Sabe aquela canção que foi concebida durante um término de relacionamento? Quem não sofreu e trocou de “penas” como um pássaro na mudança da canção, ops, estação? Se a filosofia estuda as noções ou os conceitos, a música reflete a alma do enamorado, não vou dizer amante, pois este é um aventuroso sob as vestes do desejo e quando bebe do amor diz que foi alcoolizado por uma dose de desdita. Como se amar fosse incipiente, desejo o recipiente de todo bom copo, ops, corpo.

Vi-me embebido em doçura ao ler os poemas de Paula. Estou nesta de bisbilhoteiro de um amor contado. Uma epopeia amoral e maioral de um terminar os laços e percalços de uma relação que zunia ser longa como uma travessia de um a-mar. Amor que parte, mas que mal se pergunte, parte para qual parada? Imagino eu lendo o livro de Paula Autran, Amor que parte pela editora Patuá numa estação ouvindo uma outra estação na terceira estação: Outono. Folhas que caem e se renovam?

Vi-me bisbilhotando a leitura – este ato em si meio entrão – de compartilhar da vida de alguém. Paula nos fascina! Pelo tom afetuoso em que puxa o leitor-ouvinte dos seus poemas tão bem cancionados em métrica e estética. Sua habilidade em puxar fio a fio imagens principalmente sobre naufrágios e abordá-los ao seu cancioneiro afetivo sobre laços e perdas criando uma relação entre vida e obra, entre público e privado. Não me senti um intruso nestes versos, pois Paula é uma ótima cicerone poética de olhar o afeto.

Seus poemas tem um forte teor íntimo sem, no entanto, ser condescendente com eles. Há uma entrega da poeta ao seu afeto, todavia não se diminuindo como referente, como pessoa, que deseja e precisa. “Amor que parte” universaliza o que Vinicius de Moraes já declamou em seus livros. A canção de um amor findo é muito mais que lindo quando versado, às vezes nem conversado, pois de papo de botequim e psicanálise todo mundo já tem um pouco. O que difere é que a canção é eterna ( enquanto dure) enquanto o verbo da análise por demais con(centrado).