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O seriado “Sob a Redoma” faz jus a loucura de seu autor

Provável que quem vá ler este artigo me entenda mau. Não tem problema, ainda assim, espero que leia até o final. O fato é que Stephen King não é mais o mesmo tem um bom tempo. Desde que sofreu um acidente em 1999, algo dentro dele mudou para sempre. E o que no início era considerado genialidade, hoje em dia passou a ser questionável. Suas obras que antecedem a este ano como Salem, À Espera de Um Milagre, O Iluminado são sensacionais, histórias incríveis, que comovem e espantam, mas que contam também com uma pequena dose de moral.
Diferente do que tem acontecido ultimamente com seus trabalhos, vide o seriado inspirado em seu livro de mesmo nome “Sob A Redoma”.

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Em um dia aparentemente normal, vemos um homem (Mike Vogel) cavando uma cova. Ele despeja um corpo e tapa o buraco. Ao seguir em uma estrada, vacas cruzam seu caminho e ele precisa fazer um rápido desvio danificando o veículo. É quando de repente um tremor começa e algo parece cair do céu, dividindo uma vaca ao meio. Um garoto (Colin Ford) vem correndo oferecer ajuda e os dois se deparam com uma espécie de barreira de vidro. Lá no alto, um avião se choca nessa parede invisível e destroços caem no chão. O homem salva o menino, e é quando a polícia chega. Eles não sabem como, mas essa barreira parece se estender por muitos quilômetros e dividiu a cidade de Chester’s Mill, deixando parte de seus moradores dentro dela e parte do lado de fora. A jornalista Julia Schumway (Rachelle Lefevre) começa a se preocupar com o fato de seu marido ainda não ter aparecido. Enquanto isso, o vereador da cidade Jim Reine (Dean Norris) tenta tranquilizar os moradores visando ganhar mais eleitores. Na rádio local, os DJ’s ouvem uma frequência onde os militares passam a chamar a barreira de “redoma”. Rapidamente a notícia se espalha e começa a gerar um certo pânico, para desespero das autoridades locais que estão escassas. Em poucos dias, estratégias passam a ser feitas e segredos antes escondidos, presos naquela situação atípica, estão prontos para se libertarem a qualquer instante. Alianças serão feitas e desfeitas em uma cidade isolada do mundo, onde seus habitantes remanescentes farão de tudo para conseguir sobreviver.

Blue on Blue

*Spoilers à frente. Siga por sua conta e risco*

O intuito do seriado é louvável, mas ao longo de 13 episódios, acaba por se perder completamente em seu próprio devaneio. Nem a excelente produção de Steven Spielberg, ou a supervisão do próprio autor conseguem salvar. Tampouco é uma ideia nova para King, que já havia explorado a mesma temática no filme “O Nevoeiro” de 2007, baseado em um dos seus contos. Dessa vez ele apenas ampliou esse universo ao propor que observássemos o comportamento dos habitantes de uma cidade pequena ao se verem limitados a um espaço físico e obrigados a ter uma convivência social. King teoriza sobre a psique humana e os diversos tipos de reação que cada um tem, dependendo da situação em que são postos, mostrando muitas vezes sua verdadeira natureza. O que obviamente é extremamente interessante, mas que cai por terra, quando ele resolve colocar alienígenas(??) na trama, perdendo assim o sentido real e a credibilidade do seriado.

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Se o principal era mostrar o comportamento humano diante de situações adversas e usando de personagens extremamente ricos para ilustrar, não havia a menor necessidade de explicar qual era a origem da redoma. Que deixasse a encargo do espectador especular sobre o mesmo ou que mostrasse uma possível origem, mas, sem aprofundar muito, perdendo assim o ritmo ótimo em que caminhava o seriado e, principalmente, o foco. O que é uma pena, pois conta com um elenco incrível e dedicado, mas só vale os seis primeiros episódios, pois o resto é passável.

“Sob A Redoma” foi dividido em duas partes e a segunda irá estrear somente no verão americano de 2014.

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Publicação Melissa Andrade