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Westworld promete ser mais um acerto da HBO

“Westworld” é um filme de ficção científica escrito e dirigido por Michael Crichton que, 43 anos após sua sua estreia no cinema, agora chega à TV. A série da HBO, uma das mais esperadas do ano, estreou no último domingo já com semblante de campeã. É a maior audiência de estreia do canal desde “True Detective” e teve o dobro da outra grande aposta do canal este ano, “Vinyl”.

Desde o início da década de 1990, a Warner Bros. estava considerando realizar um remake de “Westworld”, e o plano ganhou força após o sucesso de “Jurassic Park”. Posteriormente à saída de estúdio da executiva Jessica Goodman, em 2011, o projeto foi novamente considerado. O remake não aconteceu, mas em 31 de Agosto de 2013, foi anunciado que o canal de TV a cabo HBO tinha encomendado um piloto para uma potencial versão da história no formato série de televisão, criada e escrita por Jonathan Nolan e Lisa Joy. J. J. Abrams e Bryan Burk se juntaram a Nolan e Lisa na produção.

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A série nos traz a fictícia Westworld, uma cidade do oeste americano do século XIX, que na verdade é um parque de diversões temático tecnologicamente avançado. O vilarejo é habitado completamente por androides sintéticos apelidado de “anfitriões”, que atendem aos visitantes pagantes, chamados por eles de “recém-chegados”, também conhecidos como “hóspedes”. Esse público, formado essencialmente por endinheirados, pode fazer tudo o que quiser dentro dessa experiência imersiva realística do velho oeste, desde ingênuos passeios a cavalo a matanças a mão armada e agressões aos habitantes-robôs, sem medo de retaliação.

No primeiro episódio somos apresentados a Dolores (Evan Rachel Wood), uma “anfitriã” que vive com seu pai em uma fazenda, e ao pistoleiro (aparentemente) valoroso Teddy (James Mardsen). O defeito que alguns androides começam a apresentar força a equipe responsável pelo parque a tomar uma decisão que resolva o problema e ao mesmo tempo não interfira na visitação e, consequentemente, nos lucros. Até um recall é cogitado. Daí, é suscitada a questão existencial em torno dos mechas, algo que remete (de leve) a “Blade Runner” e a Isaac Asimov, e seria bastante adequado que se aprofundasse ao longo dos 9 episódios vindouros. Como o tempo da série bem mais elástico do que de um longa metragem, esses temas podem ganhar contornos interessantes. Resta torcer para que não seja desperdiçado.

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Como é de praxe na HBO, “Westworld” é uma produção bem cuidada e o episódio piloto cumpre bem a tarefa de fazer a apresentação e deixar o espectador curioso para os próximos capítulos. Do que se pôde ver, teremos boas atuações como a de Ed Harris, na pele de um misterioso homem-de-preto visitante do parque. Outro que merece destaque é Anthony Hopkins como o Dr. Robert Ford, o diretor criativo de Westworld. Embora apresente, em certos momentos, algumas nuances que lembram o milionário John Hammond de “Jurassic Park”, a mais famosa adaptação de um livro de Crichton, Ford é mais uma inspirada composição do ator.

A linguagem, tanto narrativa quanto cinematográfica, segue o viés poético, mas também aposta no espetáculo, como na apoteótica cena de tiros ao som de uma versão instrumental de ‘Paint It Black’ dos Rolling Stones (no capítulo há um versão instrumental de outro clássico do rock, ‘Black Hole Sun’ do Soundgarden), em que temos aparição do brasileiro Rodrigo Santoro. Ali é o velho bangue-bangue desfilando em sua quintessência. Os esforços da HBO são para que “Westworld” herde a coroa de “Game of Thrones” como principal produto da emissora. Só o tempo dirá, mas ao que tudo indica, vem por aí mais um produto de qualidade, zelando pelo selo de qualidade que já associamos à marca.

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Publicação Cesar Monteiro