etc. Os protagonistas são adultos, com problemas comuns, em uma história tranquila, nada de anormal acontece, é simplesmente o cotidiano de otaku, vivendo suas vidas.

Há debates sobre jogos e quadrinhos, mas tudo é levado comicamente, então uma discussão que deveria ser séria, é repentinamente representada como se fosse uma luta Pokémon.

O romance é abordado de diferentes maneiras, do inocente ao problemático, para aquele como um apoio mútuo entre amigos, mas quem espera um namoro que encontramos em nossa sociedade, lembramos que o aspecto cultural japonês é notório, no caso, a forte ausência de intimidade física entre os personagens, apesar do companheirismo envolvidos.

Na verdade, os personagens são o ponto forte deste mangá. Bem comuns em qualquer cidade, é fácil encontrar alguém ou mais de um, até mesmo no interior do Ceará. Suas ações e pensamentos são tão reais, que você não sentisse como pensaria ou faria o mesmo nessa situação. Narumi, a problemática otaku; o indeciso e receoso Hanaku;a preocupação de Naoya; o esperançoso Kabakura; Hirotaka procura uma pessoa que aceita seus hobbies; e o ansioso gamer Kou, trazem uma dinâmica divertida ao mangá e apesar de Narumi e Kimitaka serem os protagonistas, a narrativa também dá aos personagens secundários breves estórias para que conhecermos mais sobre eles, que evoluem à medida que a história avança, sem perder sua essência.

Num estilo 4-koma (mangá de quatro quadros por folhas), com traço simples e limpo, com sombreamento básico, sem texturas e muitas cores, muito típico nos shoujos e josei. Sem dúvida, os personagens são bem definidos, mesmo com expressões que parecem impassíveis e podemos reconhecer mesmo como cosplay ou vestidos de um personagem de outro sexo. O cenário é sempre em ambientes fechados (trabalho, universidades, suas casas…), sendo desenvolvidos bem básicos, em fundos brancos, as vezes decorados por texturas shoujos.

Relacionamentos amorosos, cultura de jogos e animes, comédia, referências otakus, piadas e mais piadas, mas com abertura para temas que podem ser debatidos. Um mangá de leitura despretensiosa, divertido, humor leve e que traz de volta o sitcom dos anos noventa, no estilo otaku.

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