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Testando a Virtual Table (D&D)

Testando a Virtual Table (D&D) | RPG | Revista Ambrosia

Como anunciado pela Wizards of the Coast, finalmente eles estão desenvolvendo um produto que havia sido prometido na época do lançamento da 4e: a Dungeons & Dragons Virtual Table (ou simplesmente VT, como está sendo chamada). Mas o que é uma Virtual Table?

Mais especificamente, virtual tabletop é o termo é usado para se referir a ferramentas que facilitam que grupos de rpg joguem online. Jogar sessões pela internet não é novidade, pois rpgistas faziam isso a mais de uma década atrás através de salas de chat ou listas de e-mail. O que esse tipo de ferramenta oferece são opções que facilitam o processo, como a possibilidade de compartilhar imagens (mapas, ilustrações da campanha, etc.), facilitar a comunicação (como um chat privado para os jogadores e o mestre) e administração de mecânicas (como roladores de dados ou fichas eletrônicas que automaticamente refletem acontecimentos da mesa).

Elas são úteis para os rpgistas pois permitem formar grupos com pessoas que vivem longe umas das outras, sejam completos desconhecidos ou amigos que acabaram por se separar por questões de sua vida particular, como se mudar para fazer faculdade ou trabalhar num novo emprego. Além de facilitar a vida de pessoas que têm problemas em sair de casa no horário do jogo, como acontece com muitos jogadores que já são pais e não tem com quem deixar os filhos. Essas necessidades levaram a criação de várias dessas ferramentas, tanto gratuitas quanto pagas. A Fantasy Grounds e a Battlegrounds são só dois exemplos de programas pagos, que tentam atender essa demanda.

Percebendo essa nova oportunidade de negócio, a Wizards of the Coast anunciou que iria criar sua própria virtual tabletop. Depois de muito tempo de sua promessa inicial, finalmente a ferramenta deve sair. Como parte do processo de aperfeiçoamento dela (e, provavelmente, influenciado pela quantidade de problemas iniciais no lançamento do Character Builder Online), foi aberto um período de testes com a participação tanto membros da WotC quanto jogadores não ligados a empresa. Isso está sendo feito num grupo privado dentro da comunidade online da Wizards através de trocas de informações, jogos combinados e pequenas tarefas que os criadores da ferramenta repassam para os participantes. Essas tarefas são criadas para levar a VT ao limite, para tentar descobrir onde ela pode ‘quebrar’ e resolver esses problemas antes do seu lançamento oficial.

Testando a Virtual Table (D&D) | RPG | Revista AmbrosiaEstou participando dos testes e resolvi comentar algumas experiências. Como costumo mestrar mais que jogar, vou analisar a VT mais por esta ótica. É importante lembrar que todas as observações a seguir representam a versão de testes, ainda bem no começo. Muita coisa pode mudar ainda.

A ferramenta, assim como o Character Builder novo, é acessada através dos servidores da WotC. Ao fazer o login ela abre a área de administração de campanhas. Ali é possível criar uma nova campanha, procurar por jogos específicos (Mestres, mundos de jogo, edições diferentes do D&D) ou entrar em campanhas abertas. Ainda que exista somente um limitado número de jogadores no período de testes, já há uma boa quantidade de campanhas e aventuras one-shot sendo feitas. Algo que notei foi que facilidade em encontrar jogos, o que deve ocorrer quando a ferramenta for aberta para mais pessoas, me parece ser uma vantagem para o produto da Wizards. Já que estamos falando do rpg com o maior número de jogadores no mundo, considerando suas diversões edições. Deve vir a se tornar fácil encontrar mesas com vagas abertas, o que permite jogar pequenas sessões sem compromisso, a qualquer hora. Mesmo com o atual número restrito de pessoas com acesso, não é muito difícil encontrar uma mesa livre.

Testando a Virtual Table (D&D) | RPG | Revista AmbrosiaA VT já possui uma série de funções úteis. Já é possível a criação de mapas com uso dos dungeon tiles (série de produtos de D&D para criação de mapas), acompanhamento das fichas dos monstros e jogadores, espaço para implementação de notas (particulares ou públicas), controle automático de iniciativas, possibilidade de desenhar ou esconder certas partes do mapa, roladores de dados, chat (com suporte para microfone), além de outras possibilidades.

Entretanto, nem tudo é perfeito. Estando ainda no período de testes, alguns desses problemas são até esperados. Como certa lentidão em alguns momentos ou mensagens de erro ocasionais sem motivos aparententes. Essas situações são incomuns, muito menos frequentes do que o acontecia no Character Builder Online na época do seu lançamento e na maior parte do tempo a VT é estável, sendo que os pequenos problemas a que me referi estão sendo corrigidos, segundo os responsáveis pela ferramenta.

Existem também outros problemas não relacionados ao período de testes. O maior que percebi foi que não há suporte para importar fichas de monstros retiradas do Monster Builder ou de personagens-jogadores do Character Builder. E esse é um grande problema. Apesar de existir a promessa de que isso será incluído numa atualização futura, uma integração completa entre as ferramentas (lembrando que o Monster Builder vai ganhar uma versão online) seria uma das maiores vantagens para a Virtual Table. Poder usar as fichas prontas, seja de monstros ou jogadores, facilitaria muito a vida dos usuários da VT. Principalmente os Mestres, que não precisariam mais incluir as informações referentes aos montros de forma manual. Sem a integração de ferramentas, a VT acaba perdendo muito de seu atrativo.

Testando a Virtual Table (D&D) | RPG | Revista AmbrosiaOutro problema que notei foi a dificuldade em criar mapas. Já usei diversos programas e sites diferentes para criar mapas para minhas sessões e acabei escolhendo usar o Pymapper na maior parte do tempo. Mesmo com alguns problemas (já que é um programa gratuito e desenvolvido por fãs) ele permite criação de mapas usando dos dungeon tiles com facilidade e bastante controle no processo. A VT, mesmo usando também dos dungeon tiles e sendo um produto feito por uma empresa, não é tão intuitivo ou fácil de usar quanto o Pymapper. A curva de aprendizado para utilizar de forma correta o programa criado pelos fãs é rápida e acessível. Já para utilizar o mapa do VT corretamente (e conseguir mais que arrastar tiles para montar mapas básicos), levei mais tempo e precisei da ajuda de alguns outros usuários para entender o funcionamento de certas funções. Não é que ele seja ruim, é só que o Pymapper me parece fazer o trabalho de forma melhor. E é um programa que espero que os responsáveis pela VT se familiarizem, para tirar algumas boas idéias.

Por enquanto só mestrei e em pequenos testes rápidos. A ferramenta funciona bem e esse período de testes prolongado deve ajudar a corrigir os problemas e pequenas deficiências que ainda existem. Do que experimentei até agora, ela permite jogos de D&D (ou mesmo outros sistemas) online com facilidade (não tanta quanto eu gostaria, porém) e funciona para o que se propõe. A maior preocupação em testar a ferramenta antes do lançamento e ouvir as impressões dos jogadores deve ajudar a melhorar o produto final. A opinião geral até agora tem sido positiva, com muita gente considerando voltar a assinar o serviço Insider somente para poder experimentar a ferramenta quando ela for aberta para testes para todos os membros.

Testando a Virtual Table (D&D) | RPG | Revista AmbrosiaO que leva a questão importante da disponibilidade da ferramenta. Se ela se tornar mais uma ferramenta disponível para assinantes do Insider, ela vai se ser mais um bom motivo para acessar o serviço oferecido pela WotC (considerando que o processo de implementação de melhorias continue). Existe também a opção que ela seja retirada do Insider após o fim do período de testes e oferecida como um programa pago de forma separada (algo que o FAQ da ferramenta dá a entender como possibilidade). Nesse caso, é preciso analisar a ferramenta em comparação com outras similares, pagas e gratuitas. E nessa situação, é difícil considerar a qualidade e utilidade da mesma até ver sua versão final e saber o preço da mesma.

Torço para que seja incluído no Insider, mesmo que isso leve a um aumento no custo da assinatura. Isso aumentaria o número de usuários da VT, reforçaria o interesse no serviço oferecido pela Wizards e poderia vir a incentivar mais a prática de mesas online (algo que considero importante pois facilita a vida de jogadores mais velhos, como eu). É algo que pretendo usar, talvez não para campanhas longas mas para aqueles jogos ocasionais com amigos que moram longe ou gente com quem nunca vou ter a oportunidade de jogar numa mesa normal. E para isso, deve funcionar muito bem.

5 opinaram!

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  1. Ela permite jogos do Ad&d 1e em diante, o que já abre um pouco mais de opções além do D&D atual. E em teoria, daria para usar algumas das coisas em outros sistemas (como os mapas, a rolagem de dados, obviamente o chat e coisa do tipo, etc.).
    Mas na maior parte do tempo, concordo contigo. Valeria mais a pena pegar outra ferramenta, de preferência gratuita.

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