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A poesia musical no novo livro de Jorge Salomão

“Alguns poemas e + alguns” (Editora Rubra, 2016), é o livro mais recente do poeta e ativista cultural Jorge Salomão. Em versos do autor, ele não se define poeta, mas malabarista “e dos piores que existem/quando vou andar no arame/logo caio no chão”. Por conseguinte, o que encontramos é um livro flexível e ritmado, densamente poético em jogos de palavras, metáforas e experimentalismos. Poemas circenses no melhor significado da expressão, com literariedade voltada ao encantamento e desprendida de preconceitos ou fórmulas batidas.

Jorge Salomão trabalha com versos livres, na maior parte das vezes curtos, e rimas não obrigatórias. O que mantém a harmonia são as imagens construídas entre um e outro verso; é o ofício do palavra-puxa-palavra trabalhado como imagem-e-som-puxa-imagem-e-som. Por conta disso, fica notável que as metáforas e sons poéticos nunca soam exagerados ou despropositados, ao contrário, ambos, ritmo e imagem, obedecem uma lógica que encanta e soa bem aos ouvidos. Como grande parte dos versos são curtos, o poeta alcança maior engenho porque consegue atingir harmonia e beleza em pouco espaço. Um drible no leitor.

Alguns poemas não contêm títulos. Utilizando a metáfora circense, é como se nos faltasse a rede de segurança que agarra os trapezistas em caso de queda. Por consequência, a omissão adiciona expectativa e adrenalina às poesias. Outra opção do autor é a repetição de uma palavra no início de alguns versos; a técnica intensifica o som e o significado por vezes entregando novo sentido ao vocábulo. É como se o ritmo frequente da palavra martelasse a rocha da poesia e fragmentasse em camadas nossas interpretações do cotidiano presente no verso. Paralelamente, então, o autor retrabalha a imagem externa e a nossa significação interna da palavra e do poema.

Quanto aos assuntos abordados, o leitor encontrará versos ancorados no cotidiano, metapoemas, poemas íntimos, poemas descritivos, questionamentos e poemas niilistas. No geral, são versos que servem a função declamatória da poesia com todo o mérito de construírem jogos sonoros de ritmo e rima para o deleite dos ouvidos.

Por fim, temos que “Alguns poemas e + alguns” é prodigioso em assonâncias, aliterações e sinestesias bem construídas. Uma obra indicada aos apreciadores de poesia e que deve ser referência também aos novos poetas que procuram criar imagens rocambolescas, por vezes chocantes, mas pecam por terem pouco domínio da sonoridade da Língua Portuguesa.

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