em

“Game Of Thrones” paga o bom preço de sua complexidade

Muito badalada desde meses antes de sua estreia, Game Of Thrones chegou a seu final comprovando a alcunha de seu livro homônimo, do autor George R. R. Martin, que sob o manto épico da fantasia, versa sobre o consistente jogo de intrigas pelo poder de um reinado fictício.

Claro que o DNA HBO é um fator propulsor de grande parte de seus méritos, principalmente no tocante às corajosas cenas de sexo, violência ou até mesmo de esteios dramatúrgicos. Quem não ficou sem ar com a cena criminosa no finalzinho do primeiro episódio? E quando um importante e principal personagem é morto, num take ao mesmo tempo tenso e poético?

Mas talvez o que tenha tirado muito (mas muito mesmo) do brilhantismo da série foi a visível irregularidade de seus episódios. Como se trata de uma trama complexa que agrega muito personagens, ficava impossível fugir de longos episódios introdutórios que afetavam diretamente o ritmo do roteiro. O quarto episódio, por exemplo, é um dos mais fracos e apáticos. Claro que éramos recompensados com capítulos bem tensos e, sobretudo, intrigantes; afinal, o grande lance da série é o de contar a saga pelo poder de uma forma multifacetada tanto do ponto de vista humano quanto da alegoria fantasiosa de sua matéria prima literária.

Os roteiristas, David Benioff e David B Weiss, apesar dos problemas de lapidação geral, entregavam diálogos memoráveis e sinalizam que uma segunda temporada impecável está por vir. Até pelo perfil dessa primeira temporada, mais, digamos, “apresentativa”, dá sinais de que desenvolvimento mesmo se mostrará na evolução do que foi mostrado até aqui.

O elenco, em geral, é muito bom. E isso se estende ao núcleo infanto-juvenil, com personagens muito bons e profundos entregues a atores de pouca idade, mas de talentos assombrosos. Mas o grande destaque – tanto pelo estofo cênico, quanto pela assertiva leitura de seu personagem – é o ator Peter Dinklager, que dá vida ao anão Tyrion Lannister, herdeiro do trono subestimado. Suas cínicas divagações e seu olhar expressivo sobre o caos tornam toda aquela “parábola” fantasiosa em algo facilmente assimilável. Como se o seu personagem fosse a ligação principal das metáforas humanas e atemporais da história.

Mesmo não sendo perfeita, Game Of Thrones ainda é, de longe, uma das melhores coisas na TV hoje, só pelo fato de não idiotizar o público buscando soluções fáceis em um gênero como o da fantasia.

Na última cena do episódio final, temos a exata certeza de que ali, ninguém – nem criadores, nem criaturas, estão para brincadeiras…

4 opinaram!

Deixe sua opinião!
  1. Obrigado pelo SPOILER, o ultimo episódio da série só vai passar no Brasil nesse domingo…filhos da puta! E logo no Banner principal do site…

  2. não quer spoiler,le o livro rs…
    o maior defeito que eu acho foi o decorrer rápido.sei que é exigir demais,mas poderia ter mais episódios,dividindo os eventos mais calmamente.não que tenha ficado ruim,mas se ja vai ter que ter mais episódios nos livros seguintes(lembrando que o 1° livro é o menor),por que não colocar mais episódios na 1ª temp?

Participe com sua opinião!

Ativista

Publicado por Renan de Andrade

VerificadoEscritorPromotor(a)CinéfiloMusicólogoFanáticos por SériesSuper-fãs

Ambrosia na Flip 2011: Confira a programação

A Fera – Mais um conto de fadas moderno…