Games

Violência nos jogos é uma questão de liberdade de expressão

A primeira emenda da Declaração de Direitos da Constituição dos Estados Unidos da América trata da liberdade de expressão, religião e manifestação e lá esta regra é levada muito a sério por todos naquele país.

No estado da Califórnia, o então governador Arnold Schwarzenegger assinou uma lei em 2005 que proibia a venda de jogos, considerados para adultos (classificação M), para menores de 18 anos em qualquer loja do estado. Insatisfeito com a lei, o Entertainment Merchants Association levou o caso até os tribunais e agora, após semanas de debates, a Suprema Corte dos EUA declarou que o estado não pode regulamentar e por consequência, censurar jogos de conteúdo considerado restrito, e sua venda.

Segundo o voto do juiz da Suprema Corte, Antonin Scalia, “O princípio mais básico – que o governo não tem o poder de restringir a expressão em razão de sua mensagem, ideias, tema e conteúdo – está sujeito a uma pequena gama de exceções para expressões historicamente desprotegidas como obscenidades, incitação e palavras de luta. Mas a legislatura não pode criar novas categorias de discurso desprotegido simplesmente sopesando o valor de uma categoria em particular contra seus custos sociais e depois os punir se eles falham no teste.”

Traduzindo a um português claro, ele comparou os jogos eletrônicos a livros, quadrinhos e filmes e outros do mesmo âmbito em que há a proteção da liberdade de expressão por parte de seus autores. E ele ainda continua em seu voto: “Não há dúvida que o Estado possui poder legítimo para proteger nossas crianças de se ferirem, mas isso não inclui o poder livre de restringir as ideias aos quais nossas crianças serão expostas.”

Por fim, Scalia comentou que “não há tradição, nesse país, de restringir o acesso a material que contém violência às nossas crianças”, citando os livros dos Irmãos Grimm como exemplo.

As argumentações de ambas as partes sempre geraram debates não só nos EUA, mas no mundo todo, com alguns países editando leis que proibem a venda de games violentos, chegando ao ponto de banir alguns deles. A vitória da indústria de jogos eletrônicos é um marco, mais um passo na direção de reconhecer nestes mais um tipo de expressão cultural, deixando a cargo dos pais estabelecer os limites e acesso a este tipo de conteúdo. Enquanto isso no Brasil, querem aumentar ainda mais a censura prévia a jogos, não permitindo aos pais e jogadores o fator primordial em todas as nossas vidas: a liberdade.

Deixe um comentário

Sugeridos
Zombuffoonery
CríticasGames

Zombuffoonery: tem ouro aí, só faltou garimpar

Jogo de sobreviver a hordas de zumbi é quase um gênero próprio...

The Bathrooms
CríticasGames

Assustando o banheirão em: The Bathrooms

Desde que as Backrooms viraram febre na internet, não param de surgir...

Super Dev Quest
CríticasGames

Super Dev Quest: pula bem, mas não além

O que falar desse? Vou precisar de dedos pra tocar nesse assunto....

Street fighter fase bonus ambrosia
FilmesGamesNotícias

Street Fighter: fase bônus toma rua de São Paulo

Para celebrar a estreia do filme, ação criada pela Leo, combina carros...

BioWare
GamesNotíciasTecnologia

EA fecha BioWare, de Mass Effect e Dragon Age

A Electronic Arts anunciou uma grande reestruturação corporativa que resultará no encerramento...

Pit Panic
CríticasGames

Pit Panic é competente e jovial

Roguelike de plataforma vive daquela vontade de tentar só mais uma vez,...

Aggelos
CríticasGames

Aggelos 2: asas novas, mesmo caminho

Aggelos, de 2018, nunca escondeu a paixão por Wonder Boy, e a...

Final Fantasy Resonance
GamesNotíciasRPG

Final Fantasy Resonance resgata a essência clássica dos JRPGs

Na história recente da indústria dos videogames, poucas franquias carregam um peso...

Image
EsportesEtc.Games

Estatísticas de todos os Majors de CS2 e previsão para o próximo torneio

Cinco Majors, quatro campeões diferentes e uma equipe que chegou a três...

Roblox eleicoes
GamesNotíciasTecnologia

A eleição virou jogo: como o Roblox se tornou o novo palco da política no Brasil

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, comícios virtuais,...

Thunder Hoop Collection (QUByte Classics)
CríticasGames

Thunder Hoop Collection: o segundo conserta o que o primeiro estragou

A QUByte Classics juntou dois arcades da Gaelco na Thunder Hoop Collection:...

5b1aad8eff4579d3ed29f194435f3f49f629f6c64373b368cb390473a6029a9e
CríticasGames

Apidya’ Special: a abelha morre, a voz repete e a paciência acaba

Apidya’ Special é a refeitura de um shmup do Amiga lançado em...

Froggy Hates Snow
CríticasGames

Froggy Hates Snow quase frita o “Switão” em nome da diversão.

Um sapo, um deserto congelado e uma bolha de calor da qual...

Manairons
CríticasGames

Manairons e sua falta de “Tompêrro”

Manairons é um platformer 3D de ação que bebe do folclore catalão...

Kitchen Wars
CríticasGames

Kitchen Wars: o restaurante pega fogo, mas o cardápio é curto

Overcooked e Moving Out ensinaram muita gente a gritar com os amigos...

City Hunter
CríticasGames

City Hunter: divertido e mal maturado.

City Hunter nasceu em 1990 no PC Engine, baseado no mangá de...

Winged crédito Druzina Content (4)
AgendaGames

‘Winged’ fica gratuito para Android e iOS por tempo limitado

“Winged” é um jogo de plataforma que combina ação, aventura e literatura...

The Holy Gosh Darn
CríticasGames

The Holy Gosh Darn: o roteiro salva o céu

Confesso que não me motivo muito com jogos sem muita mecânica de...

Voidwrought
CríticasGames

Voidwrought: faz o óbvio melhor que todo mundo

Às vezes basta fazer o óbvio melhor do que todo mundo, e...

The Royal Writ
CríticasGames

The Royal Writ: bonito, polido e cheio de regra

Deckbuilder roguelike virou quase um gênero de prateleira própria depois de Slay...