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Livro "A angústia e outros presságios funestos" peca por formalizar em excesso a dramaturgia do conto

Em um dicionário cabem nomes e suas definições. O que até poderia num jogo intertextual parir uma série de contos ou microcontos com as correlatas significações. A parte da definição já rendeu bons livros como “O Livro dos seres imaginários” do Jorge Luiz Borges, também, “O Livro dos nomes” da Maria Esther Maciel. E o conto por seu aspecto de tamanho fechado se preza a certas nuances com as fronteiras do encaixe ou do quebra-cabeça. Alguns escritores lançam mão de falsos livros de narrativa breve, fazendo uma costura bem sutil e perceptiva alinhavando o seu livro de contos num romance costurado.
O escritor Cesar Mazolillo estabeleceu certos liames formais para escrever seu novo livro de narrativas breves, A angústia e outros presságios funestos” (editora Gramma). Indiciou o livro com nomes dos personagem que aparecem como protagonistas os colocando como índice alfabético de A a Z. O que pode parecer um espectro da rica variedade de nomes com suas relações de personalidades, características humanas, pendores para certas ações.
Ao juntar pessoas entre as extremidades do alfabeto, demarcou-as com certa estrutura narrativa que serve de uma espécie de lei motivo que percorre a totalidade dos contos. Situações que fogem ao controle ou ao destino, criando lá pelos dois terços da narrativa uma enclave de suspense que dimensiona o conteúdo na narrativa para uma tensão com desfecho surpreendente.
Mas há algo que não tensiona ali muito bem, porque o autor resolve terminar seus contos sempre na mesma latitude da página. Como se houvesse um cálculo matemático para desfechar o enredo no rigor matemático da lauda.O conto é um animal que como disse o manobrista é para deixar solto, doutor. Sua ambiguidade vem do seu tamanho com eixo fechado mas também pela adivinhação do autor em fabular em cima de uma lauda branca onde pesam algumas divindades do conto como concisão, leveza, clareza e precisão. Essa relação entre o magma textual já escrito e o que vem a preencher é talvez o grande desembaraço do gênero.
Cesar engaveta tanto a ação dramática num formalismo que engessa a naturalidade da escrita breve. Os contos são bem narrados na terceira pessoa e possuem bom perfil de personagens. Mas até a própria angústia e seus presságios são manipulados para serem um tanto milimétricos como conta-gotas.

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