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"Looking" acerta ao universalizar velhos paradigmas gays

Enquanto o Brasil ainda engatinha na radiografia televisiva do universo gay para além de caricaturas vis, o resto do mundo tem ido muito mais além que liberações políticas do casamento gay. Cada dia mais estão entendendo (exceto a descabida Rússia) que homossexual é uma orientação sexual, pura e simples, e não uma indicação social para julgamentos comportamentais. Looking, série da, claro, HBO que faz um interessante retrato sobre três amigos e seus cotidianos na mesma Califórnia que emblemático político Harvey Milk lutou pela dignidade gay nos idos anos 1970. Poderíamos classificar apressadamente que trata-se de versão Sex And The City, ou mais aproximado, Girls da vida gay, mas seus oito episódios provaram que o enfoque pode parecer estruturalmente parecido, mas o mais importante é se impor como uma verdadeira crônica sobre como não há nichos (nem sexuais) nas relações humanas. Patrick (Jonathan Groff), Dom (Murray Bartlett) e Augustín (Frankie J. Alvarez) têm questões, expectativas, desejos e conflitos que são caros à qualquer pessoa.
Looking reforça bastante este tema. A série começou devagar, com um episódio de estreia bem anticlimático e sem grande carisma destacável entre seus protagonistas. Mas ao longo da micro temporada, foi melhorando de acordo com a evolução conjunta das tramas. Seu fim, foi melancólico, mas extremamente crível e assimilável. Imagino perfeitamente um heterossexual assistindo, até tendo algum estranhamento inicial, mas completamente envolvido no fim com aqueles personagens. Tudo pela simples percepção que a classificação sexual se restringe à vida pessoal. Esse é o grande êxito da série, com sua simplicidade narrativa, sem afetações, caricaturas e tipificações. Existem gays sonhadores e conservadores. Existem os libertários e conflituosos. Existem até os que se ressentem pela crise da meia idade. Mais do que tudo, existem e ponto. Looking tem que ganhar cada vez mais “adeptos”. A noção de normalidade começa com a desconstrução de velhos paradigmas sociais. A ignorância é primeira delas. Mais uma vez, obrigado HBO!
https://www.youtube.com/watch?v=I1u1CkRFVRs

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