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Em novo álbum, “Vidas Pra Contar”, Djavan reitera seu próprio frescor

Djavan tem tanta propriedade sobre sua própria obra que pode fazer um disco basicamente marcado por variações melódicas de si mesmo, mas não necessariamente se repetir.

Vidas Pra Contar é um álbum que confirma o talento impressionante do cantor em tirar melodias sofisticadas de letras simplistas. E sua necessidade em trafegar pelos diversos gêneros ainda mantém-se muito bem marcada: há do xote “Vida Nordestina” até a valsa singela “O Tal do Amor” , passando pela sinuosidade jazzística de “Se Não Vira Jazz”, uma apropriação do gênero cada vez mais djavaneada. Sem nenhuma culpa pelo diálogo frequente com o grande público, apresenta “Encontrar-te”, típica canção romântica de novela, mas sem se ressentir dessa alcunha. Por outro lado faz de seu “Enguiçado” uma bem urdida mistura de gêneros.

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A música que tem puxado o disco nas rádios é a simpática “Não é um bolero”, mas  não tem como ficar indiferente a deliciosa “Só Pra Ser o Sol”, onde (re) encontramos aquele Djavanque brinca com a capacidade de criar melodias certeiras entre a objetividade do pop e a composição passional de uma balada. É o ponto alto de um CD que a todo momento aponta a perenidade poética e artística do cantor.

Djavan é fiel ao seu universo. Por isso não dá para ter meio termo ao entrar nele. Ou se gosta ou não. Algo como uma estética. Por isso que a a cada novo trabalho a sensação de valor afetivo se confunde com o frescor propositivo de sua obra.

Afinal, não tem como não ficar indiferente a uma letra como de “Aridez”, onde a bela voz de Djavan atesta: “não faz mal, você é água da fonte que irriga um coração feito pra bater pra sempre por você, amor…“. Tão simples, tão denso, tão Djavan…

https://www.youtube.com/watch?v=jRmT-3DSdR8

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