Teatro

Cláudia Raia comemora 30 anos de carreira com espetáculo autobiográfico entusiasmante no Teatro Oi Casa Grande

Pode uma artista ainda jovem para padrões artísticos aos 48 anos, recém completando 30 de carreira, fazer um espetáculo autobiográfico, contato sua história? Ou musicais que repassam carreiras são para os artistas já com idade avançada, ou mesmo falecidos? No caso da atriz e dançarina Cláudia Raia pode sim. Pois, para ela, o céu é o limite e o corpo é seu templo. Cláudia, como dito, está comemorando seus 30 anos de carreira, oficialmente iniciada na primeira metade dos anos 80, no programa Viva o Gordo, de Jô Soares, na TV Globo.

Para marcar a data redonda, Cláudia estreou em outubro, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, o espetáculo “Raia 30”, com texto ganho de presente de Miguel Falabella, onde ela passa em revista sua vida. Desde o iniciozinho de suas ambições artísticas, aos 7 anos, quando se apresentou ao coreógrafo americano Lennie Dale ( “Eu sou Maria Cláudia Motta Raia!”) e disse que dançava igual a ele, passando por sua ida, sozinha, a Nova Iorque para estudar dança, aos treze anos, por sua atuação em novelas como Sassaricando e Rainha da Sucata, até os dias de hoje.

Como ela disse na coletiva de imprensa em que apresentou o espetáculo, entusiasmo é uma palavra a define. E, como consequência, seu espetáculo, que conta com a participação de outros 14 excelentes atores-dançarinos, é entusiasmante do início ao fim. O espetáculo, extremamente caprichado no que se refere a cenários, figurinos e coreografia, é uma injeção de ânimo, com boas doses de humor e letras “entusiasmantes” para usar a palavra-Cláudia.

A trajetória da atriz é uma aula de garra e determinação. No espetáculo, Cláudia contracena em flashback em alguns momentos com figuras como sua mãe que, cedendo à insistência da atriz em busca da carreira artística, acaba aceitando e incentivando seus passos. Em uma das passagens, sua mãe pondera: “Sempre se pode melhorar minha filha”. E ela parece ter seguido à risca o conselho de sua mãe. Vendo Cláudia no palco esbanjando vigor e talento é impossível não se fazer a comparação com a atriz Marilia Pêra, falecida há dias, que também pautou sua carreira pelo amor ao teatro e aos musicais.

Pelo que demonstra ao público Cláudia orgulha-se de nunca ter fugido da raia e parece estar no rumo certo. “Caminhante, não existe caminho. O caminho se faz ao caminhar”, como ela mesma diz no espetáculo, citando o verso do poeta espanhol António Machado. E até mesmo este simples resenhista acabou, pela sorte de estar na terceira fileira do Oi Casa Grande, cruzando o iluminado caminho da atriz. Ganhar um beijo seu foi um grande prazer, Cláudia. E não foi apenas imaginação!

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