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The Who e Guns: uma breve análise da trajetória das bandas

Hoje no Rock In Rio tem Guns N’ Roses, a banda mais amada do público roqueiro do Brasil. Mas antes, haverá um show que, até pelo ineditismo, já é considerado histórico antes de acontecer: é a estreia do The Who em solo carioca. E pode ser a única chance de ver a banda que divide importância com os colegas de british invasion Beatles e Rolling Stones. Segundo os integrantes, a atual turnê é uma despedida. Analisando ambas as trajetórias podemos constatar que, apesar das diferenças de estilo e época, há pontos em comum. Confira abaixo:

Início

The Who

O que pode ser considerada a gênese do Who foi um grupo de “trade jazz” montado por Pete Townshend e John Entwistle, chamado The Confederates. Townshend tocava banjo e Entwistle trompa (instrumento que ele continuaria a usar no Who e em sua carreira solo). O vocalista Roger Daltrey conheceu Entwistle na rua (enquanto este último carregava seu baixo pendurado no ombro) e o chamou para entrar para sua banda. Entwistle concordou e sugeriu Townshend como guitarrista. O nome The Who veio depois da entrada do baterista Keith Moon. A essa altura, a banda fazia um som calcado no rythm n’ blues e soul. Por um breve período usaram o nome High Numbers e lançaram o compacto “Zoot Suit / I’m The Face”. Não obteve sucesso comercial e o nome The Who voltou a estampar o letreiro das apresentações.

Guns N’ Roses

A banda surgiu da fusão do nome de duas bandas de Los Angeles: o L.A. Guns e o Hollywood Rose. A formação original tinha Tracii Guns (guitarra solo), Ole Beich (baixo) e Robbie Gardner (bateria) da primeira e o vocalista Axl Rose e o guitarrista Izzy Stradlin da segunda. Depois, Beich foi substituído por Duff McKagan, enquanto a falta de Tracii Guns nos ensaios levou à sua substituição por Slash. O baterista Steven Adler, que havia tocado com Slash no Roadie Crew, veio a substituir Rob Gardner.

Debut

The Who

O primeiro disco do The Who é uma poderosa engenharia sonora promovida pelos quatro músicos inexperientes, mas com muita munição para disparar. Uma das melhores estreias da História do rock.

Guns N’ Roses

“Appetite for Destruction” consta em praticamente todas as listas de melhores álbuns de hard rock de todos os tempos. Nele temos uma banda disposta a mostrar serviço e vociferando toda a ira de quem está na inglória luta pelo sucesso. Ele veio, mas cobrou um preço a seguir. Mas isso é outra história.

Auge

The Who

Em 1967 a banda aproveitou a onda psicodélica e deu um audacioso passo criativo com The Who Sell Out. Em seguida veio a ópera rock Tommy. Depois de turnês com apresentações antológicas como a de Monterrey, Woodstock e Ilha de Wight, chegaram à década de 70 com maturidade artística (e sem a sombra dos Beatles, que haviam acabado). “Who’s Next” é o disco que confirma o ponto alto.

Guns N’ Roses

O auge da carreira do Guns foi no início dos anos 90, durante o lançamento do disco duplo “Use Your Illusion”. Era sem dúvida a banda mais poderosa do planeta, e embarcaram em uma vitoriosa turnê mundial (que chegou ao Brasil no final de 1992). E foi também o princípio do fim.

Brigas

The Who

A banda nunca se deu bem. As brigas eram uma constante entre os quatro membros. Mas por um motivo misterioso eles nunca se separaram. Os desfalques se deram pela morte de integrantes. No entanto, hoje, Roger Daltrey e Pete Townshend têm uma boa relação.

Guns N’ Roses

O primeiro a sair da banda foi o co-fundador Izzy Stradlin, em uma ruptura traumática. Depois de brigas constantes durante a turnê Use Your Illusion Slash resolveu sair em 1996. Matt Sorum, baterista que substituiu Steven Adler em 1990, saiu em seguida. Logo Duff McKagan também pediu o boné. Foram anos de trocas de ofensas entre Axl e Slash via imprensa. Um reconciliação parecia impossível.

Reunião

The Who

O The Who nunca acabou. Chegou a anunciar o fim das atividades em 1982, mas no ano seguinte já estava realizando shows. Mas a volta “em definitivo” se deu em 1999.

Guns N’ Roses

Depois de muita especulação, a reunião dos membros da formação clássica aconteceu em 2016. Porém não integralmente, já que Steven Adler e Izzy Stradlin não toparam. Mas Slash e Duff de volta já foi o suficiente para fazer a alegria dos fãs.

Hoje

The Who

O The Who hoje é uma dupla. O baterista Keith Moon e o baixista John Entwistle morreram (em 1978 e 2002 respectivamente). O baterista Zak Starkey (filho de Ringo Starr) e o baixista Jon Button são os músicos de apoio que os substituem. O irmão de Pete, Simon Townshend dá um reforço com a guitarra de base. E ainda há Frank Simes no teclado, backing vocals e direção musical.

Guns N’ Roses

Além de Axl, Slash e Duff estão ali o tecladista e pianista Dizzy Reed, que os acompanhava na turnê Use Your Illusion. Completando o time estão o guitarrista de base Richard Fortus, o baterista Frank Ferrer, que já integravam a formação anterior, que tinha apenas Axl da formação original. A novidade é Melissa Reese, que assume os teclados, backing vocals e ainda opera uma espécie extensão da mesa de som que dá uma encorpada sonora.

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Publicado por Cesar Monteiro

Cesar Monteiro

Um viciado em cultura pop que adora compartilhar seu vício com o maior número de pessoas possível

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