em

Call of Cthulhu no Brasil?

callofcthulhuEssa semana Jaime Rodriguez Cancela deu a notícia de que estava terminando uma parte da tradução da sexta edição de Call of Cthulhu (que poderia vir a se chamar Chamado de Cthulhu) para a editora Devir. Uma notícia bastante inesperada eu diria. Claro que é importante lembrar que o fato de a editora pagar uma tradução não significa oficialmente que ela irá lança-la, o próprio Call of Cthulhu, durante os anos noventa, teve sua quinta edição traduzida para a Devir (não sei se integral), mas o projeto não chegou a ver a luz do dia.

Me soou bastante estranha a iniciativa de lançar esta linha agora em 2009 (ou no próximo ano) e não tenho certeza qual seria a reação do mercado nacional a esta. Sem dúvidas, CoC é um dos RPGs mais famosos de todos os tempos, e praticamente todos os rpgistas que eu me relaciono (ao menos em instância pessoal) jogam ou já jogaram o jogo nos seus vinte e cinco anos de existência. Muitos deles inclusive têm em CoC o seu jogo preferido, ou o que é mais raro o tem como o único sistema de RPG (sim, eu só ando com gente estranha que em boa parte, não joga / não gosta tanto de fantasia medieval). Tirando a notoriedade imensa, gostaria de me estender um pouco sobre os prós e por que não os contras deste RPG.

A sexta edição do jogo trouxe um sopro de vida na linha, que sofria de permanecer muito atrasada estéticamente. Eu gosto muito da capa, e o design interno ganhou substância e perdeu aquela cara horrível que os livros de Gurps segunda edição também tinham. Portanto, nesse aspecto o último CoC se tornou um excelente produto, agradável aos olhos de quem o investiga.

O cenário e ambientação dispensão apresentações, estamos lidando com um dos melhores materiais de horror já produzidos nos últimos séculos. E o fato de a obra de Lovecraft atingir um público relativamente fiel fora do nicho de rpgistas, é um fator importante a se considerar.

Por fim (dos prós), Call of Cthulhu é o meu sistema favorito para introduzir iniciantes no hobby. Fichas prontas e testes escassos que se limitam a jogar dois D10 é atingir uma dada porcentagem é algo que beira o óbvio e é facilmente assimilado por todos (pelo menos foi para os diversos jogadores que tive a chance de apresentar o jogo). O sistema de sanidade, o sistema de magia (ainda que é muito raro um jogador usa-lo), todos eles são pequenos apetrechos que sempre me agradaram.

Agora, vamos aos contras:

Esteticamente, ele ainda é um RPG de capa mole, preto e branco e de um papel de qualidade bem inferior daqueles utilizados pela Wizards ou a White Wolf. Verdade seja dita, nesse quesito ele é bastante similar a edição do Mutantes e Malfeitores publicada pela Jambô, o que possibilita uma certa vantagem econômica. Mas é um contra estético.

A grande maioria do público cativo do cenário já joga Call of Cthulhu. Eu conheço muita gente que tem algumas edições do livro básico (bem verdade, todos os fãs de lovecraft que eu consigo pensar possuem o livro), mas é claro, que essa não deve ser uma realidade comum no Brasil inteiro. Tenho certeza que existem fãs de Lovecraft por aí que não lêem ou não gostam de ler em inglês (ainda que CoC tenha sido publicado em outras línguas como espanhol e francês) mas creio que estes são minoria. A Devir terá que investir no público que só ouviu falar no livro, e criar novos grupos do velho RPG da Chaosium.

Ainda que muito tenha sido modernizado, ainda existem alguns arcaísmos desnecessários no sistema. O maior exemplo é quando um jogador tem que fazer um teste resistido/disputado por outra rolagem. Nesse caso se utiliza uma extensa tabela, que apesar de simples, é chata e não combina com os RPGs mais contemporâneos.

Em suma, publicar Call of Cthulhu no Brasil hoje em dia, é sem dúvida nenhuma um risco (quer dizer, um risco maior do que publicar RPG, rs). No entanto é um jogo tão importante e fundamental para o hobby que pode sim resultar em muitas compras. Se não formos pensar apenas no sentido mercadológico, acredito que esta notícia é maravilhosa e mesmo que atrasada (devia ter sido lançado nos anos noventa) é essencial ao Brasil. Torço que as pessoas larguem um pouco o D20, e possam sentir mais medo com essa magnífica experiência que é uma mesa de Call of Cthulhu.

Ainda sim, devo confessar que preferiria que a Devir publicasse Trail of Cthulhu, que vive o auge do seu hype, é excelente e muito menos gente tem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

GIPHY App Key not set. Please check settings

7 Comments

Street Fighter

Publicado por Felipe Velloso

ColecionadorGibizeiroRepórterSuper-fãs

Os vencedores das Promoções Ambrosia Ano Um

O Livro dos Mortos para o World of Darkness