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Requiém para o desejo

Da Pentalogia do Feminino, a Cia da Memória com direção artística de Ruy Cortez investigam a linhagem matrilinear.

Réquiem para o Desejo, do dramaturgo Alexandre Dal Farra, é uma adaptação contemporânea de Um Bonde chamado Desejo de Tennessee Williams em torno dos quatro personagens principais: Stella, Blanche, Stanley e Mitch.

A introdução é com a Melodia Sentimental de Villa-Lobos na voz de Denise Assunção, um piano atrás da divisória.

No cenário enxuto entra Gilda Nomace no papel de Blanche, a ação física adotada traduz o fetiche da crueza do sexo explícito, ainda sobreposto pelo figurino de Fábio Namatame.  Marcos Suchara no papel de Mitch entra para compor a cena, contundente, na medida que invade a propriedade alheia e hostiliza a recepção em sua casa. Mitch cerca Blanche como objeto de afeto e ataca sua condição de vida. A agressividade de Mitch quando mediada pela ação de Blanche revela irracionalidade, explosão e choque ao invés de luz, esclarecimento e diálogo.

A mudança da primeira cena para a segunda vem como declínio, fragmento e fratura justificado por ruído, cacofonia e intolerância desagradável na entrada de Ondina Clais no papel de Stella e Jorge Emil no papel de Stanley.

Stella gera o último fio de piedade à discrepância do apelo sexual, domínio da sedução, balança do desejo e delírio cativante de Blanche, porém Stella detém a noção de que o mundo é extensão de seu corpo, de seu trabalho, disciplina e que provém todos os bens, conforto, consumo e deleite.

Stella representa o valor prático em oposição à Blanche que representa a sensação e a vontade.

Stanley marido de Stella é o vazio existencial, insignificância universal, vigília que atinge o sono e aviltamento. Tudo que ele consumou e consumiu está exaurido e denota ferocidade e dissimula.

Mitch estabelece o hábito de demonstrar uma virtude de um sentimento inexistente.

A projeção de vídeo na voz de Roberta Estrela D’Alva e um manifesto “não-ficcional onde ecoam a palavra e a voz de artistas negras erigindo assim a imagem de um enorme edifício onde retumbam diferentes cantos de opressão, dominação, desejo, amor, morte e libertação.”

Das faíscas, fagulhas e brasa que faz arder, cintilar e brilhar é o deslumbre infantil, birrento e niilista.

A observação moral e o julgamento se extinguem numa rudeza e brutalidade que o abuso e a violação é chiste, pilhéria e malícia no neoliberalismo.

Encerra na voz de Denise Assunção com “Que tal o impossível?”, música de seu irmão, Itamar Assunção.

Ficha técnica

Texto: Alexandre Dal Farra
Dramaturgia: Alexandre Dal Farra e Ruy Cortez
Direção: Ruy Cortez
Preparação de atores: Marina Tenório
Elenco: Gilda Nomacce, Jorge Emil, Marcos Suchara e Ondina Clais
Cenografia: André Cortez e Carol Bucek
Figurino: Fábio Namatame
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS em todas as sessões: Denise Assunção (presencial) e Roberta Estrela D’Alva (vídeo)
Trilha original: Tomaz Vital
Sonoplastia: Aline Meyer
Vídeo: Aline Belfort
Produção executiva: Jessica Rodrigues e Victória Martinez
Direção de produção: Danielle Cabral

Serviço

Estreia dia 5 de outubro no Teatro do Sesc Ipiranga
Duração: 90min.
Classificação: 16 anos.
Ingressos: R$30 (inteira); R$15 (meia-entrada); R$8 (credencial plena).
Temporada: De 5 de outubro a 4 de novembro. Sextas e sábados às 21h e domingos e feriados às 18h.
Não haverá espetáculo no dia 7/10. Haverá sessão na quinta dia 01/11 às 21h.
SESC IPIRANGA – Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga
Horário de Funcionamento: Terça a sexta, das 7h às 21h30; aos sábados, das 10h às 21h30; domingos e feriados, das 10h às 18h30. Capacidade: 198 lugares.
Informações: (11) 3170-4059.

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Renata Bar Kusano

Publicado por Renata Bar Kusano

Alegre, mas às vezes triste.
Estudou teatro na Escola Célia Helena e Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP.
Teatro como fuga da realidade para encontrar na arte resposta da vida.
Formada em Publicidade e Propaganda pela FAAP, uma parábola das questões existenciais a alma do negócio é escrever.