AcervoCríticasFilmes

Crítica: "O Melhor Lance" é superficialmente interessante

geoffrey-rush-in-the-best-offer_5
the-best-offer2
24153

O diretor de “Cinema Paradiso”, Giuseppe Tornatore, volta às telas com o pseudo-thriller “O Melhor Lance”.
Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um leiloeiro de renome que possui certas excentricidades. Usa luvas constantemente, come e bebe sempre no mesmo local e prefere manter as pessoas afastadas. Possui vínculo apenas com Billy (Donald Sutherland), com quem tem um esquema para arrematar obras-primas raras e, assim, aumentar sua coleção pessoal. Porém, não se pode dizer que são verdadeiros amigos.

Oldman é contactado por uma misteriosa mulher que lhe pede uma avaliação dos bens que seus pais lhe deixaram de herança. Ele vai várias vezes à casa dela, mas, sem nunca encontrá-la. Intrigado e ao mesmo tempo curioso, Oldman passa a pedir conselhos para Robert (Jim Sturgess), a quem tem levado peças de um maquinário e deixado nas mãos habilidosas do jovem inventor para identificá-las e montá-las. Acontece que a senhorita Ibbetson (Sylvia Hoekes) sofre de um grave caso de agorafobia e vive trancada dentro das paredes de sua própria residência. Aos poucos, ela e Oldman começam a desenvolver uma relação, o que irá tirar os dois de sua zona de conforto. Diferente de tudo o que já sentiu na vida, Virgil se deixa levar por esse novo sentimento e baixa a guarda, não prevendo acontecimentos vindouros.
Com uma pincelada a la Hitchcock, “O Melhor Lance” não faz mistério quanto ao desfecho do filme. Contudo, isso não chega a estragar a trama como um todo, ainda que a enfraqueça.

Tornatore quis, na verdade, mostrar as diferentes nuances que regem as relações e como é possível falsificar qualquer sentimento por interesse. Mesmo sendo um especialista em arte, Oldman preferiu não se interessar pelo mundano e com isso, perdeu importantes lições que a vida possivelmente iria lhe proporcionar. Geoffrey Rush, como era de se esperar, tem uma atuação ilustre e não há defeitos a apontar. Jim Sturgess, o habilidoso inventor, tem um olhar meio alucinado em uma cena ou outra, mas desempenha bem seu papel. Diferente de sua colega Sylvia Hoekes, que se equivocou ao confundir agorafobia com robótica e atua como se fosse um ser artificial. Quanto a Donald Sutherland sua participação é pequena, mas, essencial para o enredo.

A fotografia de Fabio Zamarion e a direção de arte de Maurizio Sabatini são fundamentais para situar o espectador no contexto da história, ainda que não dê para saber em que local exato a ação se passa. Todas as peças de arte sejam elas esculturas, móveis, jóias ou pinturas, foram meticulosamente selecionados e de suma importância em um enredo onde a arte também é um personagem.
O grande defeito desse filme recai na duração de 131 minutos que acaba cansando o espectador e entregando o ponto final da história. Se não fosse por isso, seria um primor.

Deixe um comentário

Sugeridos
CríticasMúsicaShows

Após longo hiato, Flávio Venturini festeja 50 anos de carreira no Rio com show inspirado

Assistir a um show do cantor, compositor e tecladista Flávio Venturini sempre...

CríticasSéries

Segunda temporada de “Treta” fica aquém do brilhantismo da primeira

Você sabe o que é uma série de antologia? É aquela série...

CríticasFilmesLançamentos

Champagne (2026): uma inesquecível viagem de pai e filho

Ali pela metade do filme holandês “Champagne”, Hans está conversando com um...

FilmesNotícias

Frozen 3 e 4: Tudo o que a Disney revelou sobre o Destino de Elsa e Anna na D23

Josh Gad classificou o terceiro longa como o mais divertido da franquia...

FilmesNotíciasTrailersVideos

Vingadores: Doutor Destino — Tudo o Que a Prévia Revela Sobre o Colapso do Multiverso

O trailer de Vingadores: Doutor Destino (Avengers: Doomsday), apresentado na D23 Expo,...

CríticasFilmes

O Fim da Rua e o ensaio sobre a finitude

O Fim da Rua, produção assinada por J.J. Abrams e sua produtora...

FilmesNotícias

Ancine processa produtora de cinebiografia de Bolsonaro por gravações irregulares no Brasil

A agência abriu processo administrativo contra a norte-americana Go Up Entertainment por...

CríticasFilmes

“Homem-Aranha: Um Novo Dia” e a árdua tarefa de recomeço

Novo longa abraça a essência clássica do herói, longe das muletas do...

AgendaFilmes

12 filmes no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo

Na programação estão obras aclamadas pela crítica e que marcaram a história...