Pic897073
AcervoCríticasRPG

Asara, e façamos as torres mais altas nas terras do Califa

Que tal se tornar um dos grandes arquitetos a serviço de um califa? Em Asara (Ravensburger, 2010), nos coloca no lugar de um, com o objetivo de construir as torres mais altas e belas que pudermos.

Visão Geral do Boardgame

Bem-vindo a Asara, a terra de 1000 torres. O califa convocou uma competição para embelezar o terreno com torres feitas com os melhores materiais. Iremos ser um dos 4 arquitetos renomados da terra, que atendeu a esse chamado e com seus compradores vão obter os melhores materiais de construção para erigir as maiores criações que o homem já viu!

Com a temática medieval fantástica, o jogo é um eurogame com as seguintes mecânicas: Gestão de Mão, Alocação de Trabalhadores e Construção a partir de Modelo.

Criado pelos designs alemães Michael Kiesling e Wolfgang Kramer, mesmo criadores de jogos como Torres (1999), Riverboat (2017), Heaven & Ale (2017) entre outros; Asara é um jogo muito bonito, desenvolvido para causar essa impressão.

Conteúdo

O jogo vem em uma caixa de tamanho de jogo de tabuleiro padrão, com dimensões de 30 cm x 30 cm x 7,5x cm (medidas muito semelhantes às das caixas de outros jogos como Game of Thrones ou 7 Wonders ), com peso aproximado de 1,7 kg.

O conteúdo da caixa é: 9 peças do tabuleiro; 20 peças da base da torre; 20 peças de segmento de torre; 25 peças de segmento de torre com janela; 20 peças de pináculos de torre; 15 peças do segmento da torre com janela iluminada; 45 Cartões de Agente (9 de cada uma das 5 cores: azul, amarelo, roxo, verde e laranja); 4 marcadores de pontos de madeira; 1 marcador de ano de madeira; 1 Favorito do califa em papelão; 25 moedas de papelão de 1 valor; 16 moedas de papelão de 5 valores; 11 moedas de papelão de 10 valores e 4 telas de papelão removíveis para cada jogador (com um resumo das regras).

No interior encontramos um tabuleiro de puzzle de 9 peças, que nos permite montar um tabuleiro octogonal em poucos momentos (bastante grande, é preciso dizer, precisamos de uma boa mesa se 4 «arquitetos» jogarem). A cruzeta central se encaixa como uma peça de quebra-cabeça e os cantos ‘se encaixam’, embora sem qualquer conexão física.

Mecânica

Em Asara faremos o papel de um dos arquitetos ao serviço do califa para tentarmos mostrar que somos os melhores. Para isso teremos que construir as torres mais altas e vistosas que deslumbrem todos aqueles que as contemplam. É um jogo de construção de itens com colocação de trabalhadores e gerenciamento de mãos de cartas, como já abordamos na Visão Geral.

Conceitos Básicos

O conceito mais importante da Asara é a questão dos Agentes. Cada jogador terá em cada ronda uma série de agentes em mãos (são 5 cores diferentes), que serão os trabalhadores que poderemos enviar aos diferentes mercados para obter os elementos necessários para elevar as nossas torres.

Cada área do tabuleiro terá locais para colocarmos esses agentes. A diversão é que quando um jogador coloca o primeiro agente em uma zona de mercado, ele define essa zona com a cor do agente colocado. Ou seja, para que os restantes jogadores possam aceder àquela área do mercado, terão que colocar um agente da mesma cor do primeiro..

Assim que acessarmos uma área de mercado, podemos comprar um elemento de torre, pagando o custo com base no tipo de torre a que pertence. É aqui que aparece o dinheiro, que é o recurso que usaremos ao longo do jogo para obter os diferentes segmentos de torres.

O jogo consiste em turnos onde iremos enviar, primeiramente, um agente (jogar uma carta) e em seguida jogar a ação correspondente. Podendo ser realizadas nesse momento diversas ações, dependendo da área escolhida, exemplos: comprar partes da torre, obter recursos extra, subornar ou mesmo pedir o patrocínio do Califa. A rodada (O ano) finaliza quando cada jogador já tenha usado todos seus agentes no tabuleiro.

É um jogo rápido, variando de 45 a 90 minutos, podendo ser jogado por 2 a 4 jogadores. Cada jogador assume o papel de um magnata da construção, arquitetos ricos que querem aumentar seu prestígio com o califa da cidade de Asara. Em quatro anos (4 rodadas) competirão para construir as torres. Para tanto precisam dos agentes, que comprarão as diversas partes das torres no mercado. Os preços variam de acordo com o material, e é nessas partes que o prestígio dos arquitetos poderá ser aumentado. No final do jogo, o arquiteto que tiver mais pontos de prestígio será o vencedor.

Análise

Asara é um jogo com regras fácies, simples e rápido, com várias estratégias, mesmo que não pareça. É um jogo que o obriga a controlar ao máximo todos os seus rivais, pois cada ação que eles realizarem certamente modificará seus planos.

Seu visual é belíssimo e estranho não tenha tido mais impacto. Bem estruturado em termos de jogabilidade e estratégia; funciona muito bem com qualquer número de jogadores, embora o ideal seja jogar com 4 jogadores, onde a competitividade a cada ação é maior.

Não vai agradar aos jogadores que gostam de muita complexidade, embora venha com regras adicionais para adicionar mais dois elementos ao jogo. Como um jogo importado, o manual não está em nossa língua, mas alguns sites já traduziram e podemos encontrar a versão em português com facilidade.

Em relação aos materiais e à apresentação, é um jogo muito detalhista por isso seu preço. As ilustrações do tabuleiro, das cartas e dos segmentos das torres são super detalhada, material de boa qualidade, feito para durar; mesmo com as cartas e o material da torre frágeis, o entorno merece do material merece atenção.

Um eurogame bem desenvolvido, que vale conhecer. É um jogo ideal para toda a família, ideal para apresentar às pessoas este mundo maravilhoso, pois é um Eurogame com tons de Family Game, fácil de manusear, com ritmo, colorido, e que depois de finalizá-lo, você realmente quer jogar novamente.

Nota: Ótimo – 3.5 de 5 estrelas

Deixe um comentário

Sugeridos
Leste do eden ambrosia critica
CríticasSériesTV

Leste do Éden constrói um linda história sob olhar cortante

Existe uma carga poética e quase inescapável na adaptação de Leste do...

The Holy Gosh Darn
CríticasGames

The Holy Gosh Darn: o roteiro salva o céu

Confesso que não me motivo muito com jogos sem muita mecânica de...

Voidwrought
CríticasGames

Voidwrought: faz o óbvio melhor que todo mundo

Às vezes basta fazer o óbvio melhor do que todo mundo, e...

Contos Paralelos
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – “Contos Paralelos” e a Fronteira Difusa Entre Fato e Ficção

Asghar Farhadi constrói elaborado meta-drama parisiense inspirado em Kieślowski e Hitchcock, que...

The Royal Writ
CríticasGames

The Royal Writ: bonito, polido e cheio de regra

Deckbuilder roguelike virou quase um gênero de prateleira própria depois de Slay...

Feito Pipa
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – Feito Pipa é comovente em uma história de puro lirismo

Histórias coming of age são sempre um êxito na cultura pop, ainda...

The Stairwell
CríticasGames

The Stairwell: sustos gratuitos na escadaria infinita

Os jogos de “loop de anomalias” no estilo The Exit 8 viraram...

R Type Dimensions III
CríticasGames

R-Type Dimensions III: renomado, bonito em pixel art ou não

Tem franquia que dispensa apresentação, e R-Type é uma delas. R-Type Dimensions...

A Bola Preta
CríticasFilmes

Festival do Rio 2026 – “A Bola Preta” e o Peso da Memória Apagada

Há algo de profundamente mágico na atmosfera do Cinema Odeon durante a...