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Medeia: 1 Verbo

Adaptação do clássico Medeia de Eurípedes, agora rebatizada por Sérgio Roveri por Medeia: 1 Verbo com direção de Marco Antônio Rodrigues.

A tragédia ganha um formato que sucede ao ato criminoso de Medeia, o filicídio. Barbaridade infelizmente atual dentro das relações estreitas da família, e consequentemente sociais.

Já conhecida história da mulher que mata os dois filhos em vingança do marido Jasão (Zé Geraldo Jr.) que a troca por uma mulher mais jovem, Glauce (Ana Nero, histeria libertadora) filha do rei de Corinto, Creonte (Dagoberto Feliz, autoridade).

Também há a presença de Eurípedes (o próprio autor do original) dada por Gabriel Esteves de Castro, bem marcado.

A introdução da peça se faz a partir de um saco de lixo em que se encontra Eurípedes, com toda a riqueza do homem que perpetua a memória das histórias, contextualizando também a cidade de São Paulo nas suas violentas manifestações.

Ele cumpre o papel de narrador sem responder às especulações do coro sobre a culpa de Medéia nos crimes. Enquanto Eurípedes é o responsável pelo documento impresso na carne dos personagens, sendo a memória e atualidade, concomitante à peça, ele extrapola o estado primitivo que decorre das atrocidades e falta de certeza das investigações criminosas. Como o esquartejamento em São Paulo com a cabeça encontrada na Praça da Sé.

Medeia na presença profunda de Nani de Oliveira, aparece em cena com pertences, sem se ter a certeza e referência do local em que se encontra, carrega uma mochila, história passada traçada por Eurípedes no original.

Sabe-se que é Medeia, mas a dúvida é instalada sobre o ato de filicídio: a utilidade de um punhal no assassinato não representa o assassinato em si, o objeto não é responsável pelo crime. Mas a culpa de Medeia é sabida. A dúvida é esclarecida pois os objetos ditos e presentes nesta peça identificam os personagens na decorrência de um inquérito entre o coro, Creonte e Jasão.

Quando surge uma das mais belas justificativas no teatro para tal crueldade de Medéia.

O presente de Medeia a Glauce, futura esposa de Jasão (José Geraldo Jr.) desta vez não é carregado de bruxaria como no original. Sim, o desejo de mulher e mãe rejeitada pela ganância de poder do ex-marido, quer saber ser amada pelo o que ainda tem seu: o cheiro no vestido presenteado a Glauce, uma vez que não será mais o seu corpo em leito de matrimônio.

Ao mesmo tempo em que Glauce vaidosa aceita o presente, também está presa às determinações do pai. Apresenta-se em cena com uma gaiola na cabeça – seria a mais detestável madrasta tamanho desprezo pelos enteados.

Creonte por sua vez, como rei, é quem dá o desígnio aos personagens.

A montagem é moderna e permite novos significantes nos objetos cênicos, que não cumprem papel decorativo e sim função de linguagem, de determinação dos personagem à expressão e natureza urgente.

O coro (Marcella Vicentini, Alexandre Menezes, Ana Carolina Raymundo) compõe a costura do espetáculo à luz do tratamento de cada patologia dos protagonistas, eles vestem o moderno, mas o diálogo com o filicídio de Medeia é fiel à concepção grega no rebuliço e julgamento social.

medeia
Galpão Folias apresenta Medeía: 1 Verbo, projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo 24ª edição.

Temporada de 28 de Março a 31 de Maio de 2015
Sexta e Sábado 21h | Domingo 20h

Valores de ingressos
R$ 40,00 inteira
R$ 20,00 meia
R$ 10,00 moradores do Santa Cecília
50% de desconto para clientes Itaucard. Estudantes e idade igual ou superior a 60 anos

Localizado Rua Ana Cintra, 213
Santa Cecília – São Paulo – SP
Tel:3361-2223 – Metrô Santa Cecília
O teatro conta com estacionamento conveniado, há café no local.
As ruas são escuras e de difícil acesso, verifique uma rota.

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