Watchmen: O RPG

Ainda na falta de empolgação gerada pela adaptação de Watchmen, resolvi falar um pouco sobre os dois suplementos que tinham a série como tema, lançados para o saudoso “DC Heroes RPG“. Muitas pessoas costumam a incluir o Watchmen Sourcebook como parte das publicações em RPG, mas a verdade é que este foi lançado bem depois…


Ainda na falta de empolgação gerada pela adaptação de Watchmen, resolvi falar um pouco sobre os dois suplementos que tinham a série como tema, lançados para o saudoso “DC Heroes RPG“. Muitas pessoas costumam a incluir o Watchmen Sourcebook como parte das publicações em RPG, mas a verdade é que este foi lançado bem depois dos dois primeiros. Seu conteúdo era voltado como uma colcha de retalhos complementar da série, ricamente composta por várias esquetes e informações nunca publicadas. Outra diferença importante, é que o Sourcebook, por ser datado de 1990 foi publicado sem a aprovação de Alan Moore que já se encontrava brigado com a editora na época.

Capa de "Who Watches the Wacthmen" de 1987
Capa de “Who Watches The Watchmen” de 1987.

O primeiro dos suplementos se chama “Who Whatches The Watchmen“, e se constitui de uma pequena aventura (36 páginas) situada na Nova York dos anos 70, anterior ao Ato de Keene que viria a banir para sempre os vigilantes mascarados (o que não ocorreu). O jogo possui cinco personagens principais, todos com suas devidas fichas explicitadas, são eles: Coruja, Espectral, Rorschach, Comediante e Ozymandias. Moloch, Dr. Manhattan e o Capitão Metrópolis também ganham suas fichas, ainda que se mantenham como NPCs.

A aventura consiste de uma trama relativamente noir, com o Capitão Metrópolis convocando os heróis para uma investigação a respeito de uma série de sequestros. As vítimas em boa parte são ex-Minutemen como Hollis Manson e Sally Júpiter. Toda a história perpassa o universo familiar da Nova York dos quadrinhos e muitos rostos conhecidos aparecem ao longo da história.

O suplemento, como já mencionado, é bastante curto. Ele foi desenhado por David Gibbons (ainda que 90% da arte seja advinda da própria HQ) e teve aprovação do Alan para ser publicado. Ele se esgotou rapidamente por que muitos não-RPGistas fãs de Watchmen acabaram o comprando, já que este suplemento é uma das poucas coisas extras que saiu com sua marca. A história, apesar de bastante divertida, não é nada demais além de uma tarde de nostalgia e entretenimento com os amigos, o que já é mais do que o suficiente para valer a pena joga-la. Outro fator muito legal, é claro, é poder interpretar estes fantásticos personagens.

Capa de "Taking out the Trash" de 1987
Capa de “Taking Out The Trash” de 1987.

O segundo livro, chamado “Taking Out The Trash“, foi lançado um pouco depois (mas ainda em 1987) e é bem melhor do que o primeiro. Mais uma vez temos a chance de jogar com os cinco vigilantes anteriores em uma aventura situada em 1968, novamente em um período antes do banimento das máscaras. Dessa vez o grupo se intromete em uma grande conspiração que envolve um senador americano com o crime organizado, a história é bem mais sombria e interessante que a anterior, e lembra o clima do quadrinho original. Diversos personagens famosos se relacionam com os jogadores (e há mais uma chance de bater no Moloch).

Entretanto o principal apetrecho deste segundo livro são os seus “extras”. Primeiramente ganhamos uma extensa cronologia da série, assim como pequenos artigos sobre os seus principais eventos (inclusive um onde se é debatido o plano de Adrian Veidt). Em seguida temos um ensaio em três páginas escrito pelo próprio Alan Moore batizado de “The World of Watchmen“. Para finalizar, temos as fichas de todos os personagens da HQ (quer dizer, todos os super-heróis, como o Moth e a Silhouette). O livro, e a aventura que o acompanha é bastante climática, seja esteticamente, com vários props para serem utilizados, seja no quesito narrativo, onde quase toda cena é intercalada pela leitura de um poema de William Blake e trechos inéditos do diário de Rorschach.

Enfim, recomendo a todos os fãs da minissérie que busquem por estes raros livros, pois eles definitivamente valem muito a pena de se ler e jogar. Para encerrar o artigo, um pequeno vislumbre de “Taking Out The Trash”: a ficha de Rorschach.

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8 respostas para “Watchmen: O RPG”

  1. Avatar de Paulo Martins
    Paulo Martins

    Eu tenho o Watchmen Sourcebook, que comprei durante uma queima da editora, que estava vendendo muitos pacotes com os jogos da DC. Se não me engano, no pacote vinha o livro básico da DC, um dos Novos Titãs e outro que não lembro. Mas na internet consegui achar estes do Watchmen escaneados. Vale a pena.

  2. a pena até vale, infelizmente esse livro só teve uma edição em 1987, ou seja, está esgotado há 20 anos… rs

  3. Na versão definitiva de Watchmen têm essa imagem da capa do rpg com o Comediante…

  4. Agora eu li e poxa, quero isso também… a DC ia ganhar muita grana lançando esse material num encadernado especial de Watchmen 😀

  5. Avatar de Daniel Braga
    Daniel Braga

    Eu tb comprei esse pacote.
    Alias, comprei e ganhei outro, dai doei para um amigo todos os livros repetidos, todos menos os meus watchmen. rs
    DC Heroes pra mim sempre foi, apesar de dificil, o melhor sistema de Heroes para criar personagem
    Boa lembrança, Fê

  6. Assim que eu tiver tempo vou fazer a conversão deles para M&M (como eu fiz com o Batman http://www.ambrosia.com.br/2008/07/24/batman-e-gotham-city-sourcebook/ ) e talvez para o DC Universe.

    1. Os únicos personagens que precisam de ficha propriamente dita são os cinco humanos… eu as faria para o WoD, inclusive por que o jogo tem muito mais clima para histórias como watchmen, do que os demais….
      Ou Gurps.

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